quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Meditação 40 - O Perdão

"O Lago dos Cisnes”, Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

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Jesus disse:

“Não julgueis, para que não sejais julgados.


Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.

E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?

Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro (cisco) do teu olho, estando uma trave (pedaço grande) no teu? (Mateus, 7:1-4)

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A Terra é um planeta em evolução. Por isso, somos todos imperfeitos. Todos temos qualidades, mas também defeitos. Quando alguém nos ofende ou prejudica, precisamos perdoar. Perdoar é procurar esquecer a ofensa recebida, lembrando-se apenas das coisas boas recebidas do nosso opositor.

E então, devemos dar-lhe uma nova oportunidade, um voto de confiança. Assim, devemos tratar nosso opositor como gostaríamos que ele nos tratasse: com humanidade. Que nós possamos perdoar sempre. A virtude do perdão se adquire com a prática, com o hábito de perdoar. A pessoa que perdoa sempre é bela, chique e inteligente.

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Nota sobre a imagem: Ballet “O Lago dos Cisnes”, de Tchaikowsky, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a direção do Maestro Isaac Karabtschevsky. Junho de 2013. O ballet clássico é a arte que proporciona aos espectadores a beleza da imagem em equilíbrio, aliada ao encantamento da música.    

Fontes:
http://guia.uol.com.br/rio-de-janeiro/teatro/noticias/2013/05/23/theatro-municipal-do-rio-de-janeiro-apresenta-o-ballet-o-lago-dos-cisnes.htm

Aviso
A Federação Espírita Brasileira confirmou em seu site a continuação do filme “Nosso Lar”, que está sendo divulgado como “Nosso Lar 2 – Os mensageiros “, sob a direção de Wagner de Assis, que também dirigiu o primeiro filme, em 2010. Em breve teremos o novo filme espírita em todos os cinemas brasileiros.  
"O novo filme será uma adaptação do livro ‘Os Mensageiros’, segundo livro do Espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier. O livro fala sobre a evolução dos espíritos, o medo da morte, a importância do Culto do Evangelho no Lar, os benefícios da prática do bem. E relata experiências de Espíritos que reencarnaram com instruções específicas para atingir o aprimoramento pessoal, mas que nem sempre foram bem-sucedidos em suas tarefas."

http://180graus.com/espirita/feb-confirma-para-breve-o-filme-nosso-lar-2-os-mensageiros
Profª Maria Lucia

Imagem: http://img.uol.com.br/guia/2013/05/23/foto-de-divulgacao-do-ballet-o-lago-dos-cisnes-do-theatro-municipal-do-rio-de-janeiro-1369328325127_615x300.jpg

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Espiritismo e Metafísica - 8


Estudo de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, em continuação. Para adultos e adolescentes, a partir da oitava série. “O Livro dos Espíritos é um estudo de Metafísica e de Moral.  Metafísica (“além das coisas físicas”) é o ramo da Filosofia que estuda a essência dos seres e dos mundos. As perguntas são de Allan Kardec e as respostas são dos Espíritos Superiores, autores de “O Livro dos Espíritos”. Português atualizado por mim.

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Parte Segunda (Metafísica)

CAPÍTULO III 

A volta do Espírito à vida espiritual, extinta a vida corpórea. • A alma após a morte • Separação da alma e do corpo • Perturbação espiritual.

A ALMA APÓS A MORTE 

149. Que sucede à alma no instante da morte?

Volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentaneamente. 

150. A alma, após a morte, conserva a sua individualidade?

 Sim, jamais a perde. 

a) — Como comprova a alma a sua individualidade, uma vez que não tem mais corpo material? 

Continua a ter um fluido que lhe é próprio, absorvido da atmosfera do seu planeta, e que guarda a aparência de sua última encarnação: seu períspirito.

b) — A alma nada leva consigo deste mundo? 

Nada, a não ser a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor, lembrança cheia de doçura ou de amargor, conforme o uso que ela fez da vida. Quanto mais pura for, melhor compreenderá a futilidade do que deixa na Terra.

A lição de anatomia do Dr. Tulp, Rembrandt

Nota: Os anatomistas e fisiologistas só acreditam no que veem. São materialistas. Morto o corpo nada mais lhes interessa. (O Livro dos Espíritos, pergunta 147) 

http://medicineisart.blogspot.com.br/2010/06/sete-curiosidades-na-licao-de-anatomia.html

151. Que pensar da opinião dos que dizem que após a morte a alma retorna ao todo universal? 

O conjunto dos Espíritos forma um todo, um mundo completo. Quando você está numa assembleia é parte integrante dela; mas, conserva a sua individualidade. 

152. Que prova podemos ter da individualidade da alma depois da morte? 

Vocês têm essa prova nas comunicações mediúnicas que recebem. 

Se, após a morte, só houvesse o que se chama o grande Todo, que absorvesse todas as individualidades, esse Todo seria uniforme e, portanto, as comunicações do mundo invisível seriam idênticas. Ninguém pode duvidar também das individualidades espirituais que se fazem visíveis nas aparições. 

153. Em que sentido se deve entender a vida eterna? 

A vida do Espírito é que é eterna; a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma retoma a vida eterna. 

a) — Não seria mais exato chamar vida eterna à dos Espíritos puros, dos que, tendo atingido a perfeição, não estão mais sujeitos a sofrer prova alguma?

 Essa é a felicidade eterna. Mas, isto é apenas uma questão de palavras.  

SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO 

154. É dolorosa a separação da alma e do corpo? 

Não; o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte; a alma nenhuma parte toma nisso. Os sofrimentos que algumas vezes se experimentam no instante da morte são um gozo para o Espírito, que vê chegar o fim do seu exílio na Terra. 

Na morte natural, a que ocorre pelo esgotamento dos órgãos, em consequência da idade avançada, o homem deixa a vida sem o perceber: é uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. 

155. Como ocorre a separação da alma e do corpo? 

Rompidos os laços que a retinham ao corpo, a alma se desprende. 

a) — A separação se dá instantaneamente por brusca transição? Haverá alguma linha de marcação nitidamente traçada entre a vida e a morte?

Não; a alma se desprende gradualmente, não escapa como um pássaro preso a que se devolva subitamente a liberdade. O Espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam. Estes laços se desatam, não se quebram. 

Durante a vida, o Espírito se acha preso ao corpo pelo seu envoltório semimaterial ou perispírito. A morte é a destruição do corpo somente, não a desse outro envoltório, que do corpo se separa quando cessa neste a vida orgânica. Na hora da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente, mas gradualmente e com uma lentidão variável conforme os indivíduos. Mas, o Espírito pode experimentar o horror da decomposição; é o caso de alguns suicidas. 

A morte
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9U8dMNRWBvWfPw4_TFRCKi6j4FIHAH4JXwQpvrZTMnv6OaSG9YHzgXYc94-kRWfJbC2aVR2AyFyptUdNeUUxqbuoKGCcEHBBey7PLL0bR6ic65qOK2uiBshKWSK8k7obY60YTy3xJNfYw/s1600/reencana%C3%A7%C3%A3o+vida+ap%C3%B3s+a+morte+esp%C3%ADrito+corpo+ci%C3%AAncia.jpg

156. A separação definitiva da alma e do corpo pode ocorrer antes da cessação completa da vida orgânica? 

Na agonia, a alma, algumas vezes, já deixou o corpo; nada mais há senão a vida orgânica. O homem já não tem consciência de si mesmo; entretanto, ainda lhe resta um sopro de vida orgânica. O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Enquanto o coração está funcionando o corpo vive e para isso não precisa da alma.  

157. No momento da morte, a alma sente desejo ou encantamento que lhe faça perceber o mundo onde vai entrar novamente? 

Muitas vezes a alma sente que se desfazem os laços que a prendem ao corpo. Então se esforça para desfazer os laços inteiramente. Já em  parte desprendida da matéria, vê o futuro na sua frente e goza do estado de Espírito por antecipação.

158. O exemplo da lagarta que, primeiro, anda de rastos pela terra, depois se encerra na sua crisálida em estado de morte aparente, para enfim renascer com uma existência brilhante, pode dar-nos ideia da vida terrestre, do túmulo e, finalmente, da nossa nova existência? 

Uma ideia pálida.  

159. Que sensação experimenta a alma no momento em que reconhece estar no mundo dos Espíritos? 

Depende. Se praticou o mal, no primeiro momento a alma se sentirá envergonhada de havê-lo praticado. Os bons porem se sente como que aliviados de grande peso, pois que não temem nenhum olhar que os julgue.

Espírito suicidas inconscientes no Umbral após a morte (filme espírita “Nosso Lar”)

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-202441/fotos/detalhe/?cmediafile=20009297 

160. O Espírito se encontra imediatamente com os que conheceu na Terra e que morreram antes dele? 

Sim, conforme a afeição que lhes votava. Muitas vezes os seus amigos o vêm receber à entrada do mundo dos Espíritos e o ajudam a desligar-se das faixas da matéria. Encontra-se também com muitos dos que conheceu e perdeu de vista durante a sua vida terrena. Vê os que estão na erraticidade (no mundo espiritual) como vê os encarnados e vai visitá-los.


Diná (Cristiane Torloni), uma boa pessoa, após a morte numa colônia espiritual

Nota: Imagem da novela espírita “A viagem”, de Ivani Ribeiro, com Cristiane Torloni e Antonio Fagundes, da Rede Globo, 1994. 

http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/novelas/a-viagem.htm

161. Em caso de morte violenta e acidental, quando os órgãos ainda não se enfraqueceram em consequência da idade ou das doenças, a separação da alma e a cessação da vida ocorrem simultaneamente? 

Geralmente sim; mas, em todos os casos é muito rápido o instante que ocorre entre a separação da alma e a morte do corpo.  

162. Após a decapitação, por exemplo, conserva o homem por alguns instantes a consciência de si mesmo?

Geralmente a conserva durante alguns minutos até a extinção completa da vida orgânica. Mas, geralmente a preocupação com a morte faz o indivíduo perder a consciência antes mesmo do momento do suplício. 

PERTURBAÇÃO ESPIRITUAL 

163. A alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo? 

A alma passa algum tempo em estado de perturbação.


Hospital espiritual curando ferida no desencarnado André Luiz (filme “Nosso Lar”)

Mapa da colônia espiritual Nosso Lar para onde vão os mortos bons 

Nota: Imagens do filme espírita “Nosso Lar”. Nosso Lar é a colônia espiritual descrita pelo Espírito André Luiz, autor do livro “Nosso Lar”, psicografia de F.C. Xavier.

Imagens: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-202441/fotos/detalhe/?cmediafile=20009283

164. A perturbação que se segue à separação da alma e do corpo é do mesmo grau e da mesma duração para todos os Espíritos?

Não; depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado, se reconhece quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo. Mas, o homem cuja consciência ainda não está pura guarda por muito mais tempo a impressão da matéria após a morte.  

165. O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração mais ou menos longa da perturbação? 

Influência muito grande, pois o Espírito já compreendia antecipadamente a sua situação. Mas, a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem.

Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. A alma precisa de algum tempo para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissolve a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos. Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos.

Os que viviam na Terra e sabiam do estado futuro que os aguardava, são os que têm a perturbação menos longa porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram no mundo espiritual após a morte.

Nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito fica espantado e não acredita estar morto, afirma que não está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele. 

Aproxima-se das pessoas a quem ama, no mundo material, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem. Semelhante ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito. Só então o Espírito se reconhece como tal e compreende que não pertence mais ao número dos vivos.

Observa-se então o singular espetáculo de um Espírito assistir ao seu próprio sepultamento como se fosse o de um estranho até ao momento em que ele compreende a verdade. Nos casos de morte coletiva, nem sempre todos tornam a ver-se logo. Cada um vai para seu lado ou só se preocupam com os que lhe interessam. (continua)

Fonte: O Livro dos Espíritos (questões 149 a 165); Kardec, Allan, FEB, 2009

Profa. Maria Lucia

As Raízes da Nossa Família

Árvore Vermelha - Tapeçaria 

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No Brasil colônia, as meninas e as mocinhas da aristocracia tinham preceptores. Foi o caso da minha avó Ana Luiza d’Oliveira em meados do século XIX. E assim passo a contar para os meus leitores um pouco da história da minha avó paterna, que é a história das raízes da nossa família Rocha Leão, que me educou.

Natural de Mococa, noroeste do interior paulista, minha avó paterna Ana Luiza era órfã de mãe e pai. Foi seu tio materno, solteiro, o Dr. Arcrísio, que a criou como filha dentro dos padrões da aristocracia portuguesa. Eles moravam no casarão de uma grande fazenda. O Dr. Arcrísio era um médico que havia estudado na Europa, mas não exercia a profissão. Ele era um “barão do café”; sua riqueza provinha das muitas fazendas de café que herdara da família. Homem justo e de bom coração, ele deu carta de alforria a todos os seus escravos, antes mesmo da Lei Aurea, transformando alguns deles em empregados assalariados e ajudando os demais a se postarem na vida.      

Minha avó teve um preceptor português na infância e na adolescência. Ele ensinou-lhe português, francês, conhecimentos gerais, valores humanos, virtudes, piano (ela possuía um piano francês de quarto de cauda), canto lírico, declamação, etiqueta social, bordado gobelin (pronuncia-se “gobelêm”, delicado bordado francês, em seda, com bastidor para esticar o pano), elegância no vestuário, prendas francesas de uma sinhazinha e futura dona de casa (sinhá), etc.

Com seu preceptor, minha avó também estudou a Bíblia, adquiriu o hábito de ler diariamente o Novo Testamento: o Evangelho e as epístolas de Paulo. Ele também incentivou minha avó a ler muitos romances em português e em francês, livros que vinham de Lisboa e de Paris, de vapor (navio). 

Tudo o que a minha avó e o seu tio necessitavam para viver com conforto e luxo vinha de Paris: o champanhe, os romances franceses, as partituras e livros de piano (para ela)  e violino (para ele), os gobelins (tecido riscado para bordado), os tecidos para os vestidos (e para os ternos do tio), os figurinos (revistas com os modelos da última moda), os agasalhos, os chapéus, os calçados de couro e complementos para o vestuário como luvas, meias, joias, perfumes, cremes, maquiagem, artigos de higiene, etc. De Lisboa vinham os livros portugueses, bem como o vinho tinto e o vinho do porto, azeitona, ameixa, castanhas, nozes, etc. Brasileiros eram as modistas e os alfaiates. 

Os saraus eram uma forma de lazer no próprio casarão. Eram seletas recepções noturnas para poucos amigos, realizadas de tempos em tempos. O traje era a rigor. A reunião começava às 18 horas e ia até as 22. Minha avó ao piano, o tio ao violino. Ela no canto lírico, os dois na declamação de poesias. Os convidados também participavam ao piano, violino e na declamação. Às vezes alguém trazia um violoncelo ou mais um violino para tocarem em duo, em trio. Poesia e música de câmara, mas também música alegre como as valsas de Strauss Jr. Tudo ao vivo. O sarau oferecia canapés e docinhos finos, champanhe francês. 

O casamento

Aos 19 anos, num sarau do casarão, minha avó conheceu Alberto da Rocha Leão, jovem conde português de 28 anos, nascido em Lisboa (a capital portuguesa), que estudara direito na Universidade de Coimbra. Como aluno dessa universidade, Alberto tinha sido um “capa preta”, nome da vestimenta de lã preta com abertura para enfiar as mãos, usada sobre o terno preto, e obrigatória no clima europeu.    

Ana Luiza conheceu Alberto porque ele estava no Brasil, em férias com uns amigos, e fora convidado para um sarau no casarão do Dr. Arcrísio. Ana Luiza era dona de uma beleza rara. Descendente de tradicional família portuguesa aparentada com austríacos, ela era alta, esguia, pele muito alva, grandes olhos verdes, cabelos lisos, castanhos escuros, longos e presos, rosto de traços delicados. Muito elegante, tinha uma bela voz (cantava modinhas de Carlos Gomes), tocava bem piano, declamava com desenvoltura; sua prosa culta revelava suas muitas leituras da moda; falava fluentemente o francês. 

Alberto era um belo homem, alto, porte forte e elegante, pele alva com bochechas rosadas, cabelos castanhos, lisos, curtos, olhos castanhos, barbeado, usava um bigode fino revirado nas pontas. Ele declamava muito bem as poesias portuguesas da moda, tinha muita leitura e assunto para uma boa prosa, falava fluentemente o francês, escrevia em jornais. 

O convívio de Ana Luiza com o jovem Conde Alberto, em outros saraus, prosseguiram no casarão. Encantados um com o outro, Alberto logo pediu a mão de Ana Luiza em casamento, ao Dr. Arcrísio. Então, noivaram à moda antiga, um em cada ponta do grande sofá da sala de visitas com a ama dela por perto. O contato físico entre os dois resumia-se ao beija-mão, uma reverência na chegada e na saída dele do casarão em horário bem cedo na noite. Em dois meses de conhecimento, marcaram o casamento na igreja católica, como era o costume, e onde se fazia o registro civil, pois não havia cartório. Ana Luiza tinha um rico enxoval pessoal e para a casa, tudo vindo de Paris.    

Chegou o dia do casamento. Então, aconteceu um incidente. Ana Luiza tinha uma pequena cachorra da raça fox, branca e preta, chamada Jolie (“bonita”, em francês). Jolie adorava a dona, estavam sempre juntas. Enquanto Ana Luiza se preparava com o vestido de noiva, a cachorra ficou trancada, pois chovia muito, o quintal era pura lama. De repente, a cachorra conseguiu escapar, saiu correndo e pulou com as patas cheias de lama em cima da dona, já vestida de noiva. Foi uma correria da criadagem para limpar e passar o longo vestido branco. A cerimônia da igreja acabou se atrasando.           
Logo depois do casamento, Alberto recebeu carta urgente do pai, intimando-o a levar a esposa para Lisboa onde deveriam morar no condado da família. Mas, minha avó recusou-se a ir. Deu como desculpa o medo de cruzar o Atlântico de “vapor”. Meu avô respeitou a decisão dela. Na verdade, ela não queria morar num castelo enorme onde deveria submeter-se às regras da família dele, obedecendo à sogra, como era o costume. Minha avó era decidida, tinha opinião própria, preferiu sua independência, rompeu inclusive com a tradição que também existia no Brasil: casar e morar com a grande família no casarão.

O casal permaneceu no casarão de Mococa, SP, com o tio, apenas o tempo de montar uma boa casa em separado. Minha avó não foi para Portugal, não fez questão nenhuma de virar condessa nem de transmitir o título aos filhos, não precisava disso. E também não precisava de riqueza, nem de status, pois pertencia à rica aristocracia brasileira.  

Mas, porque meu avô não levou a esposa imediatamente para conhecer a família portuguesa, desobedecendo às ordens do pai, meu avô perdeu o título de nobreza e foi deserdado pela família. A única coisa que ele pediu à família foi os dois grandes volumes do dicionário de português com capa de couro marrom, que vieram de navio. Meu avô ficou sem dinheiro. Mas, o Dr. Arcrísio, pai de criação de minha avó, deu-lhe um generoso dote pelo casamento. 

Assim, meu avô em pouco tempo tornou-se um comerciante bem sucedido com uma grande casa de “secos e molhados finos”, que estabeleceu em Moji Mirim, SP, onde o casal fixou residência. Meu avô tinha uma boa prosa com sua fina clientela, o que fazia parte do seu talento especial para o comércio. Além dessa casa comercial, logo meu avô tinha outro estabelecimento próspero ligado ao beneficiamento de café na cidade de Santos, SP. E foi expandindo seus negócios, ficou muito bem de vida. 

Quando minha avó casou, levou consigo sua mucama Inocência que era bem mais nova que ela, alforriada e ganhava um ordenado. Era mais uma dama de companhia, sabia ler, fazia parte da família.  

Certa vez, meu avô recepcionou o jurisconsulto da república (o procurador da república da época) Ruy Barbosa, homem culto, quando este passou por Mogi Mirim, tendo sustentado com ele uma longa prosa, na estação de trem, enquanto o mesmo esperava o horário para São Paulo e comia jabuticabas frescas que meu avô havia levado para ele.  Meu avô escrevia sempre para o jornal de Mogi Mirim, “A Comarca”. Ele era um excelente redator. 

Em casa, o casal fazia refeições numa mesa retangular enorme, um em cada ponta, ocasiões em que só falavam francês. Os filhos pequenos e adolescentes comiam em outra sala, em outro horário, sob o olhar atento da ama. Treze filhos. Minha avó e meu avô eram um casal unido; eles foram muito felizes. 

Quando ele faleceu, aos 52 anos, ela estava com 42. Eu não conheci meu avô Alberto, só de foto, nos seus 28 anos, quando casou com minha avó. Quando meu avô faleceu, em 1912, meu pai Olavo, o penúltimo filho, estava com dois anos. 

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Nasci em Mogi Mirim, SP, em 1940, no meio da Segunda Grande Guerra Mundial com racionamento de alimentos e outras dificuldades. Nós morávamos no centro da cidade. A partir de 1944, nos meus 4 anos, passei a morar com minha avó paterna, Ana Luiza, em São Paulo. Convivi com ela até os meus 12 anos de idade, quando ela faleceu, em 1952. Com ela aprendi muitos valores humanos importantes e tive a base da minha educação europeia.

Sou grata à minha avó Ana Luiza e ao meu avô Alberto, raízes da nossa família Rocha Leão, bisavós maternos dos meus quatro filhos: Marcus Vinicius (filho do meu primeiro casamento com o Dr. José Dalton); Izabel Cristina, Raquel Helena e Ismael Augusto (filhos do meu segundo casamento com o Engenheiro Wilson). Aos meus dois ex-maridos, já falecidos, a minha gratidão pela bondade com que sempre me trataram e aos nossos filhos. Este ramo da família Rocha Leão termina na minha geração. Dele restou-nos o DNA e a gratidão.

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Minha saudosa mãe Antonia é o lado Tomás (português) da nossa família, embora esse sobrenome não faça parte do meu nome. Ela era cabocla, filha de minha avó Maria, índia, com meu avô português. Minha mãe tinha a pele ligeiramente morena, do lado índio, e os olhos castanhos miúdos ligeiramente puxados. Era muito bonita. Meu pai Olavo dizia que ela deveria ter sido chinesa em reencarnação próxima, pois fazia vestidos para ela mesma seguindo modelos chineses, que ela nunca havia visto na vida. Só usava cor única para os vestidos, sempre o mesmo modelo reto semi-longo com aquela golinha pequena rente ao pescoço (tipo gola de padre), comprimento da saia pelo meio da perna com uma abertura de um lado. Só usava sapatos baixos, fechados. Mas, como não havia modelos femininos desse jeito, então usava sapatos  masculinos de cromo alemão, com cordões, tinha personalidade, e andava empinada nos seus 1,50 m de altura. Usava os longos cabelos pretos presos num birote. Parecia uma chinesa. 

Era muito enérgica e disciplinada, mas tinha modos delicados e elegantes, uma voz aguda para o canto e a fala, sabia etiqueta social, cuidados com o corpo (fazia ginástica todos os dias), com a pele e os cabelos, etc, tudo o que aprendeu quando foi dama de companhia de uma família rica de origem portuguesa, quando solteira, e com quem aprendeu também conhecimentos gerais, português (redação), leitura de romances; escrevia poesia e pequenas peças de teatro. Só havia feito o segundo ano primário. Quando jovem, escrevia poesia para o jornal de Mogi Mirim, “A Comarca”. Devo muito à minha querida mãe, a começar da minha própria vida e por valores muito importantes que com ela aprendi. Fisicamente, tenho o corpo e a cor da pele da minha mãe, mas meus traços de rosto são de origem portuguesa. À minha querida mãe serei eternamente grata. Faleceu aos 74 anos, em 1992. Que Deus a abençoe. 

Não conheci meu avô materno, Pedro Tomás, imigrante português, que morreu cedo. Minha avó materna, Maria, era uma índia de olhar sofrido, que morava na roça nos arredores de Moji Mirim, doce mulher que vi duas vezes na minha infância. Ela casou-se em segundas núpcias com um espanhol de boa situação financeira. Hoje, meus primos de primeiro e segundo graus estão todos bem de vida, cursaram universidades, moram em São Paulo. Das minhas tias “índias” (pois que fisicamente eram verdadeiras índias), só restou a Izete, de Mogi Mirim, da minha idade, mãe do meu primo Antonio Carlos, advogado cinquentão bem sucedido, em São Paulo, meu afilhado de batismo, avô. 

Sempre me dei bem com a família da minha mãe nos poucos contatos que tive com ela. Espíritos inteligentes, bondosos, alegres, batalhadores, pacíficos.

Mas, não convivi nem convivo com ninguém. Sou muito grata aos meus avós maternos, o outro lado das minhas raízes. Minha única e querida irmã, Anabela, que mora em São Paulo, é quem me dá notícias do lado materno da nossa família. Minha irmã parece uma portuguesa de bochechas rosadas e cabelos pretos. Nós não temos nenhum traço semelhante, fisicamente nem parecemos irmãs. Ela é maestrina, pianista, organista, compositora, musicista profissional e administradora de empresa hospitalar (do HC da USP), em São Paulo, aposentada. Tem seis corais pequenos dos quais é regente: um da sua igreja metodista, dois de instituições públicas e os outros três para apresentações filantrópicas em hospitais, asilos e outros eventos a que comparece voluntariamente. Seu mais recente grupo coral é formado por cegos. É solteira, sem filhos, mas tem um milhão de amigos. Minha querida irmã, amiga, guerreira, grande coração. Que Deus a abençoe.    

Devo muito também ao meu pai Olavo que me encaminhou na cultura geral, gosto pela língua portuguesa, patriotismo, artes (pintura e desenho), música clássica, piano e Espiritismo, entre outros valores espirituais. Meu pai só fez o ginásio, aprimorou-se com um irmão mais velho e tornou-se um auto-didata; lia muito das bibliotecas públicas, lia também em inglês. Naquele tempo não havia ensino médio. Fazia palestras sobre o Espiritismo nos centros espíritas paulistanos. Trabalhou a vida inteira nos Correios e Telégrafos como modesto oficial administrativo. Nós tínhamos um bom padrão de vida porque morávamos com minha avó Ana Luiza no bairro de Pinheiros, de ricos.

Filho de português, meu pai era um autêntico português de nariz fino e bochechas rosadas, barbeado. Passou a vida lendo o jornal O Estado de São Paulo e tinha o prazer de comprá-lo diariamente na banca. Antigamente não havia assinatura e, mais tarde, ele não quis fazer assinatura, afinal a graça era ele comparecer à banca, todas as manhãs, para dar dois dedos de prosa com o jornaleiro, saber as novidades do bairro. Meu pai era muito simpático e comunicativo.  Ele só andava de terno e gravata. Usou chapéu até 1950 quando caiu de moda. Devo muito da minha formação cultural ao meu querido pai, a quem serei eternamente grata. Faleceu em 2004. Que Deus o abençoe.   

Para os meus quatro filhos passei as bases da minha educação europeia, que recebi da família do meu pai Olavo, a começar de minha avó Ana Luiza. Por isso, as raízes culturais da nossa família são de origem greco-romana, hoje valores brasileiros de que muito me orgulho. 

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Profª Maria Lucia

Imagem: Árvore Vermelha - http://img.elo7.com.br/product/zoom/C3086C/ponto-cruz-em-pdf-arvore-vermelha-grafico-de-ponto-cruz.jpg

Crianças de "Atitudes"

Jesus aos 12 anos no templo

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A Federação Espírita Brasileira (FEB) é a casa mater (mãe) do Espiritismo no Brasil. Ela é que divulga tudo o que tem de ser alterado no Espiritismo ou Doutrina Espírita, pois o Espiritismo no Brasil faz parte de uma confederação e ainda existem as organizações estaduais. Mas, desde que o Espiritismo foi divulgado à luz do mundo, em 1857, nada mudou quanto à doutrina.   

Assim, a FEB continua publicando em seu site estudos sobre O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Isso significa que não há outro livro espírita que suplante os esclarecimentos de filosofia (metafísica e moral) que ele contém. Nessa obra estão as revelações, as verdades sobre os seres e os mundos (metafísica), bem como as leis morais que o plano espiritual superior disponibiliza para nós. Se houvesse, atualmente, alguma nova obra que derrubasse, em parte ou no todo, os ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos, a Federação teria divulgado pelo seu site, que consulto sempre. 

O Livro dos Espíritos, publicado em Paris, em 1857, em nenhuma parte diz que nasceriam na Terra, um dia, espíritos “tão elevados” que desde a infância, nos seus 6 ou 7 anos, assumiriam “atitudes” independentes. 

Os estágios do desenvolvimento da inteligência humana ainda são os mesmos que o biólogo suíço Jean Piaget descobriu, no século XX, por uma pesquisa que fez com seus próprios filhos, desde o nascimento destes: estágio sensório-motor (0 aos 2 anos); estágio da inteligência pré-operatória (2 aos 7 anos); estágio das operações concretas (7 aos 11 anos); estágio das operações abstratas (dos 11 em diante, adolescência). Esse biólogo é estudado pela Psicologia e Pedagogia, virou psicólogo. 

Na Terra, a infância termina por volta dos 11 anos e a adolescência aos 18, como dizem a Psicologia e a Pedagogia. A lei brasileira também diz que aos 18 anos completos o cidadão atinge a maioridade, torna-se responsável pelos seus atos, teoricamente é adulto. 

Se nem O Livro dos Espíritos, nem a Psicologia, nem a lei civil alteraram o conceito de infância e de adolescência, então nada mudou a esse respeito.  

Assim, a criança e o adolescente continuam necessitados da orientação e educação dos pais até os 18 anos completos, prova de que, antes dessa idade, eles não têm condição de assumir “atitudes” próprias nem de se assumirem como seres humanos responsáveis. 

A Constituição Federal de 1988, em vigor, diz: 

“Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” 

Portanto, os pais não podem ter medo da criança que assume “atitudes” próprias, nem endeusá-la. Ao contrário, devem educá-la com amor, tirando-lhe as ervas daninhas assim que nascem para que não criem raízes difíceis de serem extirpadas. Educar com amor é dar castigos, mas só se a criança fizer algo muito grave.  Por exemplo, uma criança pequena (que não sabe entender diálogos) pode ficar sentada num canto por um momento, de castigo, para que registre no seu subconsciente que, a cada erro grave que ela comete, ela recebe um corretivo. Com a criança mais velha, é proibi-la de usar o videogame, o computador, o celular, etc., por um tempo; são castigos com amor, mas só se for erro grave.  

Isso porque o adulto pode deixar passar muitos erros da criança e do adolescente, pois eles erram o tempo todo. Eles têm o direito de errar, inclusive as lições da escola, tantas vezes quantas forem necessárias até que o seu aprendizado se concretize, afinal são aprendizes. Isso é educar com amor.

Estamos no século XXI, a criança não pode ser tratada como um adulto em miniatura, coisa que ocorreu até o final do século XIX quando ainda não existiam a Psicologia nem a Pedagogia, ciências que estudam a educação da criança e do adolescente. Os pais devem ser orientadores dos seus filhos menores de idade e não promotores de terrorismo doméstico, coisa que a lei brasileira pune com rigor.   

Criança com “atitudes” necessita de muita paciência dos pais para educá-la, pois ela não pode ser abandonada, inclusive sua inteligência (que funciona sobre um cérebro ainda mal desenvolvido) está longe de ter condições de fazer julgamentos sobre o mundo em que vivemos, de fazer opções entre o bem e o mal.   

Neste mundo, houve apenas uma criança extremamente precoce que, aos 12 anos, agia como adulto: Jesus. Nessa época, ele discutia religião no templo com os doutores da lei (lei religiosa), causando admiração a todos pela sua sabedoria. Mas, ele não foi uma encarnação humana, não teve corpo físico. Ele teve um corpo fluídico (materialização tangível: períspirito mais condensado que dava a ilusão de corpo carnal) como está explicado em “Os Quatro Evangelhos” de Jean Baptiste Roustaing, publicado ao tempo de Allan Kardec, que escreveu o prefácio dessa obra.        

O Livro dos Espíritos explica que os espíritos adiantados que nascem na Terra são crianças inteligentes, sim, mas antes de tudo dóceis, o que significa serem obedientes, de boa vontade, aos orientadores. Isso é diferente de crianças com “atitudes”.          

Meu blog Intermezzo está publicando (já na sétima postagem) um estudo resumido de O Livro dos Espíritos com o português facilitado. Os últimos capítulos publicados explicam a escala de evolução dos espíritos. Ou então podem ler no original, no próprio Livro dos Espíritos.  

Fonte: http://www.fumec.br/cerai/docs/constituicao_federal_de_1988.pdf

Profª Maria Lucia


Imagem: http://sombradoonipotente.blogspot.com.br/2013/10/jesus-e-os-doutores-no-templo.html

A Norma Culta da Língua Portuguesa

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A gramática normativa da língua portuguesa estabelece a norma culta, ou seja, o padrão linguístico socialmente considerado modelo, sendo por isso adotado em todos os níveis da escolaridade e para a redação de documentos oficiais. 

O português do Brasil é um pouco diferente do português de Portugal, que nos legou a língua. Mas, não é correto chamar a nossa língua portuguesa de “português brasileiro” para diferençá-lo do português de Portugal. Na Constituição Federal, lemos:

“Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.”

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O bom escritor brasileiro escreve as frases na ordem direta, pois essa é a forma automática do nosso pensamento como falantes nativos da língua portuguesa que somos. A fala e a escrita são o resultado do pensamento automático. Assim, dizemos, em bom português, oralmente ou por escrito: “Eu comprei sapatos no shopping.” Esta frase está na ordem direta. Nós não dizemos automaticamente: “Os sapatos foram comprados por mim no shopping” , que está na ordem inversa, porque não pensamos na ordem inversa como falantes do português. 

Quem escreve um português na ordem inversa está sofrendo a contaminação do inglês. Por mais que o brasileiro domine o inglês, é preciso que ele domine primeiramente a sua língua materna para evitar essa contaminação.  

A contaminação do inglês no texto escrito em português demonstra que o subconsciente da pessoa não tem tido a realimentação suficiente de redação própria em bom português, por isso o automatismo do seu pensamento para o texto escrito está fixado na ordem inversa.     

É preciso que a pessoa escreva frequentemente pequenos textos em português simples, mas correto – ao menos e-mails -  para que o seu pensamento volte a emitir automaticamente as frases na ordem direta do português para assim serem escritas automaticamente. Leitura e conversa não bastam para realimentar a redação própria em português ou qualquer outra língua.   

Duas ou mais línguas bem fixadas, aprendidas, dominadas, separam-se no subconsciente, não se contaminam nunca mais. Mas, é preciso cultivá-las ESCREVENDO sempre nessas línguas. Escrever ao menos semanalmente.       

O inglês é a língua ocidental mais fácil que existe devido à sua gramática bastante simples. É fácil de aprender e de dominar, mas precisa ser praticado (fala, leitura e escrita) para que seja mantido, como qualquer língua. O português é a língua ocidental mais difícil que existe, pois tem a gramatica muito complexa devido ao grande número de exceções e pela dificuldade da conjugação dos verbos. Em grau decrescente de dificuldade para aprender vem depois o francês e só depois, o alemão. É o que dizem os linguistas, estudiosos da fala (linguagem oral). 

A partir dos anos 80, e por influência do jornalismo, que precisa economizar espaço – pois o espaço na publicação impressa é caro -  os textos modernos passaram a apresentar períodos gramaticais mais curtos, que comunicam com objetividade, foco. Inclusive, o jornalismo aboliu o excesso de vírgulas, poluição visual que atropela a leitura e cansa o leitor.   

 Por outro lado, a ênfase - repetição da ideia com outras palavras para “valorizar” a informação -  está ultrapassada. Ela tira o foco da leitura, só faz volume e cansa o leitor, que ainda perde tempo. A ênfase era moda entre os intelectuais do século XIX, que viviam de rendas, por isso tinham tempo sobrando para se exibir com um discurso interminável ou um texto quilométrico, a fim de serem notícia no jornal local. Tola vaidade. Hoje, um autor jurássico desses dá sono na plateia ou no leitor, é logo abandonado e substituído.

Portanto, quem escreve ou faz palestras ou dá aulas universitárias tem de estar atento para três pontos do português da atualidade: texto ou conteúdo curto (foco), poucas vírgulas e nada de ênfase. Isso para não cansar nem perder o tempo do leitor ou do ouvinte. 

O tempo ideal de duração de uma palestra acadêmica ou aula expositiva é de noventa minutos para não cansar os ouvintes que, depois desse tempo, perdem sua melhor concentração, perdem o interesse. No entanto, as aulas de ciências médicas, biológicas, exatas e outras que dependem de experimentação podem levar mais tempo; mas essas ciências exigem outro tipo de concentração.

O professor de Filosofia da Educação Regis de Moraes, da Unicamp, disse, em outras palavras, que, numa aula expositiva (ou palestra), o professor que não deu o seu recado em noventa minutos não tem mais nada de importante a falar.         

O universitário, o pesquisador e o escritor de ficção da atualidade expressam o seu pensamento ágil em textos mais curtos, ágeis -  o essencial, para não perder o foco - o que agiliza a compreensão e a aprendizagem. Os autores do século XXI são os mesmos que utilizam as tecnologias de ponta, que facilitam sua vida e economizam o seu tempo, esse bem precioso. Por isso, eles produzem textos que agilizam a vida dos leitores.  

Como dizia meu professor de Filosofia da Educação Regis de Moraes, nos anos 90, na Unicamp, o Brasil, esse imenso território, é uma nação, pois todos os brasileiros falam uma só língua, de norte a sul, o português que nos une, apesar das nossas diferenças dialetais. 

Amemos a nossa língua portuguesa cultivando-a como a flor mais bela da nossa pátria. 

Profª Maria Lucia

Imagem:

http://www.teiaportuguesa.com/manual/unidade12lusofonia/imagens/mapalingua.jpg

A História da Arte - 13

A “Arte Moderna” é uma nova abordagem que se sentiu mais nos Estados Unidos da América, na arquitetura com Frank Lloyd Wright. Para ele o que importava na arquitetura não era a fachada, mas as salas, os quartos, o interior para o conforto do proprietário: numa palavra, o que imperava era o funcionalismo. As pessoas consideraram essas casas intoleravelmente nuas.

O método escolhido pelo holandês Van Gogh para o desenho lembra a caricatura. Era o expressionismo. O pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944) explorou mais ainda essa possibilidade. Sua litografia “O grito” mostra isso, é uma cabeça que grita, mas nunca saberemos o que esse grito significou. 

O grito, Munch     

Henri Matisse (1869-1954) fazia parte do grupo “os selvagens” que usavam harmonias intensas, cores intensas, “bárbaras”. 

A mesa de jantar, Matisse

O espanhol Pablo Picasso (1881-1973), aos 19 anos foi para Paris tendo pintado temas que agradariam aos expressionistas: mendigos, marginais, vagabundos, gente de circo. Mas, ao invés de copiar algo, ele passou a construir algo e pintou violino e uvas. Assim, ele inventou o cubismo.

Violino e uvas, Picasso  

Picasso fez experimentos também com cerâmica. 

Guernica, Picasso

Em 1937, Picasso pintou Guernica, óleo sobre painel em tons de cinza retratando os horrores da guerra civil espanhola.  É uma das suas obras mais conhecidas. 

Em 1949, nasceu sua filha Paloma (pomba, em espanhol). Picasso desenhou La colombe de la paix (do francês, A pomba da paz), uma pomba levando no bico um ramo de oliveira (símbolo antigo da paz). Em 1961, a litografia da pomba foi usada num cartaz de um Congresso pela Paz, realizado em Paris, tornando-se o desenho um símbolo da paz internacionalmente conhecido.

Pomba da paz, Picasso

Nota de Maria Lucia:

Termino aqui meu singelo e resumido estudo de história da arte.  Quem quiser prosseguir o estudo, as formas cada vez mais estilizadas da arte, pode ler o livro que consultei, a partir da página 576 até 637, começando pelo modernismo. Termino por aqui, pois não gostei dos artistas que se seguiram. 

Aliás, a obra que consultei não estuda o Brasil, que entrou para a história da arte a partir do período barroco, final do século XVII, no período colonial, com a estatuária do mineiro Aleijadinho, em pedra sabão, feita para igrejas e conservadas até hoje. 

O Brasil levou mais de cem anos, desde o descobrimento, para entrar na história da arte. O Brasil é estudado pelas coleções de arte brasileiras, entre elas a antiga coleção da Editora Abril (vendida em sebos) e os livros de arte  “Grandes Mestres”, um para cada autor, também da Abril, todos à venda nas grandes livrarias. E também a coleção da Editora Taschen, um livro por autor; ou por autores e por períodos, como o Renascimento, de outras editoras.  

Destes livros que citei, a minha filha Raquel Helena tem todos. São livros sobre obras de arte que estão na família, à disposição das próximas gerações. 

Para todos os meus leitores, deixo a imagem final deste estudo: a pomba da paz desenhada por Picasso.

(FIM)

Fontes:

 A História da Arte, H. G. Gombrich, Rio de Janeiro, LTC, 2009

http://origemdequasetudo.blogspot.com.br/2010/01/o-pombo-como-simbolo-da-paz.html

Profª Maria Lucia

Imagens:

https://contessabessa.files.wordpress.com/2012/11/phobia.jpg

http://virusdaarte.net/wp-content/uploads/2014/04/Matisse12345.png

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http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/artes/0015/picasso2.jpg

Ana Primavesi recebe o prêmio One World Award

Brasileira recebe prêmio

“Uma das pioneiras do movimento orgânico no Brasil, a austríaca naturalizada brasileira foi escolhida pelo grande impulso que deu aos movimentos agroecológicos não só no Brasil, como na América Latina, contribuindo, segundo os organizadores, para moldar um paradigma alternativo à agricultura industrial.

Depois de 65 anos na luta pela saúde dos solos, a engenheira agrônoma Ana Primavesi, de 92 anos, receberá o One World Award – o principal título de agricultura orgânica mundial. Conferido pela International Federation of Organic Agriculture Movements (Ifoam), o prêmio honra ativistas cujo trabalho tenha impactado positivamente a vida de produtores rurais, sobretudo os mais desfavorecidos. Neste ano, a cerimônia será realizada em setembro, na Alemanha.

(Depoimento da Dra. Ana Primavesi, sócia número 1 da AAO – Associação de Agricultura Orgânica, homenageada em Ato Solene na Assembléia Legislativa de São Paulo)

Ana dedicou a sua vida a ensinar como é possível aliar a produção de alimentos à conservação do meio ambiente, nunca se esquecendo do pequeno produtor e das suas necessidades. “O segredo da vida é o solo, porque do solo dependem as plantas, a água, o clima e nossa vida. Tudo está interligado. Não existe ser humano sadio se o solo não for sadio e as plantas, nutridas”, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Em 65 anos de trabalho, Ana não somente revolucionou a produção agrícola, mas também mudou a vida de muita gente para melhor. Por isso esse prêmio é mais que merecido. Se você quer se familiarizar um pouco mais com o trabalho desta agrônoma espetacular, vale a pena ler o livro Manejo Ecológico do Solo – escrito por ela e considerado uma das bíblias da produção orgânica e leitura obrigatória nas faculdades de Agronomia do país – ou assistir o documentário O Veneno Está Na Mesa, com falas de Eduardo Galeano.

Fonte e imagem: Jornal já (https://jornalja.com.br/brasileira-de-92-anos-recebera-o-principal-premio-de-agricultura-organica-mundial/)

Nota: Colaboração enviada por Mario Nakano Neto, Engenheiro Agrônomo, meu genro.