segunda-feira, 20 de julho de 2015

Personalidade - Alexandre Magno

Busto de Alexandre Magno

Alexandre III da Macedônia, dito o Magno ou o Grande (356 a.C.-323 a.C), era filho de Filipe II, rei da Macedônia. Tornou-se rei da Macedônia aos 20 anos pelo assassinato do seu pai. Na adolescência teve como preceptor o filósofo Aristóteles. 

Ele conquistou um império que ia dos Balcãs e chegava aos confins da Índia. Ao visitar o Egito, Alexandre ficou impressionado com aquela cultura chegando a “faraonizar-se” como aqueles reis quase míticos. A História da Arte testemunha esse feito.

Seu grande amigo que o acompanhou a vida inteira foi Hefestion, filho de um nobre macedônio.O próprio Alexandre era o general do seu exército que era composto de cavalaria pesada, cavalaria ligeira, infantaria pesada e infantaria ligeira.  Seu cavalo Bucéfalo acompanhou-o em todas as batalhas durante sua curta vida, pois ele morreu aos 26 anos supostamente de febre tifoide, na Babilônia, longe portanto da sua terra.

Escritores antigos afirmam que Alexandre contribuiu, em vida,  para a manutenção do Liceu, a instituição de pesquisa e ensino fundada em Atenas por Aristóteles, seu preceptor. Após a morte de Alexandre, os atenienses anti-macedônicos passaram a hostilizar o filósofo, que teve de abandonar a cidade. Alexandre  foi o mais célebre conquistador da Antiguidade. Seu maior feito foi levar a ciência,  as artes e a cultura macedônia para as terras conquistadas contribuindo para a civilização desses povos. 

Alexandria

Em 332 a.C., Alexandre fundou a cidade de Alexandria, no Egito,  um centro urbano que deu origem à dinastia egípcia dos Ptolomeus. Em pouco tempo a cidade de Alexandria tornou-se uma das maiores do mundo grego. No quebra-mar do Mar Mediterrâneo, foi construído o Farol de Alexandria, com 135 metros de altura, tendo no topo a estátua do deus Hélio, o deus Sol. O farol é considerado uma das maravilhas do mundo antigo. 

A cidade tornou-se a principal base marítima do Mediterrâneo, pois abrigava grandes embarcações e permitia a exportação da sua produção para todo o país.  Alexandria tornou-se a capital do Egito e nela foram construídos grandes palácios, instituições públicas, museus, templos e uma grande biblioteca. A Biblioteca de Alexandria tornou-se a mais célebre da Antiguidade.

No século VII, a biblioteca de Alexandria foi incendiada perdendo-se cerca de 700 mil rolos de papiro que continham obras da Antiguidade. Em 1.375, o farol foi destruído por um terrível terremoto. 

Representações na cultura 

Alexandre tem permanecido na história dos mitos da culturas grega e não-grega. Seu nome atravessou os tempos.

Sua história tem inspirado diversas obras literárias na tradição de Aquiles. Na música, a banda inglesa Iron Maiden compôs, em 1986, “Alexander, The Great”, que fez parte do disco Somewhere in Time.

No século XX, Alexandre  Magno foi objeto de muitos documentários da televisão. Dois filmes de grande sucesso tiveram Alexandre Magno como tema: 

“Alexander, the Great” (1956) com Richard Burton; e “Alexander” (2004) com o ator Colin Farrell no papel-título. Assisti a este último mais de uma vez na tv, quase três horas de uma belíssima produção. Imperdível! 


Nota: “Alexandre, o Grande”, cópia de um busto esculpido por Lisipo, escultor grego que viveu ao tempo de Alexandre. Encontra-se num dos Museus do Vaticano, Roma.

Fontes: 

Aristóteles, Tópicos: dos argumentos sofísticos, vol. I,  SP, Abril Cultural, 1978

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre,_o_Grande

http://www.historiadomundo.com.br/idade-antiga/alexandria.html

http://sdi.letras.up.pt/uploads/pdfs/alexandria3.pdf

http://www.dm.ufscar.br/hp/hp855/hp855001/hp855001.html

http://educalendario.blogspot.com.br/2015/02/0209-c-lisipo-intensidade-da-forca-e-da.html

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:

http://obviousmag.org/archives/uploads/2012/01/29/02_alexandre_magno_02.jpg

http://br.web.img1.acsta.net/medias/nmedia/18/35/23/58/18398340.jpg

Filosofia - As Sete Maravilhas do Mundo Moderno

As Sete Maravilhas do Mundo Moderno são um tema de Filosofia para uma reflexão sobre o sentido do belo através do tempo, tendo necessariamente a História como pano de fundo. 

As Sete Maravilhas do Mundo Moderno foram escolhidas  em Lisboa, Portugal, no dia 07/07/ 2007, data com o número 7 escolhida propositadamente como uma referência a esses patrimônios da humanidade.


Muralha da China 

Mais de 20 mil quilômetros. Essa é a extensão da Muralha da China, construída do século III a.C. ao século XVII d.C. Iniciada pelo imperador Qin Shi Huang, hoje a Muralha é ponto turístico.  Badaling é um dos trechos mais visitados pelos turistas pela proximidade da capital Pequim. 


Taj Mahal (India)

É uma linda história amor. A construção do Taj Mahal começou em 1632 e foi até 1648.  O Imperador Shah Jahan o construiu em memória da sua amada esposa, Mumtaz Mahal, que faleceu durante o parto do 14º filho. O monumento fica na cidade de Agra, no estado de Uttar Pradesh, na Índia. A arquitetura repleta de pedras preciosas atrai visitantes de todo o mundo. 


Ruinas de Petra (Jordânia)

Uma cidade construída pelos Nabateus a partir de ruínas, há mais de 2000 anos, permanece de pé, mesmo com a ação do tempo. Essas são as Ruínas de Petra, na Jordânia. Também conhecida como a cidade rosa pela cor das rochas. 


Coliseu (Roma)

 Cenário de lutas entre gladiadores e animais ferozes, o Coliseu ou Anfiteatro Flaviano localiza-se em Roma, na Itália, e é o maior anfiteatro do mundo. 


Machu Pichu (Peru)

Uma cidade inca nos andes peruanos. Essa é Machu Picchu, cidade peruana que é patrimônio histórico da Unesco e uma das maravilhas do mundo moderno. As ruínas da cidade ficam dentro do Santuário Histórico de Machu Picchu. São quase 33 mil hectares de montanhas, subidas e vales. Destaca-se  La ciudadela, localizada a mais de 2.400 metros acima do nível do mar. Machu Picchu foi abandonada quando o Império Inca foi conquistado pelos espanhóis no século XVI.


Chichén Itzá 

Patrimônio cultural do México, patrimônio da humanidade da Unesco e uma das maravilhas do mundo moderno.  Essa é Chichén Itzá, uma cidade arqueológica na península de Yucatán, considerada a capital da civilização Maia no período clássico, entre 250 d.C. e 900 d.C. Um dos pontos mais conhecidos é o El Castillo, ou Pirâmide de Kukulcán. Considerada pela Unesco o vestígio arqueológico mais importante da civilização Maia. 


Cristo Redentor (Brasil)

Entre as maravilhas do mundo moderno está o Cristo Redentor, estátua art déco (pronuncia-se “ar decô”, “arte decorativa”, de inspiração francesa, surgida em 1920) de 30 metros de altura feita em concreto armado e pedra sabão, que fica no cume do Morro do Corcovado na cidade do Rio de Janeiro, RJ, Parque Nacional da Tijuca, fragmento do bioma da Mata Atlântica. Concebida pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa,  foi construída entre 1922 e 1931 pelo escultor francês Paul Landowski em colaboração com o engenheiro francês Albert Caquot. Foi inaugurada em 1931. O monumento recebe mais de dois milhões de visitantes por ano.  

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_maravilhas_do_mundo_moderno

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristo_Redentor

Profa. Lúcia Rocha

Imagens: http://vidaeestilo.terra.com.br/turismo/turismo-internacional/encante-se-pelas-sete-maravilhas-do-mundo-moderno,cadf87fc5187a410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

A Força do Verbo

Castelo de Nagoya e cerejeira em flor,  Japão

“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.” (Marcos 13:31)

“A palavra é a materialização dos sentimentos mais íntimos do ser. A força do verbo é capaz de impulsionar o progresso do indivíduo ou das comunidades ou promover a queda nos despenhadeiros das sombras. 

A energia expressa através do verbo já era estudada pelos colégios dos sábios do passado. Confrarias e mosteiros foram erguidos em todas as épocas, em cujo interior se aprendiam e exercitavam o poder e o alcance da palavra como agente criador e modelador das forças  interiores da alma.

O verbo dá forma ao pensamento. A energia benéfica da palavra reveste-se de poder que modela os fluidos ambientes em torno de quem a pronuncia ou no local para onde é dirigida.  Nasce assim a força do mantra que, pela repetição harmoniosa, cria a egrégora sadia com a qual são alimentadas as aspirações e as inspirações superiores da humanidade. 

A palavra é uma conquista do espírito que, ao longo dos séculos, desenvolve o potencial rumo a maiores definições para expressar a imortalidade.

Com o uso da palavra, o homem terrestre cria a guerra, destrói, subjuga, mata, atrofia as forças da alma. Utilizando-se da palavra, o homem constrói a paz, eleva a alma, promove a vida, cria esperança, incentiva o progresso e faz luz em torno de si. 

Já escreveu um sábio do passado: ”No princípio era o verbo”, dessa maneira nos ensinando que a palavra ou verbo é o início de toda a realização no mundo das formas. Isso nos faz refletir quanto ao uso que se faz dessa força que se materializa através da boca.

A palavra quando pronunciada não tem mais retorno; modela nos fluidos ambientes e na luz astral a ideia que ela representa. Quando retida ou educada em seus primeiros impulsos, pode evitar desastres e conflitos dolorosos. Quando melodiosa, poderá elevar o sentimento e o pensamento às viagens do universo interior. 

A palavra é um recurso desenvolvido pelo homem sob cujo poder ele expressa a inspiração com que se afina. Sob a intuição superior, o homem expressa pelas palavras o bem e o belo para a elevação própria e das coletividades.” 

Fonte: Serenidade; Robson Pinheiro, pelo Espírito Alex Zarthú, 2013

Imagem: http://www.mix-shop.net/wp/wp-content/uploads/2015/03/nagoyajyou3.jpg

Meu dia

Persistência da Memória, Salvador Dali

Aos rubores da Aurora
o Sol me oferece
o meu dia,
folha em branco
pra eu desenhar minhas  vivências.  

No escoar das horas, 
riscos e rabiscos, 
riso, choro, ilusões,  
arrependimento, boas ações,
comemoração, cismas,
um mar de emoções.

Linhas tortas 
minhas e dos outros, 
passo a borracha pra que  virem coisas mortas.   
Projeto ruas, pontes, passarelas,  
ergo muros,  abro portas,
deixo a luz do amor entrar pelas janelas.

Meu trabalho tem valor,
meu destino eu que traço,
liberdade e suor,  
paciência e persistência, 
gosto do que eu faço,
a voz do lamento eu calo
com metas e sucesso  
e firmo o pensamento.

Eu invento e reinvento,
me dou uma nova chance de ser feliz,
sou a pá e a mão na massa,     
só me  omito pra evitar conflito,       
gosto de  dizer “ainda bem que eu fiz...”  

Meu dia, meu Presente, meu hoje,
meu inexorável  agora,
momento exato em que penso e existo 
pra aprender a lição, 
o Futuro será mera consequência,
do Passado trago as boas sementes, 
base das novas etapas da minha existência.

Cada Sol, cada manhã,
admirável mundo novo em minhas mãos,     
tempo  Presente
que eu ganho
e que no entanto 
se esvai minuto a minuto
ainda que eu lamente.  

Pois somente no Presente, 
esse tempo   tão fugaz,   
é que acontece a caminhada, 
é que acontece a vida, 
razão e sensibilidade.  

(Poesia de Lucia Rocha, 2013)


Nota: O espanhol Salvador Dali (1904-1989) foi um importante pintor do Surrealismo. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas com uma excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres do Classicismo. O seu trabalho mais conhecido é A Persistência da Memória, 1931.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_Dal%C3%AD

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: http://voxukraine.org/wp-content/uploads/2015/01/surrealism_salvador_dal_1.jpg

Nosso Português - 2 - A Escrita e a Leitura

(Pequeno estudo de linguística para leigos, em continuação. Conhecimento de nível universitário fundamentado na obra abaixo citada.) 

As letras greco-latinas da Antiguidade

Introdução 

A linguagem existe porque um pensamento se une a uma forma de expressão, seja a fala, a escrita ou a leitura. A escrita tem como objetivo a leitura. Para facilitar a comunicação entre todas as pessoas de uma sociedade é que se estabeleceu um código de escrita (uma codificação),  uma convenção com desenhos para as letras.

HISTÓRIA DA ESCRITA

A história da escrita teve três fases distintas: a pictórica, a ideográfica e a alfabética.

A fase pictórica são os desenhos ou pictogramas. Estes aparecem em inscrições antigas e de forma mais elaborada na escrita asteca e mais recentemente nas histórias em quadrinhos. Os pictogramas não estão associados a um som, mas à imagem. São representações bem simplificadas dos objetos da realidade. 

A fase ideográfica é a escrita através de desenhos especiais chamados ideogramas. Ao longo do tempo, esses desenhos perderam detalhes e se tornaram uma simples convenção de escrita. As letras do nosso alfabeto vieram desse tipo de evolução. Por exemplo, na escrita egípcia, o “a” era a representação estilizada da cabeça de um boi ; o “x” representava um peixe. As escritas ideográficas mais importantes são a egípcia (também chamada de hieroglífica), a mesopotâmica (suméria), a cretense e a chinesa (de onde provem a escrita japonesa).

A fase alfabética se caracteriza pelo uso de letras. Estas vieram dos ideogramas, mas perderam o valor ideográfico, assumindo uma nova função da escrita: a representação puramente fonográfica. O ideograma perdeu seu valor pictórico e passou a ser simplesmente uma representação fonética. Os sistemas mais importantes são o semítico, o indiano e o greco-latino. Deste último provem o nosso alfabeto (latino) e o cirílico (grego), que originou o atual alfabeto russo.

Na Antiguidade, as variantes das letras escritas nos papiros e pergaminhos se restringiam a uns poucos casos. O latim, por exemplo, não tinha as letras minúsculas. A escrita de forma era anotada nos manuscritos dos papiros e mais tarde dos pergaminhos, que conservaram o saber acumulado. A escrita cursiva aparece só na Idade Média.  

No final da Idade Média, Guttemberg inventou a imprensa. O primeiro livro que ele imprimiu foi a Bíblia, em 1455. A invenção da imprensa facilitou a disseminação dos livros contribuindo grandemente para o desenvolvimento do Renascimento.

Os instrumentos de escrita também se transformaram muito ao longo do tempo, desde o pincel, o cinzel, o estilete, o lápis, a caneta até as teclas dos mais avançados computadores.

A escrita do português

Os fenícios utilizaram vários sinais da escrita egípcia formando um inventário muito reduzido de caracteres, cada qual escrevendo um som consonantal. Eles não consideravam importante escrever as vogais. Os gregos adaptaram o sistema da escrita fenícia ao qual juntaram as vogais. Assim, escrevendo consoantes e vogais, os gregos criaram o sistema de escrita alfabética. Essa escrita é a que apresenta um inventário menor de símbolos que permitem uma maior possibilidade combinatória de caracteres. Posteriormente, a escrita grega foi adaptada pelos romanos constituindo o sistema alfabético greco-latino, do qual provém o nosso alfabeto.

A escrita do português se apresenta de tantas formas quantos são os dialetos, mas respeitando o sistema alfabético. Apesar da nossa escrita conter números, siglas, sinais ideográficos (ou ideogramas, como R$, US$, “ “, ( ); libra esterlina,  raiz quadrada, etc), ela é fundamentalmente alfabética, tendo como base a letra.

 Nós escrevemos da esquerda para a direita, de cima para baixo. Os árabes escrevem da direita para a esquerda, de cima para baixo. Os chineses e japoneses escrevem da direita para a esquerda em colunas verticais. A escrita, seja ela qual for, representa uma maneira de preservar a memória coletiva religiosa, mágica, científica, política, artística e cultural.

Todos nós, crianças, adolescentes e adultos, vivemos em contato com vários tipos de escrita: os logotipos, as placas de trânsito, os desenhos que  indicam os banheiros masculinos e femininos,  rótulos e  cartazes, além dos textos de revistas, jornais, televisão, internet, etc. Portanto, os logotipos, as marcas e as placas também pertencem ao nosso sistema de escrita, pois transmitem uma mensagem para a leitura.

Mais recentemente apareceram o rádio, o cinema e a televisão. A memória coletiva dos povos passou a ter outros meios de materialização. Ninguém pensa numa gravação como escrita, mas é de fato uma representação magnética (ou digitada) dos sons, sendo de certo modo a maior sofisticação dos sistemas alfabéticos, operados agora não mais pela análise linguística, mas pela análise eletrônica da fala. 

Neste século XXI, muitas pessoas até podem ler jornal todos os dias, mas escrevem raramente sobre papel. Crianças,  jovens e adultos acessam diariamente as redes sociais, consultam seus e-mails, fazem pesquisas na internet, sempre digitando nas teclas do computador. É uma das atividades que nós mais gostamos de fazer.  Muitos estudantes digitam e imprimem seus trabalhos, pouco escrevem em cadernos. Desde que os computadores entraram em quase todas as casas, os adultos já diplomados passaram a escrever praticamente apenas listas de compras, raros cartões festivos e a assinatura dos seus nomes. A escrita cursiva está cada vez mais rara mesmo entre os falantes do dialeto de prestígio. 


A escola e a escrita

O caminho que a criança percorre na alfabetização é muito semelhante ao processo de transformação pelo qual a escrita passou desde a sua invenção. Assim como os povos antigos, as crianças usam inicialmente o desenho como forma de representação gráfica e são capazes de contar uma história longa como significação de alguns traços por ela desenhados. 

Diante das mais recentes conquistas tecnológicas e dos novos hábitos da vida moderna, talvez alfabetizar pela forma tradicional seja um modo ultrapassado. Mas, por enquanto, é o que acontece na maioria das escolas públicas: lápis e caderno. 

Só não existe computador na maioria das escolas públicas onde, por isso,  predomina a escrita cursiva. Atualmente a alfabetização é uma tarefa difícil para os professores, pois as crianças não entendem para que serve a escrita sobre papel,  já que elas não veem ninguém habitualmente escrevendo com lápis ou caneta sobre papel na sua casa. 

A LEITURA       

A leitura é a realização do objetivo da escrita.  Quem escreve, escreve para ser lido. Ler é exprimir um pensamento estruturado por outra pessoa, não pelo leitor falante. Outra coisa é a “leitura do mundo”, que é uma metáfora, muito importante quanto a filosofia de vida. Mas, estamos nos referindo à leitura linguística baseada na escrita. A leitura linguística é uma decifração, uma decodificação do sistema de escrita. O nosso sistema de escrita é o alfabético. 

Segundo o professor Cagliari (2010), é muito mais importante saber ler do que saber escrever. O melhor que a escola pode oferecer aos alunos deve estar voltado para a leitura. Se um aluno não se sair muito bem nas outras atividades, mas for um bom leitor, a escola já cumpriu em grande parte sua tarefa.

A maioria dos problemas que os alunos encontram ao longo dos anos de estudo, chegando até a pós-graduação, é decorrente dos problemas de leitura. Muitas vezes, o aluno não resolve problemas de matemática não porque não saiba matemática, mas porque não sabe ler o enunciado do problema: ele lê, mas não sabe interpretar o que lê, não sabe interpretar a “mensagem” que está escrita. O que de fato ele não entende é a leitura do português. 

Como afirma Cagliari, o professor que vai ensinar a ler e a escrever estuda de tudo na universidade, exceto o português que deverá ensinar. A universidade não forma adequadamente os pedagogos, que são os alfabetizadores. No ano de 1993, meu professor de Filosofia Hermas Arana dizia na Unicamp, em outras palavras, que o português é a língua ocidental mais difícil de aprender, seguido pelo francês, pelo grande número de exceções gramaticais e pela dificuldade da conjugação dos verbos. 

A escola e a família devem incentivar a leitura de boas obras. Penso que  a leitura de um  livro deve começar pela capa, contra-capa e “orelhas” onde há informações importantes, inclusive sobre o autor. Quem não lê bons livros, desde a infância, não pode tornar-se um escritor fluente, que se comunica com facilidade. 

Por outro lado, afirmo que os bons autores, da década de 1970 para trás, escreveram histórias belíssimas usando longos períodos gramaticais, repletos de vírgulas. Na argumentação, usavam também a repetição das ideias de outra forma “para dar ênfase”. Textos semelhantes hoje se tornam cansativos, além do mais já não temos tanto tempo disponível para a leitura. Atualmente, e por influência do jornalismo, os períodos gramaticais dos bons escritores são curtos, usando-se  o mínimo indispensável de vírgulas. Jornais como a Folha de São Paulo exigem a economia do espaço, que custa caro.   

Tenho lido bons autores da atualidade de ciência e de ficção que já se adequaram ao novo formato. Alguns se tornaram best sellers pelo mundo todo. Merecidamente. Quem lê logo um livro moderno pode logo emprestá-lo a um amigo numa ciranda  pela democratização da cultura. 

Por oportuno, considero que os livros devem ser bem impressos, ou seja, apresentar textos bem legíveis sobre um papel de boa qualidade, o que torna agradável a leitura, inclusive porque não força a visão. Tudo isso e mais  uma bela capa para atrair o público leitor, que é exigente, e por isso faz questão de pagar mais caro por um bom produto cultural. Antes de tudo, um livro tem de ser um objeto de desejo. Visão e tato, eis a  primeira vivência emocional da leitura. “Livro, presente de amigo.”,  slogan de uma livraria paulistana em meados do século XX. (FIM)    

Fonte: Alfabetização e linguística, Luiz Carlos Cagliari, Scipione, 2010

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:

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Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis - 5

Art Nouveau, Mücha, 1899

(Psicologia aplicada para leigos. Conhecimento de nível universitário.)

Os erros capitais de uma relação doente - III

A ditadura da crítica excessiva e do medo da perda Se você quiser viver com pessoas tranquilas, relaxantes, que preenchem todas as suas expectativas e que jamais lhe darão dores de cabeça, é melhor conviver com máquinas e não com seres humanos.

É impossível não termos algumas áreas de conflitos. Somos mundos completamente diferentes vivendo num mesmo espaço: na sala de casa, de aula e das empresas. Uma das coisas que mais nos diferenciam e ao mesmo tempo nos aproximam é a emoção. Ela nos diferencia porque a cada momento estamos num estado emocional e nos aproxima porque frequentemente nossa emoção experimenta os mais diversos níveis de ansiedade.

Há uma ansiedade aceitável, normal e até fundamental. Aquela que nos faz ter taquicardia diante de um olhar, sentir calafrios com um beijo, frio na espinha ao receber uma excelente notícia. Essa ansiedade normal também nos impulsiona a desejar, planejar e ter ambições saudáveis, superar barreiras, vencer limites, aceitar desafios. Sem essa ansiedade, os cientistas não seriam criativos, as mulheres não lutariam pelo que amam, os homens não seriam sonhadores. Enfim, não seríamos o Homo sapiens, uma espécie pensante e amante das aventuras. Portanto, não reclame da ansiedade, mas dos altos níveis dela.

Quando a ansiedade se avoluma, adoecemos nossas mentes, relações e atividades profissionais. A ansiedade doentia tem múltiplas manifestações. Em alguns casos ela se traduz pela timidez. Fala-se pouco, mas pensa-se muito. Outras vezes se traduz pela excessiva extroversão, fala-se  muito e pensa-se pouco. E ainda outras vezes traduz-se pelo excesso de atividades, preocupações, obsessões. 

A crítica excessiva e o medo da perda são duas manifestações da ansiedade, comuns e destrutivas.

A crítica excessiva leva à ditadura da cobrança, que asfixia a liberdade e a saúde psíquica. A ditadura da cobrança, decorrente do excesso de crítica é mais grave do que a ditadura do controle advindo do ciúme. No ciúme, controlam-se alguns comportamentos que impõem riscos à perda; na cobrança controla-se grande parte dos comportamentos. 

Se uma pessoa ciumenta também tornar-se excessivamente crítica será quase insuportável viver com ela. Momentos felizes se alternam com angustiantes, tempos relaxantes se alternam com tensos.

Uma pessoa excessivamente crítica perturba a todos no ambiente, dos filhos ao parceiro, dos colegas aos amigos. Todos têm que se enquadrar no seu esquema. Ela não sabe elogiar, ninguém é bom o suficiente, suas verdades são absolutas, pau é pedra, mesmo que todos digam que é madeira.

Quem critica ou cobra excessivamente está apto para trabalhar numa “financeira”, mas não para construir  uma relação saudável. Uma pessoa continuamente crítica é paradoxal; ao mesmo tempo  em que é especialista em apontar os erros dos outros é péssima em enxergar os próprios erros. É ríspida, não admite erros, coloca seus íntimos no presídio dos seus preconceitos. 

Quem tem a necessidade neurótica de fazer críticas possui uma mente autoritária. Eleva sua voz e fala mal dos outros com incrível facilidade. Há mulheres que fazem numerosas críticas diárias ao seu parceiro. Criticam seu jeito de comer, andar, vestir, falar. Querem produzir um boneco eletrônico e não conviver com um ser humano.

Ninguém muda ninguém

A mulher inteligente deve saber que ninguém muda ninguém. Não temos o poder de construir plataformas nos solos da memória do outro, seja no centro da memória (MUC), seja na periferia ( ME). E mesmo se tivéssemos esse poder, não teríamos o direito, pois se mudássemos as matrizes da memória, mudaríamos os alicerces da personalidade, manipularíamos os seres humanos.

Mas, podemos contribuir com quem amamos. Em capítulos posteriores estudaremos as leis fundamentais das relações saudáveis. No entanto qualquer contribuição passa por despertar o Eu para que ele mesmo seja o protagonista da própria história. Por favor, não use pressões, chantagens, críticas excessivas para com as pessoas difíceis. Essas técnicas piorarão quem você deseja mudar, as arremessarão para dentro das janelas killer. Lembre-se de que o volume de tensão dessas janelas é tão grande que bloqueia milhares de outras janelas, impedindo o Eu de pensar, fazendo-o quase que “imutável”.

Por que essas técnicas ineficientes sempre foram usadas ao longo da história? Por causa da lei do menor esforço.

Não é necessário nenhum esforço intelectual nem  emocional para metralhar os outros com críticas e apontar seus erros. Mas, compreender, envolver, estimular a pensar e conquistar uma pessoa difícil exige a lei do maior esforço ampliada. Que tipo de lei você prefere usar?

Se uma pessoa for eficiente em estimular o Eu de outra a sair da condição de vítima para ser protagonista da sua psique, abre-se um caminho excelente para construir bairros na sua memória. A generosidade, o altruísmo e a capacidade de surpreender são fundamentais para estimular o outro.

A pior atitude de uma mulher na relação com seu parceiro é se posicionar como uma “psicóloga” com um condão mágico ansiando mudá-lo. Homens difíceis não precisam de esposas “psicólogas”, mas de mulheres surpreendentes. Algumas mulheres chegam ao absurdo de querer mudá-los como cirurgião. “Cortam-nos” e os expõem com suas palavras, causam a terceira guerra mundial. Jamais esqueça que excelentes romances têm fins trágicos não por falta de amor, mas por causa das labaredas do confronto. Não seja terapeuta de quem ama, seja uma mulher romântica e inteligente. 

Há mulheres que têm a mania de limpeza. Elas veem sujeiras invisíveis aos olhos. Varrem os espaços, os sapatos do marido e às vezes, até o próprio marido da sala de casa. Manias de limpeza, de lavar as mãos, de fechar as portas, de olhar se tem um ladrão debaixo da cama causam transtornos, porém, a mania de repetir obsessivamente as mesmas críticas causa mais. 

Uma mulher repetitiva estressa muitíssimo seu homem e seus filhos. E o que é pior, perde seu valor, pois esconde sua beleza e inteligência atrás das mesmas palavras.

Mulheres inteligentes encantam quem está ao seu redor. São rápidas em apoiar e lentas para excluir, ágeis para elogiar e lentas para condenar. São artesãs que constroem sua imagem de maneira excelente no centro da memória de quem amam. Se forem eficientes nessa empreitada, poderão dizer palavras brandas que terão impacto. Se forem ineficientes, poderão gritar que não serão ouvidas.

Quem usa as palavras “sempre”, “toda vez”, “jamais”, “não”, “nunca” para corrigir ou apontar os erros de alguém está apto para ser um falso juiz e não um educador. Por mais erros que uma pessoa cometa, em alguns momentos ela acerta, expressa afetividade, generosidade, coerência, lucidez. Estes momentos devem ser celebrados para plantarmos janelas light que estimulem o desenvolvimento da sua afetividade e  racionalidade. 

Por não conhecer a Teoria das Janelas da Memória falhamos drasticamente em nossas correções. Primeiro, queremos conquistar o território da razão para depois o da emoção, ou seja, primeiro criticamos para depois sermos afetivos. Tal técnica é débil e ineficiente. Deveria ser o contrário. Primeiro, precisamos conquistar o território da emoção, valorizar quem vamos corrigir, exaltá-lo, para desse modo tirá-lo das fronteiras de uma janela killer. Depois, o corrigimos com generosidade e sem radicalismos ou advérbios apelativos. 

Se usarmos críticas radicais, devemos imediatamente pedir desculpas: ”Desculpe-me, exagerei nas palavras. Você não erra sempre.” “Perdoe-me por dizer que você não tem jeito. Você errou agora, mas tem a capacidade para se superar no futuro.” Assim, nossos erros ganharão elegância, tornar-se-ão educativos.

Pais podem pedir desculpas aos seus filhos? Professores podem reconhecer seus erros para seus alunos? Mulheres podem achar que exageraram com seus parceiros? Podem e devem. Os erros dos outros jamais deveriam justificar os nossos. Além disso, pedir desculpa quando exageramos pode produzir um choque pedagógico positivo que leva quem amamos a entender que a maturidade psíquica não está em não falhar, mas em usar os erros para crescer.

É possível viver com pessoas difíceis e ser feliz, desde que não tenhamos a obsessão de querer mudá-las. Não  tenha a necessidade neurótica de mudar as pessoas. Não exija o que os outros não podem dar ou não querem dar.

Uma mulher inteligente também sabe que não há amor sem acidentes nem relações sem tempestades. São capazes de escrever os melhores capítulos dos seus romances nos momentos mais difíceis da sua existência.

Medo da perda

Um dos erros capitais de uma relação doente é o medo excessivo da perda. Uma mulher inteligente se entrega sem medo, mas não destrói sua identidade em função do outro. Doa-se muito, mas não respira o ar dele. É afetiva e generosa, mas jamais deixa de ter órbita própria.

Quem tem medo da perda já perdeu. Perdeu sua autoconfiança, autoestima, a dimensão da sua imagem. Perdeu também a habilidade do seu Eu em ser gestor da sua mente.

Se você fez tudo por um homem, cuidou, amou, protegeu, investiu em seus projetos, e por fim ele partiu, não deve se autodestruir, diminuir-se e achar-se uma tola.

Deve sim gritar em sua mente que quem perdeu foi ele e não você. Deve estar consciente de que ele perdeu uma pessoa fascinante, única, exclusiva, enfim perdeu você. Se você não tiver essa postura, certamente se deprimirá.

A ditadura do medo da perda esmaga a autoestima de uma mulher ou de um homem. Quem tem medo da perda apequena seu mundo social. Os amigos diminuem, os projetos se contraem, as relações sociais ficam escassas, a alegria evapora-se. Não aceitar a perda é a pior maneira para perder. A dor da perda leva alguns ao suicídio ou ao homicídio, se não físico pelo menos emocional. É incrível que, apesar de vivermos em sociedades livres, há muitos escravos no território da emoção. Têm baixo nível de resiliência, não sabem sofrer a perda.

 Uma mulher inteligente nunca pressiona seu parceiro para ficar. Tem dignidade na separação. Pode sofrer, mas não faz chantagens. O seu parceiro pode abandoná-la, mas ela jamais se abandona. Não implora para ele ficar. Ela é capaz de dizer para si constantemente: “Os melhores dias estão por vir!”. Quando elas têm uma postura madura e digna, não poucas vezes seus homens quebram a cara e voltam. Descobriram que perderam uma pérola. São eles, agora, que choram para voltar. 

Casais se separam, pais jamais, mas na prática alguns pais acabam se separando dos filhos. Eis um erro gravíssimo. Casais inteligentes quando se separam não se divorciam do respeito de um com o outro, muito menos do cuidado e do afeto com seus filhos.

Casais inteligentes encorajam os sonhos do seu ex-parceiro e criam condições para o maior de todos os sonhos educacionais: que cada um tenha sucesso em educar os filhos na parte que lhe cabe. Esses casais honram a história que viveram juntos.  

E se é possível recomeçar, jamais deveriam cometer os erros capitais das relações doentes que tiveram. Não deveriam exercer a ditadura do ciúme, do controle, da crítica excessiva, da necessidade neurótica de mudar o outro.

Não basta estarem juntos, nem dar beijos hollywoodianos e pensar “Felizes para sempre.” Débil ilusão. Os monstros alojados na cidade da memória poderão voltar a respirar e assombrar o casal. Deveriam beber da fonte que nutre as relações saudáveis, como o poder do elogio, a arte de surpreender, de dialogar, de autodialogar, de proteger a emoção.

Ninguém é digno de um belo romance se não usar suas lágrimas para irrigá-lo. Ninguém é digno de escrever uma bela história de amor, se não aprender a reconhecer os próprios erros e não usá-los para escrevê-la.

Que você possa escrever uma bela história de amor. E se escrever, não tenha medo de falhar. E, se falhar, não tenha medo de chorar. E, se chorar, não tenha medo de suas lágrimas. Repense sua vida, mas não desista. Não cobre demais de si nem do outro. Dê sempre uma nova chance para si mesma...

Para homens inteligentes

Homens inteligentes usam a lei do esforço maior para resolver seus problemas. Têm consciência de que os fortes usam a agressividade; os frágeis, as ideias; os sábios abraçam, os estultos julgam; os fortes acolhem, os inseguros excluem.

Homens inteligentes pensam antes de reagir, superam sua impulsividade, não reagem pelo fenômeno bateu-levou. Não ferem a mulher que escolheram para dividir sua história, ao contrário, a protege. Não são radicais, mas flexíveis, não levantam a voz para quem ama, mas os braços para acolher. (continua)

Fonte:
Mulheres inteligentes, relações saudáveis, Augusto Cury, 2011 (Psicologia aplicada para leigos. Extrato de um capítulo nas palavras do autor.)

Nota: Alphonse Mücha ( pronuncia-se “Alfonse Mirrá”) (1860-1939), artista tcheco da Art Nouveau  (pronuncia-se “ar nuvô”, “Arte Nova”, francesa, decorativa,  inspirada em figuras naturais, plantas, flores e curvas)

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: http://cdn3.iofferphoto.com/img/item/891/364/21/Painting.jpg

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Baco - Caravaggio

Baco

Baco (c.1595) é uma pintura do mestre do barroco italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610). É um óleo sobre tela que mede 95cm x 85cm. Está exposto na galeria de Uffizi, em Florença.

A pintura mostra um Baco jovem reclinado à moda clássica com uvas e folhas de videira em seus cabelos, tocando o cordão de seu roupão frouxamente drapeado. Em uma mesa de pedra à sua frente está uma cesta de frutas e um jarro grande de vinho tinto; com sua mão esquerda, ele oferece ao espectador uma taça rasa do vinho, aparentemente convidando o espectador a se juntar a ele.

 A face rosada de Baco é um retrato fiel de um adolescente vestido com um lençol, deitado em um colchão no palácio do cardeal em Roma, mas muito menos convincente como deus grego-romano. As frutas e o jarro têm atraído mais a atenção dos estudiosos que o próprio Baco. As frutas, por causa da condição não comestível da maioria dos itens, são consideradas pelos de espírito crítico que significam a transitoriedade das coisas mundanas. O jarro porque, depois que a pintura foi limpa, foi descoberto um retrato minúsculo do artista trabalhando em seu cavalete no reflexo do vidro. O reflexo do rosto de Baco também pode ser visto na superfície do vinho na taça que ele segura.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Baco_%28Caravaggio%29

Imagem: http://aria-art.ru/0/M/Mahov%20A.%20Karavadzho/33.jpg