segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Raízes da Nossa Família

Cerejeira em flor

No Brasil colônia, as meninas e as mocinhas da aristocracia tinham preceptores. Foi o caso da minha avó Ana Luiza, no final do século XIX, às vésperas da assinatura da Lei Áurea que acabou com a escravatura e às vésperas da Proclamação da República. E assim passo a contar para os meus leitores um pouco da história da minha avó paterna, que é a história  das raízes da nossa família e também um pouquinho da minha história.

 Natural de Mococa, noroeste do interior paulista, minha avó paterna Ana Luiza era órfã de mãe e pai, foi seu tio materno solteiro que a criou como filha dentro dos padrões da aristocracia portuguesa. Eles moravam no casarão de uma grande fazenda. O tio era o Dr. Arcrísio, médico que havia estudado na Europa e “barão do café”; sua riqueza provinha das muitas fazendas de café que herdara da família. Homem justo e de bom coração, ele deu carta de alforria a todos os seus escravos antes mesmo da Lei Aurea, transformando muitos deles em empregados assalariados, ajudando-os a se postarem na vida.     
Minha avó teve um preceptor português na infância e adolescência. Ele ensinou-lhe português, francês, conhecimentos gerais, valores humanos (também virtudes), piano (ela possuía um piano francês de quarto de cauda), canto lírico, declamação, etiqueta social, bordado gobelin (pronuncia-se “gobelem”, delicado bordado francês em seda com bastidor), culinária francesa (para saber mandar), planejamento da vida pessoal cotidiana, etc. Com seu preceptor,  minha avó também estudou a Bíblia, adquiriu o hábito de ler o Novo Testamento (os Evangelhos e as epístolas de Paulo); do Velho Testamento, os Salmos e os cinco livros de Moisés. Com ele, minha avó adquiriu o hábito de ler muitos romances em português e em francês. 

Tudo o que minha avó e seu tio necessitavam para viver com conforto e luxo vinha de Paris, de navio (que era chamado “vapor”): o champanhe, os livros franceses, os gobelins, os tecidos para os vestidos (e para os ternos do tio), os figurinos (revistas com os modelos da última moda francesa), os agasalhos, os chapéus, os calçados de couro, as luvas de seda e renda,  as meias de seda, as joias e os perfumes, os cremes e a maquiagem, etc. De Lisboa vinham os livros portugueses,  bem como o vinho tinto e o vinho do porto.

Os saraus eram uma forma de lazer no próprio casarão. Eram seletas recepções noturnas para poucos amigos. O traje era a rigor. A reunião começava às 18 horas e ia até as 22. Minha avó ao piano, o tio ao violino. Ela no canto lírico, os dois na declamação de poesias. Os convidados também participavam ao piano, violino e na declamação. Às vezes alguém trazia um violoncelo e outro mais um violino para tocarem em duo, em trio. Poesia e música de câmara, mas também música alegre como as valsas de Strauss Jr. Tudo ao vivo. O sarau era também uma versão colonial do coquetel dos nossos dias com canapés e docinhos finos, champanhe francês.      

Aos 19 anos, minha avó conheceu Alberto, um jovem conde português de 29 anos, nascido em Lisboa (a capital portuguesa), que estudara direito na Universidade de Coimbra, a mais antiga do mundo. Como estudante dessa universidade, Alberto tinha sido um “capa preta”, vestimenta de lã preta com abertura para enfiar as mãos, usada sobre o terno preto, e obrigatória no frio europeu. Naquele tempo a universidade era apenas para os rapazes. Os “capas pretas”  são assim conhecidos no mundo todo até hoje, mas as moças já frequentam a universidade.   

Ana Luiza conheceu Alberto porque ele estava no Brasil, em férias, e fora convidado para um sarau no casarão. Ana Luiza era linda! Descendente de tradicional família portuguesa aparentada com austríacos, ela era alta, esguia, pele muito alva, grandes olhos verdes, cabelos lisos, pretos, rosto de traços delicados, beleza rara. Muito elegante,  tinha uma bela voz (cantava modinhas de Carlos Gomes), tocava bem piano, declamava com desenvoltura, tinha muita leitura para as conversas, falava fluentemente o francês. Era muito culta.  

Meu avô era um belo homem, alto,  porte elegante, pele alva e rosada, cabelos pretos, lisos, curtos, olhos castanhos, barbeado,  usava um bigode fino. Ele declamava muito bem as poesias portuguesas da moda, tinha muita leitura e muito assunto para uma boa prosa, falava fluentemente o francês. Era muito culto. O convívio em outros saraus prosseguiram no casarão, os dois se apaixonaram. Namoraram e noivaram à moda antiga, um em cada ponta do grande sofá da sala de visitas com a ama dela por perto; o contato físico entre os dois se resumira ao beija-mão, uma reverência na chegada e na saída dele do casarão em horário bem cedo na noite. Em três meses de conhecimento marcaram o casamento na igreja católica, como era o costume. Ana Luiza tinha um rico enxoval pronto, tudo viera de Paris.  

Mas, no dia do casamento aconteceu um incidente. Ana Luiza tinha uma pequena cachorra da raça fox, branca e preta, chamada Jolie (“bonita”, em francês). Jolie adorava a dona, estavam sempre juntas. Enquanto Ana Luiza se preparava com o vestido de noiva, a cachorra ficou trancada, pois chovia muito, o quintal era pura lama. De repente, a cachorra  conseguiu escapar, saiu correndo e pulou em cima de Ana Luiza, já vestida, com as patas cheias de lama. Foi uma correria da criadagem para limpar e passar o longo vestido branco. A cerimônia da igreja acabou se atrasando.           

Logo depois do casamento, meu avô recebeu carta urgente do pai, intimando-o a levar a esposa para Portugal onde deveriam morar no condado da família. 

Mas, minha avó recusou-se a ir. Deu como desculpa o medo de cruzar o Atlântico de “vapor”. Meu avô respeitou a decisão dela. Na verdade, ela  não queria morar num castelo onde deveria submeter-se às regras da família dele, como era o costume. Minha avó era decidida, tinha opinião própria, preferiu a independência, rompeu inclusive com  a tradição que também existia no Brasil: casar e morar com a família no casarão. O casal permaneceu morando no casarão de Mococa, com o tio,  apenas o tempo de montar uma boa casa em separado. Minha avó não foi para Portugal, não fez questão nenhuma de virar condessa nem de transmitir o título aos filhos, não precisava disso.  

E também minha avó não precisava de riqueza, nem de status, que lhe sobravam. Mas,  porque meu avô não levou a esposa imediatamente para conhecer a família portuguesa, desobedecendo às ordens do pai,  ele perdeu o título nobiliárquico e foi deserdado pela família. A única coisa que ele pediu à família foram os dois grandes volumes do dicionário de português com capa de couro marrom, que vieram de navio. Meu avô ficara sem dinheiro. Mas, o tio da minha avó tinha grandes posses, deu à sobrinha um generoso dote pelo casamento. 

Assim, meu avô em pouco tempo tornou-se um comerciante bem sucedido com uma grande casa de “secos e molhados finos” (vinho, compotas de frutas, frutas secas, azeite, azeitona, etc, tudo que ele importava de Portugal), em Mogi Mirim, SP,  onde o casal fixou residência. Meu avô tinha uma boa prosa com sua clientela, que era da elite,  o que fazia parte do seu talento especial para o comércio. Além dessa casa comercial, logo meu avô tinha outro estabelecimento próspero ligado ao beneficiamento de café na cidade de Santos, SP. 

Quando minha avó casou, levou consigo sua mucama Inocência que era bem mais nova que ela e ganhava um ordenado, mas não era uma criada.  Era mais uma dama de companhia, sabia ler, fazia parte da família. 

Certa vez, meu avô recepcionou  o  jurisconsulto da república (o procurador da república da época) Ruy Barbosa, quando este passou por Mogi Mirim, tendo sustentado com ele uma longa prosa enquanto o mesmo esperava o trem para São Paulo. Meu avô escrevia sempre para o jornal de Mogi Mirim, “A Comarca”. Ele era um excelente redator. Em casa, o casal fazia refeições numa mesa retangular enorme, um em cada ponta, ocasiões em que só falavam  francês. Os filhos pequenos e adolescentes comiam em outra sala, em outro horário,  sob o olhar atento  da governanta. Treze filhos. Minha avó e meu avô eram um casal unido,  foram muito felizes. Quando ele faleceu aos 52 anos, ela estava com 42. Eu não conheci pessoalmente meu avô Alberto, só de foto nos seus 29 anos.  
Solteira, a mucama Inocência dedicou-se à minha avó, ajudando-a a criar os filhos depois da morte do  meu avô. Com a morte deste, os negócios ficaram desamparados. A casa era o único imóvel que restara. Minha avó, cheia de filhos, num instante foi à falência. O filho mais velho tinha apenas 14 anos. Minha avó passou apertos para viver com o pouco dinheiro que restara. Mas, poucos anos se passaram e o filho mais velho já estava bem empregado, bem como outros irmãos. E assim os filhos homens foram se empregando para ajudar no sustento da casa. Inocência veio a falecer. Os anos passaram, minha avó conseguira encaminhar os filhos, todos estudaram em escola pública até o nível que existia, que era o ensino fundamental. Depois disso, recorriam aos amigos mais velhos, ricos e mais estudados,  para continuar um estudo autodidata, que incluía muita leitura tomando-se os livros por empréstimo da biblioteca pública municipal.  Meu pai Olavo era o caçula, funcionário público administrativo. Ele casou aos 30 anos.   

No início dos anos de 1940, depois que eu nasci,  minha avó mudou-se de Mogi Mirim para a capital paulistana. Meu pai logo filiou-se à biblioteca municipal da capital. Meu pai, minha irmã e eu fomos morar com minha avó quando que se instalou num sobrado  do bairro de Pinheiros em São Paulo, eu tinha quatro anos. Esse imóvel era grande e pertencia ao filho mais velho da minha avó, meu tio Carlos, que ficara muito bem de vida com uma fábrica de porcelana (louças). Ele emprestou o imóvel para a mãe, o irmão (meu pai), as sobrinhas e um casal de irmãos solteiros morarem, minha tia Alice e tio Zezinho. Ali vivi até os 23 anos quando segui minha vida para o casamento.   

Quando fomos morar com minha avó, minha mãe foi internada num hospital psiquiátrico porque falava “sozinha”. Na verdade, ela ouvia espíritos e conversava com eles, apenas brincalhões. Mas ela não aceitava o Espiritismo, era católica fervorosa. Meu pai, que frequentava o Espiritismo, tentou levá-la para fazer um tratamento com passes para desligá-la dos tais espíritos, mas ela não aceitou. Ela ficou internada dos meus 4 aos meus 12 anos de idade. Fui visitá-la poucas vezes ainda menina. 

Na minha infância e adolescência, eu vi minha avó lendo a Bíblia diariamente até o final dos seus dias. Ela gostava muito do apóstolo Paulo, falava-me dele quando eu cresci mais. Ela morreu aos 82 anos, em 1952. Eu estava com 12 anos. Eu gostava muito dela. Não me deixaram vê-la morta. Foi minha avó Ana Luiza, minha avó querida, que me ensinou os primeiros valores do “ser” e do “ter”, que me apresentou o Evangelho, me educou na minha infância e início da adolescência quando ela faleceu. 

 Meu pai  tornou-se espírita seguindo o exemplo de um irmão mais velho, o tio Caio, que eu não conheci. Depois da morte da minha avó, meu pai passou a me levar na Federação Espírita do Estado de São Paulo onde se estudava principalmente o Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Lá ele fez bons amigos, inclusive um médico que se tornou meu pediatra, o Dr. Ivan.  Eu tinha ótima saúde, mas todo ano ele me dava um atestado de saúde para fazer educação física na escola, não cobrava nada. Meu pai fez amizade também com dona Ligia, senhora culta, que sempre me dava bons conselhos enquanto eu estive longe de minha mãe. Sou muito grata ao Dr. Ivan e à dona Ligia.    

Assim que minha avó morreu, minha mãe teve alta do hospital psiquiátrico, voltou para casa. Estava com ótima saúde.  Eu ia completar 13 anos. Vivemos juntas por 10 anos. Depois, segui meu caminho que culminaria no meu primeiro casamento. Tive meu filho primogênito, Marcus Vinicius, aos 28 anos. Vivi uma linda experiência de ser mãe. Os outros três filhos – Izabel Cristina, Raquel Helena e Ismael Augusto - tive em torno dos 40 anos, no segundo casamento. Estes vieram enriquecer minhas vivências da maternidade, só me acrescentaram vida.  

Sou muito grata à minha mãe Antónia, tão querida. Com ela aprendi muitos valores do “ser e do “ter”, olhando para trás foi quando entendi. Ela me ensinou regras de elegância, desde o comportar-se à mesa até o vestir-se com discrição, cuidar da saúde e da beleza, perdoar aos invejosos, aproveitar as oportunidades, lutar sempre, etc. Minha mãe tinha uma linda voz de soprano, declamava muito bem, bordava com esmero, costurava com primores, cozinhava muito bem. Minha avó a elogiava sempre enquanto ela esteve internada certamente para que eu a amasse. Minha mãe escrevia para o jornal de Mogi Mirim, “A Comarca”, quando solteira. Chegou a escrever uma peça de teatro que foi representada pelos amigos na sua juventude. Estudou na escola menos que o meu pai, mas foi ajudada por amigos a se aprimorar. Falava e escrevia com muita correção. Lia romances. Ela costurava para si mesma vestidos da moda chinesa: gola pequena envolvendo o pescoço, corpo ajustado, manga curta, comprimento meio longo,  com uma fenda lateral na saia que ia até o joelho,  sempre em cor única. Ninguém sabia de onde ela tirava tal modelo. Meu pai dizia que ela deveria ter sido chinesa em reencarnação recente, pois tinha os olhos amendoados, certamente ela se lembrava do passado, pois usava o cabelo preso à moda chinesa em birote e  também não gostava de carne  vermelha. Comia peixe e frango, ovos. Só usava sapato baixo, seu pezinho era número 32; ela era baixinha, mas andava com aprumo; não era gorda, pois fazia ginástica todos os dias, movimentos que inventava. Jamais fez vestidos estampados nem para ela nem para nós, suas filhas, pois dizia que eram de gosto vulgar. 

Sou muito grata também ao meu pai Olavo  com quem aprendi, entre outros valores,  o sentido do belo através do gosto pelas artes plásticas, literatura,  música erudita, o amor à língua portuguesa, o amor à pátria. Ele amava o Brasil, elogiava as grandes personalidades brasileiras do passado e do presente como bons exemplos de cidadãos. Ele era um bom desenhista do preto e branco e aprendeu um pouco de violino. Fazia palestras no centro espírita, escrevia muito bem. Ouvia muito rádio, não gostava da televisão nascente. Foi meu pai que me colocou para aprender as primeiras lições de piano e de pintura a óleo sobre tela, nos meus 11 anos. Quando eu ia no Dr. Ivan com o meu pai, eu via as aquarelas sobre papel que o médico pintava e o meu pai valorizava muito por não saber usar pincéis. Dona Ligia também tinha muitos quadros que o meu pai me mostrava e dizia que eram bonitos. Eu tomava nota de tudo no meu espírito. Foi meu pai que me encaminhou no Espiritismo e foi quando minha vida mudou para melhor. 

Meu pai Olavo e minha mãe Antónia juntamente com minha avó Ana Luiza foram os responsáveis pela minha educação, garantindo a transmissão  dos valores da família para os descendentes, mantendo nossa posição na elite intelectualizada, como até hoje. Eu tive uma educação europeia, sim, mas amando minha família, meu querido Brasil, minha pátria, terra adorada que não troco por nada. Foi Deus que me fez brasileira. Sou muito grata a Deus e a Jesus pela oportunidade desta reencarnação em que tive a alegria de formar minha linda e unida família. 

Sou muito grata aos meus dois ex-maridos, José Dalton, procurador da república  e Wilson, engenheiro elétrico. Dois espíritos amigos que já se foram deste mundo, tendo bem cumprido sua missão comigo e com nossos filhos. Foi com meus dois maridos que eu tive  a oportunidade de formar uma família unida da qual muito me orgulho.  

Sou  muito grata aos meus quatro queridos filhos, desde o primogênito Marcus Vinicius, e a Izabel Cristina e a Raquel Helena, até o caçula, o Ismael Augusto. São quatro valorosos guerreiros que só me dão orgulho. A eles agradeço a oportunidade de recebê-los neste mundo como mãe deles, trabalhando para Jesus; não fiz senão mantê-los no bom caminho para não se perderem, já que nasceram evoluídos e assim continuam para minha alegria. Foi uma honra para mim participar dessa caminhada juntos, cada um o tempo que foi necessário, segundo a vontade da Divina Providência. Estou de consciência tranquila, pois dei-lhes o meu melhor, apesar dos meus defeitos, e principalmente o meu exemplo, procurando seguir o lema do Espírito Bezerra de Menezes: “O que é fundamental basta.” 

Com o casamento dos filhos ganhei noras e genros adoráveis. São eles a minha nora Cristina (esposa do Marcus), o meu genro Renato (esposo da Izabel), o meu genro Neto (companheiro da Raquel) e a minha nora Mariana (companheira do Ismael). E como o Marcus Vinicius  casou cedo, já é avô de cinco netos, meus bisnetos, filhos das minhas netas Thais (três filhos) e Tássia (duas filhas), filhas do primeiro casamento dele. A Izabel é mãe da minha neta Melian Sophie, ainda adolescente. A Raquel e o Ismael ainda não têm filhos. Assim é minha linda árvore genealógica, dando lindos ramos e flores perfumadas. E ela está crescendo rapidamente sob as bênçãos de Deus.    

Agradeço às minhas adoráveis noras Cristina e Mariana, bem como aos meus estimados genros Renato e Neto pela felicidade que eles dão aos seus pares, os meus quatro queridos filhos, fazendo-me feliz por isso. Agradeço aos meus quatro filhos pela amizade que eles têm entre si e com os cunhados, cultivando também encontros sempre que possível para manter a família unida em meu nome, o que me  fará sempre muito feliz, neste mundo e no outro. E por vê-los bravos guerreiros lutando por seus ideais, oro sempre por todos, rogando a Jesus que os ampare sempre. Peço a Deus que os ilumine e abençoe agora e sempre, e que seus sonhos se realizem. Carpe diem! (do latim, “Aproveite o dia!”). Aproveitem o dia, a oportunidade desta reencarnação, façam o que tiverem de fazer enquanto é tempo, enquanto estão no caminho. E, por favor, façam uma coisa de cada vez para fazerem bem feito e com responsabilidade. A vida é preciosa demais, é preciso valorizá-la com dignidade. E assim todos nós caminhamos na eternidade abençoada de Deus. Viva Jesus!  

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: http://www.deccolar.com.br/images/png/900.png

Gratidão

“O Lago dos Cisnes”, Tchaicowsky, Ballet Nacional da Rússia em Maceió

“Algumas atitudes positivas quando transformadas em hábitos complementam nossa felicidade. A verdadeira gratidão se encontra nos momentos em que você aprecia as pequenas coisas, onde a cada dia se tem a oportunidade de aprender algo novo, buscar ser alguém melhor. E também quando agradecemos por coisas simples e pessoas que de alguma forma nos ajudaram. Jamais devemos nos esquecer que algumas conquistas só foram possíveis porque outras pessoas estavam por trás delas, fossem amigos, familiares, professores ou até mesmo aquela criatura estranha que cruzou por um instante nosso caminho. 

Agradecer pode parecer um acontecimento banal, mas essa ação gera mudanças positivas em nossos relacionamentos e  até na saúde. Este sentimento de plenitude nos leva a sentir emoções positivas, desfrutar de boas experiências, lidar com adversidades e fortalecer os laços de afeto. Adotar a prática de agradecer e não enfatizar o lado ruim das coisas é o primeiro passo para uma vida plena.” 

Fonte:

Gratidão é essencial para encontrar a felicidade, Dominique Magalhães, in  Folha do Taquaral, julho de 2015. 

http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2015/06/ballet-da-russia-apresenta-o-lago-dos-cisnes-neste-sabado-em-maceio.html

Imagem:  Em turnê pela América Latina, o Ballet Nacional da Rússia em “O Lago dos Cisnes”. Espetáculo traz 40 profissionais russos a Maceió. Única apresentação em 6 de junho de 2015 no Pavilhão inferior do Centro de Convenções, no Jaraguá. 

Profa. Lúcia Rocha

Imagem:  http://s2.glbimg.com/9D2E1xBUBOmN8LXibEyzaXEiSFM=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2015/06/02/balletrusso1.jpg

Mensagem de Rossini

Gioachino Rossini

(...) “Na Terra, tudo é grosseiro: o instrumento de tradução e o instrumento de percepção. Entre nós, tudo é sutil: vós tendes o ar, nós temos o éter; tendes um órgão que obstrui e vela; nós temos a percepção direta. Entre vós, o autor é traduzido; entre nós, ele opera sem intermediário e numa língua que exprime todas as concepções. Entretanto, essas harmonias têm a mesma fonte de origem, como a luz da Lua tem a mesma fonte de origem que a do Sol; a harmonia da Terra não é mais do que reflexo da harmonia do Espaço.

É tão indefinível a harmonia, quanto a felicidade, o temor, a cólera. É um sentimento. Só a pode compreender quem a possui e só a possui quem a tenha adquirido. O homem jovial não pode explicar a sua jovialidade; o que é timorato não pode explicar a sua timidez; podem expor os fatos que esses sentimentos provocam, defini-los, descrevê-los; mas, os sentimentos, esses se conservam inexplicados. O fato que a um causa alegria, nada a outro produzirá; o objeto que ocasiona o temor em um determinará a coragem noutro. As mesmas causas geram efeitos contrários; em física isto não existe, em metafísica existe. Existe, porque o sentimento é propriedade da alma e as almas diferem de sensibilidade entre si, de impressionabilidade, de liberdade.

A música, que é a causa segunda da harmonia percebida, penetra e transporta a um, deixando frio e indiferente a outro. É que o primeiro se acha em estado de receber a impressão que a harmonia produz ao passo que o segundo se acha em estado oposto; ele ouve o ar que vibra, mas não compreende a ideia que ele traz. Este chega a entediar-se e a adormecer, enquanto que aquele outro se entusiasma e chora. Evidentemente, o homem que goza as delícias da harmonia é muito mais elevado, mais depurado, do que aquele em quem ela não logra penetrar; sua alma, mais apta a sentir, desprende-se mais facilmente e a harmonia lhe auxilia o desprendimento; transporta-a e lhe permite ver melhor o mundo moral. Deve-se concluir daí que a música é essencialmente moralizadora, uma vez que traz a harmonia às almas e que a harmonia as eleva e engrandece.

Toda gente reconhece a influência da música sobre a alma e sobre o seu progresso. Mas, a razão dessa influência é em geral ignorada. Sua explicação está toda neste fato: que a harmonia coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa. Este sentimento existe em certo grau, mas desenvolve-se sob a ação de um sentimento similar mais elevado. Aquele que esteja desprovido de tal sentimento é conduzido gradativamente a adquiri-lo: acaba deixando-se penetrar por ele e arrastar ao mundo ideal, onde esquece, por instantes, os prazeres inferiores que prefere à divina harmonia.

Agora, se considerarmos que a harmonia sai do concerto do Espírito, deduziremos que a música exerce salutar influência sobre a alma e a alma que a concebe também exerce influência sobre a música. A alma virtuosa, que nutre a paixão do bem, do belo, do grandioso e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as mais endurecidas almas de comovê-las. Se o compositor é terra-a-terra, como poderá exprimir a virtude de que desdenha o belo que ignora e o grandioso que não compreende? Suas composições refletirão seus gostos sensuais, sua leviandade, sua negligência. Serão ora licenciosas, ora obscenas, ora cômicas, ora burlescas; comunicarão aos ouvintes os sentimentos que exprimirem e os perverterão, em vez de melhorá-los.

O Espiritismo, com o moralizar os homens, exercerá, pois, grande influência sobre a música. Produzirá mais compositores virtuosos, que transfundirão suas virtudes ao fazerem ouvidas suas composições.

Rir-se-á menos; chorar-se-á mais; a hilaridade cederá lugar à emoção, a fealdade à beleza e o cômico à grandiosidade.

Por outro lado, os ouvintes que o Espiritismo dispuser a receber facilmente a harmonia gozarão, ouvindo a música séria, de verdadeiro encanto; desprezarão a música frívola e licenciosa, que seduz as massas. Quando o grotesco e o obsceno forem varridos pelo belo e pelo bem, desaparecerão os compositores daquela ordem, porquanto, sem ouvintes, nada ganharão, e é para ganhar que eles se emporcalham.

Oh! sim, o Espiritismo terá influência sobre a música! Como poderia não ser assim? Seu advento transformará a arte, depurando-a. Sua origem é divina, sua força o levará a toda parte onde haja homens para amar, para elevar-se e para compreender. Ele se tornará o ideal e o objetivo dos artistas. Pintores, escultores, compositores, poetas irão buscar nele suas inspirações e ele lhes fornecerá, porque é rico, é inesgotável.

O Espírito do maestro Rossini voltará, numa nova existência, a continuar a arte que ele considera a primeira de todas. O Espiritismo será seu símbolo e o inspirador de suas composições.“

Rossini

Fonte: Obras Póstumas, Allan Kardec, mensagem do maestro Gioachino Rossini, médium Nivart

http://www.vademecumespirita.com.br/goto/store/texto/661/a-musica-celeste--compreenda-a-um-pouquinho

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gioachino_Rossini

Nota de Lucia Rocha: Gioachino Rossini ( 1792-1868) foi um grande maestro e compositor italiano de óperas como “O barbeiro de Sevilha” e “Guilherme Tell”  e também de música de câmara.


Profa. Lúcia Rocha

Imagem: https://pbs.twimg.com/media/CGfrvLkXIAAKiY5.jpg

O Cristo Redentor

Cristo Redentor

Entre as Sete Maravilhas do Mundo Moderno está o Cristo Redentor, estátua art déco (pronuncia-se “ar decô, “arte decorativa”,  de inspiração francesa, surgida em 1920) que retrata Jesus Cristo. Ela tem 30 metros de altura e foi feita em concreto armado e pedra sabão. A estátua fica no cume do Morro do Corcovado na cidade do Rio de Janeiro, RJ, Parque Nacional da Tijuca, fragmento do bioma da Mata Atlântica. Concebida pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa, a estátua  foi construída entre 1922 e 1931 pelo escultor francês Paul Landowski em colaboração com o engenheiro francês Albert Caquot. Foi inaugurada em 1931. O monumento recebe mais de dois milhões de visitantes por ano.

Até pouco tempo atrás, para se chegar ao mirante da estátua precisava-se caminhar muito, o que se tornou uma barreira para deficientes físicos. A partir do ano de 2002, a Prefeitura do Rio de Janeiro  instalou três elevadores panorâmicos e quatro escadas rolantes como parte do projeto de renovação do Cristo. 

A restauração de 2010 envolveu cem pessoas e usou mais de 60 mil pedaços de pedra retirados da mesma pedreira que a estátua original. Durante a inauguração da restauração, ainda em 2010, a estátua foi iluminada em verde-e-amarelo em homenagem à Seleção Brasileira de Futebol que estava jogando na Copa do Mundo. 

A partir de 2013 foi criado pelo Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, um sistema de Vans credenciadas a partir do Largo do Machado, Copacabana e Paineiras, que efetuam a ligação direta até o topo do Corcovado.   

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_maravilhas_do_mundo_moderno

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristo_Redentor

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: http://vidaeestilo.terra.com.br/turismo/turismo-internacional/encante-se-pelas-sete-maravilhas-do-mundo-moderno,cadf87fc5187a410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

Eu Sei Que Vou Te Amar

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar.

E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida.

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou.
Eu sei que vou sofrer

A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida.

Música de Antônio Carlos Jobim, letra de Vinicius de Moraes

(Obs. Esta música foi tema de abertura da novela da Globo “Em Família” (2014), interpretada por Ana Carolina. Toda letra de música é uma poesia.)

Tom Jobim
Vinicius de Moraes

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:
http://www.radioblog.com.br/arquivos/imagens/galerias/tom_7.jpg

http://www.escritas.org/autores/Vinicius%20de%20Moraes.jpg


O Ser e o Ter - 2

Madona Cowper, Raphael

FILOSOFIA – OS VALORES DO “SER” E DO “TER” II

(Para sua reflexão)

O corpo físico

Como ensinam as obras de André Luiz, na série romanceada que começa com a obra Nosso Lar, o espírito reencarnante recebe um veículo carnal  por empréstimo para manifestar-se neste mundo, cumprir a sua missão. O corpo físico é, pois,   o primeiro bem material que o espírito recebe ao nascer e que um dia voltará ao pó. Mas, somente a Divina Providência pode determinar o término da vida terrena de um espírito reencarnado. O corpo físico é o nosso maior valor do “ter” em cada existência, por isso devemos respeitá-lo e cuidar dele com responsabilidade. Esse é o nosso maior compromisso do “ser”. 

André Luiz explica também que, por não cuidarmos adequadamente do corpo físico ou por agredi-lo com maus hábitos e vícios, nós cometemos um tipo de suicídio inconsciente. Além disso, adquirimos uma ou mais doenças crônicas que nos fazem sofrer se não nesta, com certeza em outras existências. Uma doença crônica fica plasmada no períspirito (corpo espiritual) por muitas vidas. Por exemplo, se na Terra uma pessoa fica gravemente doente do fígado por vícios ou maus hábitos, a região do fígado fica destruída no seu períspirito. E assim também  com outros órgãos vitais como o cérebro, os pulmões, os rins, etc. Muitas vezes são necessárias diversas reencarnações até o espírito aprender a valorizar o corpo físico e assim merecer ter de volta o períspirito totalmente reconstruído, que vai servir de matriz para um futuro corpo perfeito.   

Portanto,  muitas doenças crônicas desta existência podem ser a continuação de doenças provocadas em vidas anteriores. O períspirito é a matriz a partir da qual o corpo de uma reencarnação futura é projetado em desenho por engenheiros siderais antes do nascimento. Antes de reencarnar, a pessoa é chamada para ver o desenho do corpo que vai merecer ou vai ter por acréscimo da misericórdia divina, inclusive com as doenças crônicas, os defeitos físicos e outras ocorrências, tudo com as datas previamente marcadas. Não existe acaso. Cada uma dessas ocorrências significa o pagamento de uma parcela da dívida moral que o espírito reencarnante adquiriu com o Plano Superior e assim ele aprende a valorizar o corpo físico caminhando na evolução.          

O espírito encarnado precisa do corpo bem cuidado para viver e fazer o esforço de aprimoramento espiritual. Estando com saúde fica mais fácil trabalhar, estudar e compreender  as  questões da moral cristã que estão no Evangelho para a evolução humana.

Um espírito reencarnado em primeiro lugar é carne humana, vestimenta frágil e provisória. Sem o corpo físico não há vida na Terra, por isso o suicídio consciente (planejado) e o suicídio inconsciente (destruição do corpo aos poucos sem consciência disso) são os maiores crimes do espírito reencarnado. O suicida consciente tira a própria vida por revolta, ódio, num ato impulsivo, impensado  ou premeditado.  O suicida inconsciente, como o nome diz, não tem consciência de que está se matando, acabando com a própria vida aos poucos pelos excessos ou descuido da saúde. Ambos os casos serão julgados pela Divina Providência com a aplicação de severos corretivos para as existências posteriores. Só Deus, através dos seus mentores espirituais, tem o direito de tirar a vida do homem.  

No estágio atual da evolução dos homens na Terra, o número de suicídios inconscientes é imenso por causa dos inúmeros vícios e maus hábitos da modernidade que destroem progressivamente o corpo físico. Alguns exemplos: entregar-se às drogas ou à prática de esportes radicais ou ao sexo desregrado,  seguir dietas radicais (alimentar-se mal), dormir pouco, trabalhar excessivamente e outros.

Cuidar bem do corpo físico, o maior valor do “ter”, é o primeiro compromisso moral do espírito reencarnado com “o ser”.  A paz do espírito nasce dos deveres retamente cumpridos. A paz de Deus é que mantém em equilíbrio a harmonia do Universo. 

Nota: Texto baseado nas obras do Espírito André Luiz da série Nosso Lar, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Editora da Federação Espírita Brasileira, século XX. 

Imagem: Madona Cowper, 1505. Óleo sobre tela de Raphael  que mede 59,5 cm x 44 cm. Está exposta na National Gallery of Art, em Washington.  A perspectiva da obra está expressa no cenário  que nos dá uma ideia de profundidade. O artista utilizou cores quentes (o vermelho e o amarelo da roupa da madona) para destacar as figuras colocadas no centro. Os rostos têm uma expressão serena. Raphael foi um dos maiores  pintores italianos do Renascimento, formando uma trilogia de grandes mestres com Leonardo da Vinci (que o antecedeu) e Michelângelo Buonarroti (seu contemporâneo).  

Profa. Lucia Rocha

Imagem: http://renascimento-pintura.blogs.sapo.pt/1611.html

Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis - 8

Art Nouveau, Mücha, 1899

As leis fundamentais de uma relação saudável  III

A arte de diálogo: desvendando o mundo dos outros

A arte do diálogo é outra lei fundamental das relações saudáveis. É a mais famosa lei, mas a menos conhecida. Quase todo mundo pensa que pratica essa lei, mas apenas 1% a exercita realmente. Dialogar, um verbo tão simples de pronunciar, mas tão difícil de operacionalizar. Dialogar não é conversar, falar coisas triviais, emitir sons. Dialogar é cruzar mundos, penetrar na intimidade, segredar experiências.

Dialogar implica, em primeiro lugar, ouvir. Quem não aprender a ouvir jamais saberá dialogar. E ouvir não é escutar,  muito menos discernir sons. Ouvir é se abrir, colocar-se no lugar do outro, perceber o intangível, perscrutar o essencial. É acima de tudo conhecer o que o outro tem para dizer e não o que queremos escutar. Muitos pais escutam seus filhos, mas não os ouvem. Muitos casais conversam, mas jamais dialogam.

Estranhos vivendo sob o mesmo teto

Milhões de casais dividem o mesmo teto, mas não a mesma história, são próximos fisicamente, mas não interiormente, nutrem-se dos mesmo tipos de prato, mas não do mesmo cardápio do diálogo. Qual o resultado? São muitos. Produzem-se as ditaduras do ciúme, do controle, da crítica excessiva, dos atritos, do medo da perda e tantos outros erros capitais.

Mulheres inteligentes têm notório apreço pelo diálogo. Não são mulheres dissimuladoras, não se escondem atrás da sua posição social, dinheiro ou cultura. Perdem o medo de serem conhecidas e de conhecerem os que lhe são caros. Têm habilidade para perguntar: “O que eu posso fazer para te tornar mais feliz? ‘”Onde errei e não soube? “Quais são suas angústias mais importantes?” “Quais preocupações furtam-lhe a paz?”.

Mulheres inteligentes sabem que o amor nasce no terreno onde as máscaras caem, a maquiagem é removida e nos tornamos o que sempre fomos, apenas seres humanos e como tais, fortes por um lado, frágeis por outro, independentes em algumas áreas, totalmente dependentes em outras.

Mulheres inteligentes, ao exercitarem a lei áurea do diálogo transformam-se em garimpeiras do ouro que procuram  na criança frágil por trás de homens radicais, de filhos alienados e de alunos agressivos. Elas sabem que diálogos simples e abertos irrigam a esperança, aliviam a dor, promovem o amor. 

A arte de autodialogar: desvendando o nosso mundo – o autoconhecimento

O autodiálogo é o rei das leis das relações saudáveis, mas o menos conhecido. É mais poderoso para reeditar ou domesticar nossos fantasmas psíquicos, mas o menos praticado. A arte de dialogar é uma função da inteligência para conhecer os outros, e a arte de autodialogar é uma função para se conhecer a si mesmo.

O autodiálogo é o alicerce de todas as demais leis. Porque sem o autoconhecimento, pelo menos básico, o Eu não tem como se conhecer, e sem se conhecer, não tem como ser o Autor da própria história, e desse modo, terá grandes dificuldades de desenvolver as demais leis das relações saudáveis e as funções mais complexas da inteligência, como gerenciar pensamentos, proteger a emoção, resiliência, generosidade.

Se você se abandona a solidão é insuportável

Há uma frase que o autor cunhou e que tem percorrido o mundo: Se o mundo o abandona, a solidão é tolerável, mas se você mesmo se abandona, a solidão é insuportável.

Se seus colegas a rejeitam, se seus amigos lhe viraram as costas, se seus pais não a compreendem e se seu parceiro a abandonou, a solidão será amarga, mas suportável, No entanto, se você mesmo se abandonar, se não cuidar da sua saúde psíquica, se não aprender a filtrar os estímulos estressantes e a relaxar, a solidão será insuportável.

Brilhantes teorias psicológicas, desde a psicanalítica à cognitiva, não tiveram a oportunidade de estudar o processo de construção dos pensamentos nem a Teoria das Janelas da Memória e do Eu como Autor da história, por isso não incorporaram em seus textos alguns desses mecanismos da formação de traumas. 

Diversas doenças psíquicas são iniciadas por traumas sociais, porém são desenvolvidas pela postura de um Eu que não sabe proteger a emoção nem gerir pensamentos, que lê e relê as janelas killer solitárias de  uma imensa plataforma doentia na MUC (memória). Somos vítimas e, sem o saber, agentes construtores dos nossos conflitos.

Pode-se achar o autodiálogo até uma coisa estranha.  Mas deveríamos treinar a fazer uma mesa redonda com nossos conflitos através da arte da dúvida e da autocrítica. Tal mesa redonda é tão importante como escovar os dentes e tomar banho.  

Mulheres inteligentes devem manipular a ferramenta do autodiálogo para questionar quais são os traumas que as perturbam: excesso de peso, magreza, feiura, incompetência. Devem também se perguntar o que as controla: medos, autopunição, inveja, ciúme, autocobranças, ideias fixas, sentimento de inferioridade, sofrimento por antecipação, preocupações excessivas.

Mulheres inteligentes sabem que desenvolver a saúde psíquica é fundamental para conquistar um amor saudável e ter relações felizes. Sabem também que ser livre não é viver em democracia, mas ter  liberdade no complexo mundo psíquico que nos torna seres pensantes. Sabem ainda que não basta ter uma moradia digna para ter conforto, é preciso encontrar o mais importante dos endereços, um endereço dentro de si mesma.

Que você aprenda a autodialogar. E ao autodialogar, não tenha medo de enxergar-se. E ao enxergar-se, reconheça seus conflitos. E ao reconhecê-los, não desanime. Liberte seu Eu para reescrever sua história. Escreva seus melhores textos nos dias mais tristes da sua vida.

Para casais inteligentes

De repente, quando olhava para o horizonte, ela viu a figura de um homem. Seus passos ansiosos denunciavam um forte desejo, um reencontro, um recomeço. Era o homem que a abandonara. De longe abriu os braços. Sob a aura de uma emoção  incontida, ela saiu e correu ao seu encontro. Ele abraçou-a, beijou-a e pediu desculpas. Disse que enfrentaria o mundo com ela. Navegaria nas águas do desprezo e nos vales do vexame social, mas jamais a deixaria novamente. O amor faz loucuras.

Brigar, gritar, impor ideias, nem de longe significa ter um Eu forte, mas sim frágil. Falar o que vem à mente, dizer sempre a verdade, nem sempre é a expressão de um Eu maduro, mas sim, de quem não tem autocontrole. Um Eu forte e maduro aquieta sua ansiedade, protege quem ama, pede desculpas sem medo, aponta primeiro o dedo para si antes de falar dos erros do outro, repensa sua história, exige menos e se doa mais, não tem a necessidade neurótica de mudar quem ama, conhece, portanto, todas as letras do alfabeto da generosidade. (continua)

Fonte:
Mulheres inteligentes, relações saudáveis, Augusto Cury, 2011 (Psicologia aplicada para leigos. Extrato de um capítulo nas palavras do autor.) 

Nota: Alphonse Mücha, artista tcheco da Art Nouveau  (“Arte Nova” francesa, decorativa, inspirada em figuras naturais, plantas, flores e curvas. Século XIX.)

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: https://www.flickr.com/photos/swallowtailgardenseeds/14801155027