segunda-feira, 9 de novembro de 2015

História Geral - Idade Moderna

Expansão marítima

A Idade Moderna é um período da História Geral do ocidente situado entre a Idade Média e a Idade  Contemporânea.

A divisão tradicional que se faz da história em períodos é algo que deve ser relativizado. A base para todos os períodos são os fatos ocorridos em relação ao continente Europeu, o que não leva em consideração a existência de grandiosas e organizadas civilizações em outros lugares do mundo antes do contato com os Europeus. Desta forma, a África e a América, por exemplo, parecem ser continentes inabitados até a chegada dos europeus, o que não representa a verdade. Por isso, hoje, a ideia é dividir a história por eixos temáticos, capazes de englobar a humanidade como um todo. 

A Idade Moderna é tradicionalmente reconhecida pelos historiadores como iniciada em 1.453, em decorrência da tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos. Este evento abriria as portas para uma série de ocasiões inovadoras e típicas de um novo tempo, diverso do Medieval. 

O fato é que a Idade Moderna representa um período de diversificação dos costumes e das tradições medievais. As relações humanas e as formas de interpretar o mundo se alteram. O novo período oferece novas reflexões e recupera a grandiosa cultura da Antiguidade. 

A Idade Moderna é fruto de inovações que começaram a se desenvolver ainda durante a Idade Média. A fase final deste período viu crescer o comércio através das feiras, das Cruzadas  e dos Burgos. O renascimento do comércio fez nascer uma nova classe social: a burguesia. Os burgueses seriam os homens que conduziriam as alterações sociais no novo período através do desenvolvimento do nascente capitalismo.

O extraordinário desenvolvimento do comércio a partir do século XV desencadeou a substituição do modo de produção feudal  pelo modo de produção capitalista.  Destacamos como características do período as Grandes Navegações, o Renascimento, a Reforma e a Contra-Reforma e o Absolutismo.

 As Grandes Navegações ampliaram os horizontes comerciais da humanidade. Através delas, novos continentes entraram na rota do comércio, o qual teve seu eixo transferido do mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico.

O  Renascimento proporcionou a retomada da cultura greco-romana, que passou a representar um momento de apogeu cultural da humanidade ofuscado pelo período medieval. A retomada da cultura fez o homem alterar seus conceitos de interpretação do mundo, germinando novos questionamentos. 

A  Reforma Protestante colocou em xeque a soberania religiosa da Igreja Católica, abrindo caminho para novas vias do cristianismo. Foi acompanhada pela Contra-Reforma como tentativa de dinamizar suas ações e garantir seu rebanho de fieis em meio a nova oferta religiosa.

O Absolutismo caracterizou a História Moderna como o período dos grandes reis. Foi o elemento constituinte dos Estados Nacionais Modernos que estabeleceram novos padrões políticos na humanidade com a unificação dos primeiros países. O Absolutismo concedia uma posição de grande importância social e política para os reis, que eram considerados  representantes de Deus na Terra.

A Idade Moderna é um período de retomada de valores culturais e grande ampliação dos mesmos. É também a época do nascedouro do capitalismo, o que introduziu significativas mudanças na humanidade. A História Moderna termina com a Revolução Francesa, em 1.789, que inicia  a Idade Contemporânea.

O Capitalismo

O Capitalismo é o sistema sócio-econômico em que os meios de produção (terras, fábricas, máquinas, edifícios) e o capital (dinheiro) são propriedade privada, ou seja, têm um dono.

Antes do capitalismo, o sistema predominante era o Feudalismo, cuja riqueza vinha da exploração de terras e também do trabalho dos servos.  O progresso e as importantes mudanças na sociedade (novas técnicas agrícolas, urbanização, etc) fizeram com que o Feudalismo se rompesse. Estas mesmas mudanças que contribuíram para a decadência do Feudalismo cooperaram para o surgimento do capitalismo.

Os proprietários dos meios de produção (burgueses, os capitalistas) são a minoria da população e os não-proprietários (proletários ou trabalhadores) são a maioria e vivem dos salários pagos pelos capitalistas em troca de sua força de trabalho.

Características do Capitalismo
  • Toda mercadoria é destinada para a venda e não para o uso pessoal
  • O trabalhador recebe um salário em troca do seu trabalho
  • Toda negociação é feita com dinheiro
  • O capitalista pode admitir ou demitir trabalhadores, já que é dono de tudo: do capital e da propriedade
  • Capitalismo Comercial ou mercantil: consolidou-se entre os séculos XV e XVIII. É o chamado Mercantilismo. As grandes potências da época (Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França) exploravam novas terras e comercializavam escravos, metais preciosos, etc,  com a intenção de enriquecer.


A Idade Moderna termina com a Revolução Francesa, em 1.789.

A Revolução Francesa 

A Revolução Francesa de 1.789 teve relevante papel nas bases da sociedade de uma época e foi um marco divisório da História dando início à Idade Contemporânea. 

Seus ideais influenciaram vários movimentos ao redor do mundo, dentre eles, a nossa Inconfidência Mineira que ocorreu no mesmo ano. 

Esse movimento teve a participação de vários grupos sociais: pobres, desempregados, pequenos comerciantes, camponeses (estes, tinham que pagar tributos à nobreza e ao clero).

Em 1789, a população da França era a maior do mundo, e era dividida em três estados: clero (1º estado), nobreza (2º estado) e povo (3º estado). 

O clero e a nobreza tinham vários privilégios: não pagavam impostos, recebiam pensões do estado e podiam exercer cargos públicos.

O povo tinha que arcar com todas as despesas do 1º e 2º estado. Com o passar do tempo e influenciados pelos ideais do Iluminismo, o 3º estado começou a se revoltar e a lutar pela igualdade de todos perante a lei. Pretendiam combater, dentre outras coisas, o absolutismo monárquico e os privilégios  da nobreza e do clero.

A economia francesa passava por uma crise; mais da metade da população trabalhava no campo, porém, vários fatores ( clima, secas e inundações), pioravam ainda mais a situação da agricultura fazendo com que os preços subissem, e nas cidades e no campo, a população sofria com a fome e a miséria.

Além da agricultura, a indústria têxtil também passava por dificuldades por causa da concorrência com os tecidos ingleses que chegavam do mercado interno francês. Como consequência, vários trabalhadores ficaram desempregados e a sociedade teve o seu número de famintos e marginalizados elevados.

Toda esta situação fazia com que a burguesia (ligada à manufatura e ao comércio) ficasse cada vez mais infeliz. A fim de contornar a crise, o Rei Luís XVI resolveu cobrar tributos ao povo (3º estado), em vez de fazer cobranças ao clero e à nobreza.

Sentindo que seus privilégios estavam ameaçados, o 1º e 2º estado se revoltaram e pressionaram o rei para convocar a Assembleia dos Estados Gerais que ajudaria a obrigar o povo a assumir os tributos.

Em maio de 1789, após a reunião da Assembléia no palácio de Versalhes, surgiu o conflito entre os privilegiados (clero e nobreza) e o povo.

A nobreza e o clero, perceberam que o povo tinha mais deputados que os dois primeiros estados juntos, então, queria de qualquer jeito fazer valer o voto por ordem social. O povo (que levava vantagem) queria que o voto fosse individual.

Para que isso acontecesse, seria necessário uma alteração na constituição, mas a nobreza e o clero não concordavam com tal atitude. Esse impasse fez com que o 3º estado se revoltasse e saísse dos Estados Gerais.

Fora dos Estados Gerais, eles se reuniram e formaram a Assembleia Nacional Constituinte.

O rei Luís XVI tentou reagir, mas o povo permanecia unido, tomando conta das ruas. O slogan dos revolucionários era “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

Em 14 de julho de 1789 os parisienses invadiram e tomaram a Bastilha (prisão) que representava o poder absoluto do rei, já que era lá que ficavam os inimigos políticos dele. Esse episódio ficou conhecido como "A queda da Bastilha".

O rei já não tinha mais como controlar a fúria popular e tomou algumas precauções para acalmar o povo que invadia, matava e tomava os bens da nobreza: o regime feudal  sobre os camponeses foi abolido e os privilégios tributários do clero e da nobreza acabaram.

No dia 26 de agosto de 1789 a Assembleia Nacional Constituinte proclamou A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,  cujos principais pontos eram:

  • O respeito pela dignidade das pessoas
  • Liberdade e igualdade dos cidadãos perante a lei
  • Direito à propriedade individual
  • Direito de resistência à opressão política
  • Liberdade de pensamento e opinião


Em 1791, foi concluída a Constituição elaborada pelos membros da Assembleia Constituinte.

O rei Luís XVI não aceitou a perda do poder e passou a conspirar contra a revolução. Para isso contatava nobres emigrados e monarcas da Áustria e Prússia (que também se sentiam ameaçados). O objetivo dos contra-revolucionários era organizar um exército que invadisse a França e restabelecesse a monarquia absolutista. 

Em 1791, Luís XVI quis se unir aos contra-revolucionários e fugiu da França, mas foi reconhecido, capturado, preso e mantido sob vigilância.

Em 1792, o exército austro-prussiano invadiu a França, mas foi derrotado pelas tropas francesas na Batalha de Valmy. Essa vitória deu nova força aos revolucionários franceses e tal fato levou os líderes da burguesia decidir proclamar a República (22 de setembro de 1792).

Com a proclamação, a Assembleia Constituinte foi substituída pela Convenção Nacional que tinha como missão elaborar uma nova constituição para a França.

A nova constituição estabelecia a continuidade do regime republicano que seria controlado pelo Diretório (1795 - 1799). Neste período houve várias tentativas para controlar o descontentamento popular e afirmar o controle político da burguesia sobre o país.

Durante este período, a França voltou a receber ameaças das nações absolutistas vizinhas agravando a situação.

Nessa época, Napoleão Bonaparte ganhou prestígio como militar e com o apoio da burguesia e do exército, provocou um golpe.

Napoleão Bonaparte

Em 10/11/1799, Napoleão dissolveu o diretório e estabeleceu um novo governo chamado Consulado. Esse episódio ficou conhecido como18 Brumário.

Com isso, ele consolidava as conquistas da burguesia pondo fim à revolução.

No poder, ele promove a reorganização do país, abalado por anos de revolução, instituindo reforma fiscal, administrativa, financeira, além de sua mais notável obra, o Código Civil Napoleônico,  utilizado até hoje, e que veio unificar as várias leis regionais que existiam no país até então, além de promover a separação entre a Igreja e o Estado.

No ano de 1804, Napoleão é coroado imperador. Com o poder total nas mãos, ele estabeleceu uma nova forma de governo e também novas leis. Ao vencer a Áustria, a Rússia e a Prússia, torna-se senhor de um extenso império, comparável em tamanho somente ao antigo Império Romano, extinto há mais de mil anos. Seu poderio só entra em decadência ao tentar rivalizar com a força marítima da Inglaterra, e de seu maior representante, o almirante Nelson, que na Batalha de Trafalgar (assim como no passado, no Egito) dá início à queda do imperador Napoleão.

Napoleão é mandado para o exílio na ilha de Elba, na Itália, mas no ano seguinte consegue escapar para a França, e com consentimento do povo retoma o poder no chamado Governo dos 100 Dias. 

As nações europeias decidem combatê-lo novamente, e depois de quase cem dias, na batalha de Waterloo,  na Bélgica, o imperador dos franceses é derrotado definitivamente, sendo mandado ao exílio na ilha atlântica de Santa Helena, onde morreria alguns anos depois. (continua)

Antonio Gasparetto Junior

Emerson Santiago

Fontes: 

http://www.infoescola.com/historia/historia-moderna/

http://www.infoescola.com/historia/capitalismo/

http://www.infoescola.com/historia/revolucao-francesa/

http://www.infoescola.com/biografias/napoleao-bonaparte/

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:

http://www.alunosonline.com.br/historia/idade-moderna.html

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A História da Arte - 10

Séculos XVII e XVIII

Os reis e príncipes da Europa seiscentista estavam ansiosos por exibir seu poder e assim aumentar a sua ascendência sobre a mente dos seus súditos. Também eles queriam parecer criaturas de uma espécie diferente, elevadas por direito divino acima do homem  comum. Isso se aplica de maneira especial ao mais poderoso governante da segunda metade do século XVII, Luiz XIV da França, em cujo programa político a exibição e o esplendor da realeza foram deliberadamente  usados. 

Luiz XIV chamou o escultor Bernini para ajudar no projeto do seu palácio, que nunca se concretizou. Mas, outro palácio converteu-se no símbolo do seu imenso poder. Foi o palácio de Versalhes, construído entre 1660 e 1680. Versalhes é tão gigantesco que nenhuma fotografia pode dar uma ideia adequada do seu aspecto. 

Em cada andar, há 123 janelas que dão para o parque. O próprio parque, com suas avenidas de arbustos aparados, suas urnas e estatuária e seus terraços e tanques, estende-se por muitos quilômetros de campo. Versalhes é barroco mais por sua imensidão do que por seus detalhes  decorativos.

Palácio de Versalhes perto de Paris, Hardouin-Mansart

O período em redor de 1700 foi um dos maiores da arquitetura e não só da arquitetura. Todas as artes tinham de contribuir para o efeito de um mundo fantástico e artificial. Os artistas tiveram livre trânsito para planejar como  mais lhes agradasse e para traduzir em pedra e estuque dourado suas visões mais incríveis.  Foi especialmente na Áustria, Boêmia e sul da Alemanha que as ideias do barroco italiano e francês se fundiram no mais audacioso e consistente estilo. 

Antoine Watteau (1684-1721) era oriundo de uma parte de Flandres que fora conquistada pela França. Instalou-se em Paris onde faleceu aos 37 anos. Ele projetou decorações de interiores para os palácios da nobreza, a fim de fornecer um fundo apropriado às festas da sociedade palaciana.  Mas, ele passou a fazer suas próprias pinturas refletindo o gosto da aristocracia francesa do começo do século XVII, conhecido como o período rococó, numa predileção por cores e decorações delicadas que sucedera ao gosto mais robusto do período barroco e que se expressou em alegres frivolidades. Mas, foram os seus sonhos e ideais que ajudaram a modelar o estilo rococó. Seus quadros revelavam uma galanteria espirituosa. 

Festa num parque, Watteau

Inglaterra e França, século XVIII

O período em torno de 1700 tinha assistido ao apogeu do movimento barroco na Europa católica. Os países protestantes não o adotaram. Nesse período, a Inglaterra produziu seu maior arquiteto, Sir Christopher Wren (1632-1723), que reconstruiu as igrejas de Londres após o incêndio de 1666. Ele foi influenciado pela arquitetura barroca romana, embora nunca tivesse estado em Roma. Ele impressiona pelo seu comedimento e sobriedade. 

O contraste entre a arquitetura protestante e a católica é ainda mais acentuado quando consideramos os interiores das igrejas de Wren. Uma igreja desse tipo é projetada principalmente como uma sala de reunião onde os fieis se congregam para o culto. Seu propósito não é evocar visões de um outro mundo, mas, pelo contrário, propiciar o recolhimento, a meditação.

Interior da Igreja de St Stephen Walbrook, Wren

Assim foi também com os palácios. Nenhum rei da Inglaterra poderia dispor de prodigiosas verbas para construir um Versalhes de luxo e extravagância. O ideal setecentista não era o palácio, mas a casa de campo. Os arquitetos dessas residências de campo rejeitaram as extravagâncias do estilo barroco. Eles apenas respeitavam as regras da arquitetura clássica e por isso se inspiraram na arquitetura do Renascimento italiano. O livro de Andrea Palladio passou a ser considerado a autoridade suprema em todas as regras do bom gosto da arquitetura inglesa do século XVIII.

A Revolução francesa (1789) deu um enorme impulso ao interesse pela história e pela pintura de temas heroicos. O principal artista desse estilo neo-clássico foi Jacques-Louis David (1748-1825),  que foi o “artista oficial” do Governo Revolucionário. Quando um dos líderes da Revolução Francesa, Marat, foi assassinado na banheira por uma jovem fanática, David pintou-o como um mártir que morrera por sua causa. Marat, costumava escrever durante o banho, e a banheira tinha uma pequena escrivaninha adaptada. Sua agressora entregara-lhe uma petição e ele estava prestes a assiná-la quando ela o apunhalou. David conseguiu fazê-lo parecer um ato heroico. É a impressionante comemoração de um humilde “amigo do povo” – como o próprio Marat se intitulava – que sofrera o destino de um mártir enquanto trabalhava pelo bem comum.

Marat assassinado, David  

David também foi o pintor retratista oficial de Napoleão Bonaparte.

Bonaparte, David

Século XIX

Entre os artistas da geração de David que rejeitaram os temas do tipo antigo estava o grande pintor espanhol Francisco Goya (1746-1818). Ele era versado na melhor tradição da pintura espanhola que tinha produzido El Greco e Velásquez. 

Grupo num balcão, Goya 

Tal como Rembrandt, Goya afirmou sua independência das convenções do passado através da produção de um grande número de gravuras com uma nova técnica chamada aquatinta, que cria manchas sombreadas. A maioria delas são temas como bruxas e aparições sobrenaturais, como O gigante.

O gigante, Goya

A pintura paisagística, até então considerada um ramo secundário da arte, beneficiou-se com a nova liberdade do artista. Um paisagista importante foi J.M.W.Turner (1775-1851). Turner fez enorme sucesso. Suas telas causavam sensação na Academia Real. Turner também teve a visão de um mundo fantástico, banhado de luz e resplendente de beleza. Mas o seu mundo era cheio de movimento, em vez de harmonias singelas, exibia aparatoso deslumbramento. Ele reunia em suas telas todos os efeitos que pudessem torná-las mais impressionantes e dramáticas.

Vapor numa tempestade de neve, Turner

Dildo Building Cartago, Turner

The shipwreck, Turner

Fonte: Gombrich, E.H., A história da arte, LTC, Rio de Janeiro, 16ª edição

Imagens:

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http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/as-telas-de-william-turner

A Água da Nossa Casa


“(...) A água absorve de cada casa as características mentais dos moradores. Torna-se prejudicial nas mãos de pessoas más e útil nas mãos de pessoas boas.” (...) “E quando em movimento, sua corrente não só espalha bênçãos de vida como também se transforma em veículo de Deus e purificando sua atmosfera interior.” (Espírito André Luiz) 

Fonte:

“Nosso Lar”, Xavier, F.C., pelo Espírito André Luiz, FEB, p.28. 

Profa. Lúcia Rocha

Imagem:

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Espiritismo e Metafísica - 3

Introdução

Estudo de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, em continuação. Para adultos e adolescentes, a partir da oitava série. “O Livro dos Espíritos é um estudo de Metafísica e de Moral.  Metafísica (“além das coisas físicas”) é o ramo da Filosofia que estuda a essência dos seres e dos mundos. As perguntas são de Allan Kardec e as respostas são dos Espíritos Superiores, autores da obra, que ditaram o livro a diversos médiuns psicógrafos, no mundo inteiro. O livro foi publicado em Paris, em 1857, por Allan Kardec, o codificador do Espiritismo ou Doutrina Espírita, que assina como autor da obra por ordem daqueles espíritos.  

A primeira parte do livro estuda Metafísica. Este meu estudo é uma interpretação minha do original do século XIX,  em algumas partes sintetizado ou suprimido (quando as questões são semelhantes)  e em linguagem atual. 

Acrescentei um pequeno artigo científico do século XXI. 

CAPÍTULO III (Metafísica) 

 Da Criação

 • Formação dos mundos • Formação dos seres vivos • Povoamento da Terra. Adão • Diversidade das raças humanas • Pluralidade dos mundos 

FORMAÇÃO DOS MUNDOS 

O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que o enchem. 

37. O Universo foi criado ou existe de toda a eternidade, como Deus? 

Se existisse de toda a eternidade, como Deus, não seria obra de Deus. A razão nos diz que não é possível que o Universo tenha criado a si mesmo e que, não podendo também ser obra do acaso, há de ser obra de Deus.

38. Como Deus criou o Universo? 

Pela sua Vontade. Deus disse: Faça-se a luz! (Fiat lux!) E a luz foi feita.

Deus disse: “Faça-se a luz!” E a luz foi feita.

39. Poderemos conhecer o modo de formação dos mundos? 

Os mundos se formam pela condensação da matéria espalhada no Espaço. 

40. Os cometas são um começo de condensação da matéria, mundos a caminho de formação? 

Isso está certo; absurdo, porém, é acreditar-se na influência deles. 

41. Pode um mundo completamente formado desaparecer e a matéria que o compõe espalhar-se novamente no Espaço? 

Sim, Deus renova os mundos como renova os seres vivos.

42. Pode-se saber o tempo que dura a formação dos mundos, da Terra, por exemplo?

Só o Criador o sabe.  

FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS

43. Quando a Terra começou a ser povoada? 

No começo tudo era o caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar. Apareceram então os seres vivos apropriados ao estado evolutivo da Terra. 




44. De onde vieram os seres vivos para a Terra? 

A Terra continha os germes das espécies dos seres vivos que aguardavam, em estado latente, o momento favorável para se desenvolverem e se multiplicarem.



45. Onde estavam os elementos orgânicos antes da formação da Terra? 

Achavam-se em estado de fluido no Espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começarem a nova existência em novo globo. 

46. Ainda há seres que nasçam espontaneamente? 

Sim, mas o gérmen primitivo já existia em estado latente. 

47. A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo terrestre? 

Sim, e veio a seu tempo. Por isso, dizia-se antigamente que  o homem se formou do limo (lama) da terra.

48. Poderemos conhecer a época do aparecimento do homem e dos outros seres vivos na Terra? 

Não; os  cálculos de vocês são ilusórios. 

49. Se o germe da espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos do globo, por que atualmente não se formam homens espontaneamente como na origem dos tempos? 

A origem das coisas é segredo de Deus. Uma vez espalhados pela Terra, os homens absorveram em si mesmos os elementos necessários à sua própria formação e depois os transmitiram segundo as leis da reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos. 

POVOAMENTO DA TERRA. ADÃO 

50. A espécie humana começou por um único homem? 

Não; aquele a quem chamam Adão não foi o primeiro nem o único a povoar a Terra.

51. Poderemos saber em que época viveu Adão? 

Por volta  de 4.000 anos antes de Cristo. O homem chamado  Adão  foi dos que sobreviveram, em certa região, a alguns dos grandes cataclismos da Terra, e se tornou o  tronco de uma das raças que atualmente  povoam o globo.

DIVERSIDADE DAS RAÇAS HUMANAS 

52. De onde vêm as diferenças físicas e morais que distinguem as raças humanas na Terra? 

Do clima, da vida e dos costumes.  

53. O homem surgiu em muitos pontos da Terra? 

Sim e em épocas diversas, o que é uma das causas da diversidade das raças. Os homens se espalharam por climas diversos e as raças se cruzaram formando novos tipos de homens. 

a) — Estas diferenças constituem espécies distintas? 

Não; todos os homens são da mesma família, da mesma espécie.

54. Como a espécie humana não descende de um só indivíduo,  devem os homens deixar de considerar-se irmãos?

Todos os homens são irmãos em Deus, porque são animados pelo espírito e tem o mesmo objetivo de vida.

O que diz a ciência hoje

Um grupo de pesquisadores apresentou na África do Sul os remanescentes fósseis de um primata que podem ser de uma espécie do gênero humano desconhecida até agora. A criatura foi encontrada na caverna conhecida como Rising Star (estrela ascendente), 50 km a nordeste de Johanesburgo, onde foram exumados os ossos de 15 hominídeos. O primata foi batizado de Homo naledi. Em língua sotho, "naledi" significa estrela, e Homo é o mesmo gênero ao qual pertencem os humanos modernos.

Os fósseis foram encontrados numa área profunda e de difícil acesso da caverna, na área arqueológica conhecida como "Berço da Humanidade", considerada patrimônio mundial pela Unesco. Por se situar num depósito sedimentar onde as camadas geológicas se misturam de maneira complexa, os cientistas ainda não conseguiram datar o primata descoberto, que poderia ter  entre 100 mil e 4 milhões de anos.

"Estou feliz de apresentar uma nova espécie do ancestral humano", declarou Lee Berger, pesquisador da Universidade Witwatersrand de Johannesburgo, numa entrevista coletiva em Moropeng, onde fica o "Berço da Humanidade".

O Livro dos Espíritos (continuação)

PLURALIDADE DOS MUNDOS 

55. Todos os planetas que se movem no espaço são habitados? 

Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição. 

56. A constituição física dos diferentes globos é a mesma?

“Não; de modo algum se assemelham.”

57. Os seres que habitam esses mundos têm  organizações diferentes?

Sem dúvida, do mesmo modo que no mundo de vocês os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar.

58. Os mundos mais afastados do Sol estarão privados de luz e calor porque esse astro tem para eles apenas a aparência de uma estrela?

Todos os seres não são feitos da mesma matéria que vocês e com órgãos de conformação idêntica aos seus.  Esses mundos têm fontes de calor e de luz necessárias aos seus habitantes. (continua)

Fonte:

O Livro dos Espíritos, Kardec, Allan; FEB, 2009

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/09/antiga-especie-do-genero-humano-e-descoberta-na-africa-do-sul.html

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:
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http://www.ufrgs.br/projetoamora/atividades-integradas/atividades-integradas-2011/um-pouco-da-historia-da-terra

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/09/antiga-especie-do-genero-humano-e-descoberta-na-africa-do-sul.html

Perante os Fatos Momentosos - Emmanuel

Menina, Sarah Kay

“Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos”. (Paulo, I Tessalonicenses, 5:15.)

“Em tempo algum empolgar-se por emoções desordenadas ante ocorrências que apaixonem a opinião pública, como, por exemplo, delitos, catástrofes, epidemias, fenômenos geológicos e outros quaisquer. Acalmar-se é acalmar os outros. Nas conversações e nos comentários acerca de notícias terrificantes, abster-se de sensacionalismo. A caridade emudece o verbo em desvario.

Guardar atitude ponderada, à face de acontecimentos considerados escandalosos, justapondo a influência do bem ao assédio do mal. A palavra cruel aumenta a força do crime. Resguardar-se no abrigo da prece em todos os transes aflitivos da existência. As provações gravitam na esfera da Justiça Divina. 

Aceitar nas maiores como nas menores decepções da vida humana, por mais estranhas ou desconcertantes que sejam, a manifestação dos Desígnios Superiores atuando em favor do aprimoramento espiritual. Deus não erra. 

Ainda mesmo com sacrifício, entre acidentes inesperados que lhe firam as esperanças, jamais desistir da construção do bem que lhe cumpre realizar. 

Cada Espírito possui conta própria na Justiça Perfeita.” (Emmanuel, “Pensamento e Vida”, Xavier, F.C., FEB)

Profa. Lúcia Rocha

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Das Vinte Frutas Mais Consumidas no Brasil, Apenas Três São Nativas


O Brasil é conhecido como a “terra das frutas” graças a tamanha variedade encontrada. Não há estrangeiro que, vindo de lugares frios, não se admire com a nossa abundância de formatos, perfumes e cores. Isso é natural, como país predominantemente tropical que somos, embora inusitadamente a biodiversidade nativa brasileira não tenha quase nada a ver com o encontrado nos supermercados e feiras livres.

 Abaixo, as frutas do mapa e sua origem.

1. abacate –  América Central.

2. abacaxi – Brasil – nativa do cerrado.

3. banana – Sudeste Asiático.

4. caqui – Ásia.

5. coco-da-baía – origem polêmica.

6. figo – Ásia.

7. goiaba – Brasil.

8. laranja – Ásia.

9. limão – Sudeste Asiático.

10. mamão – América Tropical.

11. manga – Ásia.

12. maracujá –Brasil.

13. marmelo – Europa e Ásia.

14. maçâ – Ásia.

15. melancia – África.

16. melão – Europa, Ásia e África.

17. pera –  Europa.

18. pêssego – Ásia.

19. tangerina – Ásia.

20. uva – Ásia, América do Norte e Europa.

Constatado isso, pode-se pensar que não temos frutas nativas, e isso não é verdade – as temos aos milhares – a questão é cultural e de seleção de plantas. As frutas que consumimos hoje são resultado de eras de trabalho dos agricultores em selecioná-las e melhorar suas características como sabor, tamanho e durabilidade. 

As nossas foram sempre relegadas à condição de curiosidade e “mato” e, com raras exceções, poucas receberam melhoramentos como a goiaba (feita por agricultores japoneses radicados no Brasil).

Redescobrir e tornar comerciáveis nossas fruteiras é empreendimento demorado, mas valorizá-las é recuperar uma dívida histórica com nossa biodiversidade e rica herança natural, além de permitir novos sabores e valorização do meio ambiente brasileiro.

Colaboração enviada por Mario Nakano Neto, Engenheiro agrônomo

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Primeiras Pregações


Hoje, apresento mais um conto do livro “Boa Nova”, pelo Espírito Humberto de Campos. É um episódio relacionado a Jesus, seus discípulos e importantes personagens bíblicos no convívio com ele. Nota: A palavra “Evangelho” significa “boa nova” ou “boa notícia”; no caso, boa nova sobre o reino de Deus.  

Primeiras Pregações

Nos primeiros dias do ano 30, antes de suas gloriosas manifestações, avistou-se Jesus com o Batista, no deserto triste da Judéia, não muito longe das areias ardentes da Arábia. Ambos estiveram juntos, por alguns dias, em plena Natureza, no campo ríspido do jejum e da penitência do grande precursor, até que o Mestre Divino, despedindo- se do companheiro, demandou o oásis de Jericó, uma bênção de verdura e águas entre as inclemências da estrada agreste.

De Jericó dirigiu-se então a Jerusalém, onde repousou, ao cair da noite. Sentado como um peregrino, nas adjacências do Templo, Jesus foi notado por um grupo de sacerdotes e pensadores ociosos, que se sentiram atraídos pelos seus traços de formosa originalidade e pelo seu olhar lúcido e profundo. Alguns deles se afastaram, sem maior interesse, mas Hanã, que seria, mais tarde, o juiz inclemente de sua causa, aproximou-se do desconhecido e dirigiu-se-lhe com orgulho:

— Galileu, que fazes na cidade?

— Passo por Jerusalém, buscando a fundação do Reino de Deus! — exclamou o Cristo, com modesta nobreza.

— Reino de Deus? — tornou o sacerdote com acentuada ironia.

— E que pensas tu venha a ser isso? — Esse Reino é a obra divina no coração dos homens! — esclareceu Jesus, com grande serenidade.

— Obra divina em tuas mãos? — revidou Hanã, com uma gargalhada de desprezo. 

E, continuando as suas observações irônicas, perguntou: 

— Com que contas para levar avante essa difícil empresa? Quais são os teus seguidores e companheiros?..  Acaso terás conquistado o apoio de algum príncipe desconhecido e ilustre para auxiliar-te na execução de teus planos? ___Meus companheiros hão de chegar de todos os lugares - respondeu o Mestre com humildade. 

— Sim — observou Hanã —, os ignorantes e os tolos estão em toda
parte na Terra. Certamente que esse representará o material de tua edificação. Entretanto, propões-te realizar uma obra divina e já viste alguma estátua perfeita modelada em fragmentos de lama? 

— Sacerdote - replicou-lhe Jesus, com energia serena —, nenhum mármore existe mais puro e mais formoso do que o do sentimento, e nenhum cinzel é superior ao da boa-vontade. 
Impressionado com a resposta firme e inteligente, o famoso juiz ainda interrogou:

— Conheces Roma ou Atenas?

— Conheço o amor e a verdade — disse Jesus convictamente. 

— Tens ciência dos códigos da Corte Provincial e das leis do Templo? — inquiriu Hanã, inquieto. 

— Sei qual é a vontade de meu Pai que está nos céus - respondeu o Mestre, brandamente. 
O sacerdote o contemplou irritado e, dirigindo-lhe um sorriso de profundo desprezo, demandou a Torre Antônia, em atitude de orgulhosa superioridade. No dia seguinte, pela manhã, o mesmo formoso peregrino foi ainda visto a contemplar as maravilhas do santuário, antes alguns minutos de internar-se pelas estradas banhadas de sol, a caminho de sua Galileia distante.


Daí a algum tempo, depois de haver passado por Nazaré, descansando igualmente em Caná, Jesus se encontrava nas circunvizinhanças da cidadezinha de Cafarnaum, como se procurasse, com viva atenção, algum amigo que estivesse à sua espera. Em breves instantes, ganhou as margens do Tiberíades e se dirigiu, resolutamente, a um grupo alegre de pescadores, como se, de antemão, os conhecesse a todos.

A manhã era bela, no seu manto diáfano de radiosas neblinas. As águas transparentes vinham beijar os eloendros da praia, como se brincassem ao sopro das virações perfumadas da Natureza. Os pescadores entoavam uma cantiga rude e, dispondo inteligentemente as barcaças móveis, deitavam as redes, em meio de profunda alegria. Jesus aproximou-se do grupo e, assim que dois deles desembarcaram em terra, falou-lhes com amizade:

— Simão e André, filhos de Jonas, venho da parte de Deus e vos convido a trabalhar pela instituição de seu reino na Terra! 
André lembrou-se de já o ter visto, nas cercanias de Betsaida, e do que lhe haviam dito a seu respeito, enquanto que Simão, embora agradavelmente surpreendido, o contemplava, enleado. Mas, quase a um só tempo, dando expansão aos seus temperamentos acolhedores e sinceros, exclamaram respeitosamente: 

— Sede bem-vindo!... 

Jesus então lhes falou docemente do Evangelho, com o olhar incendido de júbilos divinos. Estando muitos outros companheiros do lago a observar de longe os três, André, manifestando a sua tocante ingenuidade, exclamou comovido:

— Um rei? Mas em Cafarnaum existem tão poucas casas!.. 

Ao que Pedro obtemperou, como se a boa-vontade devesse suprir todas as deficiências:

 — O lago é muito grande e há várias aldeias circundando estas águas, O reino poderá abrangê-las todas! 

Isso dizendo, fixou em Jesus o olhar perquiridor, como se fora uma grande criança meiga e sincera, desejosa de demonstrar compreensão e bondade. O Senhor esboçou um sorriso sereno e, como se adiasse com prazer as suas explicações para mais tarde, inquiriu generosamente: 

— Quereis ser meus discípulos? 

André e Simão se interrogaram a si mesmos, permutando sentimentos de admiração embevecida. 
Refletia Pedro: que homem seria aquele? onde já lhe escutara o timbre carinhoso da voz íntima e familiar? Ambos os pescadores se esforçavam por dilatar o domínio de suas lembranças, de modo a encontrá-lo nas recordações mais queridas. Não sabiam, porém, como explicar aquela fonte de confiança e de amor que lhes brotava no âmago do espírito e, sem hesitarem, sem uma sombra de dúvida, responderam simultaneamente: 

— Senhor, seguiremos os teus passos. Jesus os abraçou com imensa ternura  e, como os demais companheiros se mostrassem admirados e trocassem entre si ditérios ridicularizadores, o Mestre, acompanhado de ambos e de grande grupo de curiosos, se encaminhou para o centro de Cafarnaum, onde se erguia a Intendência de Ântipas. 
Entrou calmamente na coletoria e, avistando um funcionário culto, conhecido publicano da cidade, perguntou-lhe:

— Que fazes tu, Levi? 

O interpelado fixou-o com surpresa; mas, seduzido pelo suave magnetismo de seu olhar, respondeu sem demora: 

— Recolho os impostos do povo, devidos a Herodes.

— Queres vir comigo para recolher os bens do céu? — perguntou-lhe Jesus, com firmeza e doçura. Levi, que seria mais tarde o apóstolo Mateus, sem que pudesse definir as santas emoções que lhe dominaram a alma, atendeu, comovido: 

— Senhor, estou pronto!..

— Então, vamos — disse Jesus, abraçando-o. Em seguida, o numeroso grupo se dirigiu para a casa de Simão Pedro, que oferecera ao Messias acolhida sincera em sua residência humilde, onde o Cristo fez a primeira exposição de sua consoladora doutrina, esclarecendo que a adesão desejada era a do coração sincero e puro, para sempre, às claridades do seu reino. Iniciou-se naquele instante a eterna união dos inseparáveis companheiros.

Na tarde desse mesmo dia, o Mestre fez a primeira pregação da Boa Nova na praça ampla, cercada de verdura e situada naturalmente junto às águas. No céu, vibravam harmonias vespertinas, como se a tarde possuísse também uma alma sensível. As árvores vizinhas acenavam os ramos verdes ao vento do crepúsculo, como mãos da Natureza que convidassem os homens à celebração daquele primeiro ágape. 

As aves ariscas pousavam de leve nas alcaparreiras mais próximas, como se também desejassem senti-lo, e na praia extensa se acotovelava a grande multidão de pescadores rústicos, de mulheres aflitas por continuadas flagelações, de crianças sujas e abandonadas, misturados publicanos pecadores com homens analfabetos e simples, que haviam acorrido, ansiosos por ouvi-lo. 

Jesus contemplou a multidão e enviou-lhe um sorriso de satisfação. Contrariamente às ironias de Hanã, ele aproveitaria o sentimento como mármore precioso e a boa-vontade como cinzel divino. Os ignorantes do mundo, os fracos, os sofredores, os desalentados, os doentes e os pecadores seriam em suas mãos o material de base para a sua construção eterna e sublime. 

Converteria toda miséria e toda dor num cântico de alegria e, tomado pelas inspirações sagradas de Deus, começou a falar da maravilhosa beleza do seu reino. Magnetizado pelo seu amor, o povo o escutava num grande transporte de ventura. No céu havia uma vibração de claridade desconhecida. Ao longe, no firmamento de Cafarnaum, o horizonte se tornara um deslumbramento de luz e, bem no alto, na cúpula dourada e silenciosa, as nuvens delicadas e alvas tomavam a forma suave das flores e dos arcanjos do Paraíso. 

Fonte: Boa Nova, Espírito Humberto de Campos, Xavier, F.C., FEB

http://bvespirita.com/Boa%20Nova%20(psicografia%20Chico%20Xavier%20-%20espirito%20Humberto%20de%20Campos).pdf

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