Muitos gestos que fazemos têm uma origem histórica. O gesto, antes das interjeições e onomatopeias, supriria a deficiência oral inicial do homem. O gesto é anterior à palavra. Dedos e braços falaram milênios antes da voz. A mímica é uma provocação ao exercício da oralidade.
A palavra acaba mudando, mas o gesto não muda na comunicação humana. É a linguagem da mímica. É o homem exteriorizando o pensamento pela imagem gesticulada, pela linguagem dos gestos. Primeira forma da comunicação humana, o gesto mantém sua eficiência em todo o mundo.
A Libras é a linguagem universal dos surdos-mudos.
Assim, o primeiro gesto é segurar alguma coisa. Isso fazem os bebês.
O gesto de bater o pé significa dançar ou alguma teimosia. Mão no queixo significa posição de descanso, indolência. Umbigada é o gesto da dança semba vinda de Angola, origem da palavra samba.
Bater continência militar (mão levada à testa) veio da Europa.
Beijar a mão é gesto de homenagem íntima ao Rei, ao Senhor e depois, mais tarde na história, às senhoras. Vem da Grécia antiga.
O gesto de carregar livros em sacolas indo para a escola vem da Roma antiga.
Negar de pés juntos vem de Portugal.
Bater palmas é sinal de aprovação pública, vem da antiga Babilônia.
Tirar o chapéu é gesto de saudação, homenagem.
Fazer as pazes: é o gesto do aperto de mão do adversário. Aperto de mão
também significa solidariedade, concordância, veio de Portugal.
Toques na madeira para isolar maus agouros é gesto que veio da Europa.
Entrar com o pé direito num lugar para obter êxito veio da Roma antiga.
Atirar beijo tocando os lábios com os dedos e jogando na direção da pessoa homenageada vem da Roma antiga.
Brindar à saúde das pessoas veio da Roma antiga.
Acenar adeus vem da Grécia antiga.
O abraço vem da Europa; os índios não se abraçavam. O beijo surgiu na Asia menor.
( História dos nossos gestos, Luiz da Câmara Cascudo,2003, Global Editora)
Profa. Lúcia Rocha
Imagem: http://www.coletivoverde.com.br/wp-content/uploads/2011/11/pequenos-grandes-gestos.jpg
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