terça-feira, 3 de novembro de 2015

História Geral - Idade Média

Introdução

A Idade Média teve início na Europa, no século V, com as invasões germânicas (bárbaras) sobre o Império Romano do Ocidente. Essa época estende-se até o século XV com a retomada comercial e o Renascimento urbano. A Idade Média caracteriza-se pela economia ruralizada, enfraquecimento comercial, supremacia da Igreja Católica, sistema de produção feudal e sociedade hierarquizada.

Estrutura Política 

Na Idade Média, prevaleceram as relações de vassalagem e suserania. O suserano era quem dava um lote de terra ao vassalo, sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano. O vassalo oferecia ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso. Todos os poderes jurídico, econômico e político concentravam-se nas mãos dos senhores feudais, donos de lotes de terras (feudos).

Sociedade Medieval

A sociedade era estática (com pouca mobilidade social) e hierarquizada. A nobreza feudal (senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes) era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses. O clero (membros da Igreja Católica) tinha um grande poder, pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade. Era isento de impostos e arrecadava o dízimo (imposto que os fieis pagavam à Igreja). A terceira camada da sociedade era formada pelos servos (camponeses) e pequenos artesãos. Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corveia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidades (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal). 

Economia Medieval   

A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura. Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia feudal. O feudo era a base econômica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder. O artesanato também era praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas de trabalho agrícola eram extremamente rudimentares. O arado puxado por bois era muito utilizado na agricultura. 

Religião na Idade Média

Na Idade Média, a Igreja Católica dominava o cenário religioso. Detentora do poder espiritual, a Igreja influenciava o modo de pensar e as formas de comportamento na Idade Média. A igreja também tinha grande poder econômico, pois possuía terras em grande quantidade e até mesmo servos. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e copiando livros e a Bíblia em manuscritos. 

Educação, cultura e arte medieval 

A educação era para poucos, pois só os filhos (homens) dos nobres estudavam.  Esta era marcada pela influência da Igreja, ensinando o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros.

A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As pinturas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião.

Podemos dizer que, no geral, a cultura medieval foi fortemente influenciada pela religião. Na arquitetura destacou-se a construção de castelos, igrejas e catedrais.

No campo da Filosofia, podemos destacar a Escolástica (linha filosófica de base cristã), representada pelo padre dominicano, teólogo e filósofo italiano São Tomás de Aquino.

As Cruzadas

No século XI, dentro do contexto histórico da expansão árabe, os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. Diante dessa situação, o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (em 1.096), com o objetivo de expulsar os "infiéis" (árabes) da Terra Santa.  Essas batalhas, entre católicos e muçulmanos, duraram cerca de dois séculos, deixando milhares de mortos e um grande rastro de destruição. Ao mesmo tempo em que eram guerras marcadas por diferenças religiosas, também possuíam um forte caráter econômico. Muitos cavaleiros cruzados, ao retornarem para a Europa, saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas, nas chamadas feiras e rotas de comércio. De certa forma, as Cruzadas contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Após as Cruzadas, o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos comerciais.

As Guerras

Na Idade Média, a guerra era uma das principais formas de obter poder. Os senhores feudais envolviam-se em guerras para aumentar suas terras e o seu poder. Os cavaleiros formavam a base dos exércitos medievais. Corajosos, leais e equipados com escudos, elmos e espadas, e a cavalo, eles representavam o que havia de mais nobre no período medieval.

As Universidades 

Entre os séculos XII e XIII , as universidades surgiram como iniciativa da Igreja Católica  sendo um sistema de educação e de investigação (pesquisa).  As ordens que promoviam a educação e a investigação  eram a franciscana e a dominicana. A educação tinha um caráter exclusivamente eclesiástico (religioso) sendo os professores todos membros da igreja. O método da educação era a Escolástica, uma discussão de ideias com base na filosofia. 

O graduado na universidade era chamado de “artista”, ou seja, o que conhecia as sete artes liberais: direito canônico, medicina, teologia, astronomia, lógica, filosofia natural (metafísica e física de Aristóteles) e retórica. Além disso, estudava-se música e astrologia. As primeiras universidades foram as de Paris (França), Bologna (Itália), Oxford e Cambridge (Inglaterra), mais a Universidade de Coimbra (Portugal).

A Universidade de Paris destacou-se na Idade Média por seus estudos em teologia e artes

Ao longo dos séculos, o período medieval foi rotulado como os “Anos Escuros” ou “A Idade das Trevas”. Essa perspectiva negativista esteve assentada no discurso de vários intelectuais do Renascimento, que viam o mundo feudal como um grande sinônimo do atraso, do primitivismo, do abandono do pensamento racional e das ciências. 

Mas, isto é uma injustiça, pois grandes universidades surgiram na Idade Média,  bem como grandes teólogos (filósofos da Igreja Católica)  como Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona, na África,  que escreveu “A Cidade de Deus” e “Confissões”;  bem como o frade dominicano São Tomás de Aquino (1225-1274) , que escreveu “Suma Teológica”.

Santo Agostinho

Nota de Lucia Rocha: O Espírito Santo Agostinho foi um dos Espíritos Superiores que criaram e escreveram a Doutrina Espírita ou Espiritismo,  como está no final de Prolegômenos de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, obra publicada em 1857, em Paris. 

Na sua última reencarnação,  o médico espírita Adolfo Bezerra de Menezes (1831-1900) teve por guia espiritual o Espírito Santo Agostinho conforme informação que ouvi na  Casa de Recuperação e “Benefícios Bezerra de Menezes”, no Rio de Janeiro, nos anos de 1960, casa que tem por mentor espiritual o Espírito Bezerra de Menezes. (continua)

Fontes: 

http://www.suapesquisa.com/idademedia/

http://www.brasilescola.com/historia/universidades-na-idade-media.htm

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:

http://www.mundoeducacao.com/historiageral/idade-media.htm

http://www.brasilescola.com/historia/universidades-na-idade-media.htm

http://images.zeno.org/Kunstwerke/I/big/1090014a.jpg

Espiritismo e Metafísica - 2

Introdução

Estudo de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, em continuação. Para adultos e adolescentes, a partir da oitava série. Metafísica (“além das coisas físicas”) é o ramo da Filosofia que estuda a essência dos seres e dos mundos. 

“O Livro dos Espíritos” é um estudo de Metafísica. As perguntas são de Allan Kardec e as respostas são dos Espíritos Superiores, autores da obra, que ditaram o livro a diversos médiuns psicógrafos, no mundo inteiro, em meados do século XIX. O livro foi publicado em Paris, em 1857, por Allan Kardec, o codificador do Espiritismo ou Doutrina Espírita, que assina como autor da obra por ordem daqueles espíritos.  

 Este estudo é uma interpretação minha do original do século XIX,  em algumas partes sintetizado ou suprimido (quando as questões são semelhantes) e em linguagem atual. Acrescentei alguns aspectos do contexto histórico-cultural dos séculos XX e XXI, relacionados ao tema. 

CAPÍTULO II 

 Os elementos gerais do Universo

 • Conhecimento do princípio das coisas • Espírito e matéria • Propriedades da matéria • Espaço universal

CONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DAS COISAS 

17. O homem pode conhecer o princípio das coisas? 

Não. Deus não permite que tudo seja revelado ao homem na Terra. 

18. Penetrará o homem um dia o mistério das coisas que lhe estão ocultas?

 O véu  da verdade se levanta para ele quando ele evolui; mas, para compreender certas coisas, ele precisa de faculdades que ainda não possui. 

19. Não pode o homem, pelas investigações científicas, penetrar alguns dos segredos da Natureza? 

A Ciência lhe é dada para a sua evolução; mas,  ele não pode ultrapassar os limites que Deus estabeleceu. 

20. Pode o homem receber além do campo da Ciência, comunicações  mais elevadas sobre o que ele não percebe com  os sentidos? 

Sim, se Deus julgar conveniente, pode revelar-lhe  o que a ciência não consegue compreender.

ESPÍRITO E MATÉRIA 

21. A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por ele em dado momento? 

Só Deus o sabe. Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo.  

22. Define-se geralmente a matéria como  aquilo  que tem extensão,  que  pode impressionar os nossos  sentidos e que é impenetrável. São exatas estas definições? 

Pela compreensão humana, essas definições são exatas porque vocês falam somente sobre o que conhecem. Mas a matéria existe também em outros  estados que vocês não conhecem.  Pode ser de tal modo etérea e sutil que nenhuma impressão lhes cause aos sentidos. Mas,  é sempre matéria. Para vocês,  porém, não seria.

a) — Que definição podem dar da matéria? 

A matéria é o laço que prende o espírito; é o instrumento de que ele se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.

Espírito

23. Que é o espírito?

O princípio inteligente do Universo. 

a) — Qual a natureza íntima do espírito? 

Não é fácil analisar o Espírito na sua linguagem. Para vocês, o Espirito não é nada porque não é palpável; para nós, contudo, é alguma coisa. Pois, o nada não existe.

24. Espírito é sinônimo de inteligência? 

A inteligência é um característica essencial do espírito. Eles se confundem num princípio comum, por isso, para vocês, são a mesma coisa.

25. O espírito é independente da matéria ou é uma propriedade desta, como as cores são da luz e o som é do ar? 

São diferentes um do outro; mas, a união do espírito com a matéria é necessária para intelectualizar a matéria.

 a) — Essa união à matéria é necessária para a manifestação do espírito?

(Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência e não as individualidades que são designadas por esse nome.) 

Vocês não podem perceber o espírito através dos seus cinco sentidos. Para percebê-lo, vocês precisam da matéria. 

 26. Poder-se-á conceber o espírito sem a matéria e a matéria sem o espírito? 

Sim, certamente,  pelo pensamento.

 27. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito? 

Sim e acima de tudo Deus, o Criador, o Pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal

O fluido universal, ou primitivo, ou elementar, está colocado entre o espírito e a matéria. O espírito se utiliza dele para atuar sobre a matéria. O fluido elétrico (eletricidade) e o fluido magnético (magnetismo) são modificações do fluido universal. 

28. Pois se o espírito é alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos duas designações  — matéria inerte e matéria inteligente? 

As palavras pouco nos importam. A linguagem humana é incompleta para designar as coisas que não são percebidas através dos cinco sentidos.

PROPRIEDADES DA MATÉRIA 

29. A ponderabilidade (propriedade do que pode ser pesado) é um atributo essencial da matéria? 

Da matéria que vocês conhecem, sim; não, porém, da matéria considerada como fluido universal.  O fluido cósmico universal é uma matéria imponderável para os sentidos de vocês.   Mas, nem por isso ele deixa de ser o princípio da vossa matéria ponderável (que pode ser pesada).

Um pouco do que diz a ciência no século XXI

O “Livro dos Espíritos” foi publicado em 1857, meados do século XIX.  As questões que estamos estudamos nesse livro sobre a matéria e outras se referem à ciência daquela época.  Portanto, naquela época, os Espíritos Superiores que deram as respostas às perguntas de Kardec só poderiam falar sobre o que os homens da época conheciam. Mas, a ciência evoluiu, estamos no século XXI. 

Assim, atualmente, a Química, uma das  ciências que estudam a matéria, já caminhou muitos passos. Ela estuda a constituição da matéria, sua estrutura interna, as relações entre os diversos tipos de materiais encontrados na natureza, além de determinar suas propriedades, sejam elas físicas – como, por exemplo, cor, ponto de fusão, densidade, etc. – ou químicas, que são as transformações de uma substância em outra. 

Chamamos matéria a tudo que tem massa, ocupa lugar no espaço e pode, portanto, de alguma forma, ser medido. Por exemplo: madeira, alumínio, ferro, ar, etc.

As propriedades comuns (gerais) a toda e qualquer espécie de matéria, independentemente da substância de que ela é feita, são: massa, extensão, impenetrabilidade, divisibilidade, compressibilidade e elasticidade.

A massa é uma propriedade dos corpos relacionada à quantidade de matéria que o corpo possui. Ela é uma grandeza que pode ser medida. A medida padrão utilizada para medir a massa é o quilograma (kg), segundo o sistema internacional de Unidades (SI). O grama (g) é uma unidade de massa  empregado na medida de pequenas quantidades de massa. A balança é o instrumento utilizado para medir a massa. 

Balança de pratos

Balança eletrônica 

Nota:  As outras propriedades gerais da matéria são extensibilidade, impenetrabilidade, divisibilidade, compressividade e elasticidade.

(http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Oitava_quimica/materia.php)

Continuação de “O Livro dos Espíritos” 

30. A matéria é formada de um só ou de muitos elementos? 

De um só elemento primitivo. Os corpos que vocês consideram simples ainda são transformações da matéria primitiva. 

O que diz a ciência em nossos dias 

Atualmente, a Astronomia também estuda a matéria. A Astronomia é a ciência que estuda os astros e a estrutura do universo. O astrônomo desenvolve teorias e as testa, confrontando-as com a observação da realidade. Ele pode investigar a origem e a evolução do universo e as forças que o regem. Pode também se dedicar à observação e ao registro de imagens de objetos celestes, como estrelas, planetas, cometas, asteroides ou galáxias, a fim de estudar seu movimento, sua disposição no espaço e relação com os demais corpos da região. Para isso, faz uso de telescópios e câmeras, analisando a composição química e as características físicas da superfície dos astros. A astronomia é a ciência de observação mais antiga.  

http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/ciencias-exatas-informatica/astronomia-684525.shtml

Matéria escura

Embora não possa ser observada diretamente, os efeitos gravitacionais da matéria escura permitem mapeá-la. Na imagem acima do microscópio Hubble (Hubble Space Telescope- Nasa), a distribuição da matéria escura no aglomerado de galáxias Cl 0024+17 está indicada pela nebulosidade azul. 

(Crédito: NASA, ESA, M.J. Jee and H. Ford (Johns Hopkins University).

Em abril de 2015, cientistas encontraram pista para desvendar o mistério da matéria escura. 

A matéria escura, um material invisível, hipotético,  que faria parte de 85% do nosso universo, pode interagir com outras forças além da gravidade. É o que afirmam os autores de um trabalho publicado em abril de 2015 pela revista britânica "Monthly Notices da Royal Astronomical Society".

"Nós descobrimos que a matéria escura pode ter mais uma carta na manga, podendo afetar as coisas ao redor de outra forma, por meio de outras forças", explicou Richard Massey, astrofísico do Instituto de Cosmologia Computacional da Universidade de Durham, no Reino Unido.

Teorizada por físicos, na década de 1930, a matéria escura e invisível tem sua existência deduzida indiretamente através dos seus efeitos gravitacionais sobre a matéria visível.

“É embaraçoso o quão pouco sabemos sobre a matéria escura", admitiu Massey, coautor da pesquisa. "Até hoje nós não sabemos quase nada, e agora adicionamos um pequeno elemento de compreensão".

 Investigada colisão de galáxias

A partir de observações feitas com o telescópio espacial Hubble e do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), uma equipe internacional de cientistas examinou a colisão de quatro galáxias, situadas no centro de um aglomerado de galáxias, a 1,3 bilhão de anos-luz da Terra.

Eles perceberam, então, que um aglomerado de matéria escura estava muito atrás de uma das galáxias que o cercava, acusando um atraso estimado em 5.000 anos-luz. "Se (a matéria escura) foi retardada durante a colisão, este pode ser o primeiro sinal de dinamismo".

O atraso teria origem em uma espécie de "névoa" de matéria escura e de átomos de hidrogênio. "É como entrar em um nevoeiro tão grosso que você entra em atrito com ele e que o impede de se mover", explicou o pesquisador.

"A matéria escura [da galáxia, ndlr] tomou um caminho diferente e acabou em um lugar diferente", em um fenômeno "surpreendente", já que "nós não o observamos em nenhuma outra galáxia". Segundo os pesquisadores, mais estudos são necessários para determinar se outros efeitos potenciais também poderiam causar o atraso da matéria escura.

(http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/04/cientistas-encontram-pista-para-desvendar-misterio-da-materia-escura.html)

Telescópio Hubble

O telescópio é um instrumento usado pela Astronomia. Em 1990,  a Nasa lançou no espaço o Telescópio Espacial Hubble,  um satélite artificial não tripulado que está na órbita da Terra.  As fotografias feitas por ele foram essenciais para a popularização da Astronomia. A Nasa (National Aeronautics and Space Adminstration), criada em 1958, é uma agência do governo dos Estados Unidos, responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial. Foi a Nasa que enviou o homem à Lua  através do projeto Apollo 9. Os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram na Lua no dia 20 de julho de 1969, há 46 anos. Armstrong fincou no solo lunar a bandeira americana. Ele disse que pisar na Lua era um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade. Ele viu que a Terra é azul. 

A Rede Globo mostrou em preto e branco, via satélite e com absoluta nitidez, as imagens  do primeiro grande feito do homem na exploração espacial.   

Neil Armstrong na Lua

O telescópio Hubble   é o avô dos telescópios e  foi o primeiro dos grandes telescópios construídos pela Nasa. Na órbita da Terra, o Hubble ajudou a esclarecer alguns mistérios astronômicos como a escala do espaço, o ciclo de vida das estrelas, os buracos negros e a formação das primeiras galáxias. Mas, as observações astronômicas não são feitas apenas pelo Hubble, que, no momento, é o principal. Outros telescópios exploram outros aspectos do espaço. A Nasa lançou mais sete telescópios no espaço com missões específicas. 

Em 25 de abril de 2015, o Hubble comemorou 25 anos de existência no espaço, revolucionando a Astronomia. 

(http://hypescience.com/os-mais-importantes-telescopios-do-mundo/
http://noticias.terra.com.br/ciencia/espaco/telescopio-espacial-hubble-25-anos-revolucionando-a-astronomia,e1885f05147ec410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html)

Continuação do estudo de “O Livro dos Espíritos”

31. Qual a origem das diferentes propriedades da matéria? 

São modificações  que as moléculas elementares sofrem pela sua união, em certas circunstâncias.

32. Sendo assim, então os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos não passam de modificações de uma única substância primitiva? 

Sim, mas só existem através dos órgãos humanos destinados a percebê-las.

34. As moléculas têm forma determinada? 

Sim,  as moléculas têm uma forma, mas, vocês não são capazes de apreciá-la.

a) — Essa forma é constante ou variável? 

É constante para as moléculas elementares primitivas  e variável para as moléculas secundárias que são apenas aglomerações das primeiras. Porque, o que você chamam de  molécula ainda está longe de ser a molécula elementar. 

ESPAÇO UNIVERSAL

35. O Espaço universal é infinito ou limitado? 

É infinito. Se ele tivesse limite, haveria alguma coisa depois dele. Mas até o vazio absoluto depois dele ainda seria Espaço.

36. O vácuo absoluto existe em alguma parte no Espaço universal? 

Não, não há vácuo. O que parece vazio está ocupado por matéria que escapa aos sentidos e aos instrumentos de vocês. 

(Fim do Segundo Capítulo; só omiti a pergunta 33 por considerá-la uma informação científica ultrapassada. Utilizei palavras minhas, por isso não coloquei nada entre aspas. Continua)

Fontes: 

 Kardec, Allan, “O Livro dos Espíritos”, FEB

http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Oitava_quimica/materia.php

http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/ciencias-exatas-informatica/astronomia-684525.shtml

http://super.abril.com.br/veja-40-fotos-incriveis-tiradas-pelo-telescopio-espacial-hubble

https://pt.wikipedia.org/wiki/NASA

http://memoriaglobo.globo.com/mobile/programas/jornalismo/coberturas/chegada-do-homem-a-lua/mundo-novo-da-televisao.htm

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqQpC6YzqbaMfh0uca_TtfItEgZFxlxsU-0brMVKwXvdVigu1h0ZvLgdBDmTxWmaNFPJZEFYaWM1LqHH6HJU-WW41BBuVFVVWN58g9M-GjtFtdg4UFxn65gnBjSEOhJQtAH2d7NDJeGE8T/s1600/perispirito+aura+humana+2_505x656.jpg

http://www.sobiologia.com.br/figuras/Oitava_quimica/balanca.jpg

http://www.quimica.seed.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/6/normal_142balanca_q520.jpg

http://static.businessinsider.com/image/5508b073eab8eab11f092d79/image.jpg

http://m.c.lnkd.licdn.com/mpr/mpr/AAEAAQAAAAAAAAJOAAAAJDY4ODcwZTVmLTM4NjItNDlkYy05OTZjLTJmZTc3MTc1MjE0Mg.jpg

http://img.new.livestream.com/accounts/00000000006a2d9f/7328fd4f-09a8-41af-8292-e00b01722bc5.jpg

http://memoriaglobo.globo.com/mobile/programas/jornalismo/coberturas/chegada-do-homem-a-lua/mundo-novo-da-televisao.htm

A Casa de Machado de Assis

A Academia Brasileira de Letras (ABL) completou 118 anos de fundação em 20 de julho de 2015. A ABL é chamada a Casa de Machado de Assis, seu fundador e primeiro presidente. 

A ABL foi criada nos moldes da Academia Francesa de Letras, pois, na época, Paris era chamada a Cidade Luz, o centro cultural mais importante do mundo. Até hoje Paris detém esse título. 

Na época da fundação da ABL, o francês era a segunda língua mais falada em muitos países, depois da língua  pátria, inclusive pelos intelectuais do Brasil. 

Quando foi fundada, a ABL tinha 30 membros ou Cadeiras. Hoje tem 40 membros efetivos e 20 sócios estrangeiros. A escritora Ana Maria Machado foi a segunda mulher a ocupar o cargo de presidente da ABL pelo biênio 2012-2013. A primeira foi Nélida Piñon, em 1996.

O atual presidente da Academia é Geraldo Holanda Cavalcanti, desde 2014.

Petit Trianon, sede da ABL

Dez curiosidades sobre a Academia Brasileira de Letras

1. A Academia Brasileira de Letras (ABL) foi fundada em 1897 pelos escritores Machado de Assis e Lúcio de Mendonça, inspirada na Academia Francesa de Letras. Seu objetivo é cultivar a língua portuguesa e a literatura brasileira. A ABL é a guardiã oficial da nossa língua pátria. A ABL empenhou-se nos diversos acordos ortográficos da nossa língua; o último foi de 1990. 

A Academia é responsável pela edição de obras de grande valor histórico e literário e atribui diversos prêmios literários. Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) foi o maior escritor do século XIX, lido e apreciado até hoje. Seus romances são pedidos em vestibulares à universidade. 

2. Todas as quintas-feiras os membro da ABL se reúnem para um chá, à tarde, na sede da instituição, no Rio de Janeiro. Na ocasião, eles discutem literatura, língua portuguesa e outros temas da vida brasileira. O ritual existe desde a criação da academia no final do século XIX.

3. O poeta  Olavo Bilac dizia que os escritores eram chamados de imortais "porque não tinham onde cair mortos". Hoje em dia, todos têm o direito de ser enterrados no mausoléu da ABL, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

4. O alfaiate Francesco Rosalba é o responsável pela confecção do uniforme de gala - ou fardão, como é conhecido - usado pelos imortais em ocasiões formais. De 1979 a 2005, apenas o pernambucano Ariano Suassuna havia se recusado a usar as roupas costuradas por Rosalba.

5. O modelo do fardão é inspirado na roupa dos carabineros da Calábria, Itália. Compõe-se de uma casaca verde musgo bordada com fios de ouro, camiseta, suspensório e um chapéu estilo Napoleão.

6. Alguns imortais foram enterrados usando seus fardões. Foi o caso Francisco  de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello (ou Assis chateaubriand ou Chatô). O problema foi que, como ele não usava a roupa havia muitos anos, quando foram vestir o cadáver, tiveram que cortar a parte de trás para caber nele.

7. Na biblioteca da academia, há coleções que pertenceram ao escritor Machado de Assis e aos poetas Olavo Bilac e Manuel Bandeira. Entre as obras raras, figura uma edição de 1572 de "Os Lusíadas", do poeta português Luís Vaz de Camões (1524-1580). 

8. Em 2005, o apresentador e humorista Jô Soares publicou o romance "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras". O lançamento da obra foi realizado no mesmo local onde ocorrem os crimes da trama: o Petit Trianon, sede da Academia Brasileira de Letras. A história conta o caso de um serial killer cujo alvo preferencial são os membros da ABL. (Petit Trianon, do francês Pequeno Trianon).

9. Passaram-se 80 anos até que uma mulher fosse eleita para ocupar uma cadeira na Academia. A primeira foi a escritora  Rachel de Queiroz, em 1977.

10. Os "imortais" têm, em média, 77 anos de idade. Em média, eles foram eleitos aos 63 anos.

Guia dos Curiosos 

Petit Trianon, detalhe

Petit Trianon

Em 1923, o governo francês doou à Academia Brasileira de Letras um prédio, réplica do Petit Trianon do Palácio de Versalhes, em Paris. Ele foi construído no ano anterior para abrigar o pavilhão da França na Exposição Internacional comemorativa do Centenário da Independência do Brasil, no Rio de Janeiro. 

Primeira sede própria da Academia, o prédio funciona até os dias de hoje como local para as reuniões regulares dos Acadêmicos e para as Sessões Solenes comemorativas e de posse dos novos membros da ABL. 

(Nota: do francês, Petit Trianon, Pequeno Trianon)

As salas

No jardim, junto à entrada do Petit Trianon, encontra-se um dos mais conhecidos símbolos da Casa: a escultura em bronze de Machado de Assis, de autoria de Humberto Cozzo.

O Saguão, com piso em mármore, lustre de cristal francês e peças de porcelana de Sévres, conduz ao Salão Nobre, ao Salão Francês e à Sala Francisco Alves. O andar térreo compreende a Sala dos Poetas Românticos, a Sala Machado de Assis e a Sala dos Fundadores.

No Salão Francês, o Acadêmico eleito cumpre a tradição de permanecer sozinho, em momentos de reflexão, antes da cerimônia de posse. A seguir, Acadêmicos especialmente designados buscam o novo confrade e o introduzem no Salão Nobre, onde será empossado na Cadeira para a qual foi eleito.

À semelhança da Academia Francesa, nas solenidades, os imortais brasileiros usam o fardão, vestimenta verde escuro com folhas bordadas a ouro, que tem como complemento um  chapéu de veludo negro com plumas brancas e uma espada. As Acadêmicas, mulheres que passaram a integrar a Casa de Machado de Assis, em 1977, usam, para as solenidades,  um longo e reto vestido de crepe, na mesma tonalidade do fardão, também com folhas bordadas a ouro. 


Além das posses, realizam-se no Salão Nobre as Sessões Solenes e as Sessões Ordinárias comemorativas.

No lado oposto ao do Saguão, a Sala dos Poetas Românticos abre-se para um belo pátio e homenageia os poetas brasileiros Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Fagundes Varela e Gonçalves Dias, imortalizados em bustos de bronze. 

Na Sala Machado de Assis, organizada pelo Acadêmico Josué Montello, destacam-se objetos pessoais do escritor, tais  como livros de sua biblioteca, a escrivaninha onde trabalhava e um  belo retrato a óleo de autoria de Henrique Bernardelli.

A Sala dos Fundadores e a Sala Francisco Alves, onde são realizados os lançamentos dos livros dos Acadêmicos, abrigam importantes obras de arte e peças decorativas do acervo da Academia.

No segundo andar do Petit Trianon, estão a valiosa Biblioteca Acadêmica Lúcio de Mendonça, a Sala de Sessões e o Salão de Chá,  onde se reúnem os Acadêmicos, às quintas-feiras.

Uma grande reprodução dos Estatutos da Academia, de 1897, assinados por Machado de Assis, Joaquim Nabuco e membros da primeira Diretoria, está afixada na Sala de Sessões, que também possui dois painéis com retratos dos fundadores e dos patronos das 40 Cadeiras da ABL.

Fontes:

http://www.scielo.br/pdf/ts/v22n1/v22n1a08.pdf

http://www.academia.org.br/abl/media/Discurso%20110%20Anos%20-%20PARA%20INTERNET.pdf

http://guiadoscuriosos.com.br/categorias/423/1/academia-brasileira-de-letras.html

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:
http://www.zun.com.br/imagem/500x335/cache/fotos/2011/08/Academia-Brasileira-de-Letras-membros.jpg

http://www.academia.org.br/academia/petit-trianon

Tamanho do Cérebro e Sono

Cientista brasileira desvenda mistério de relação entre tamanho do cérebro e horas de sono

Os cientistas já sabiam que o tempo de sono varia muito entre os mamíferos e que, quanto maior o animal, mais horas ele passa acordado.

Os elefantes têm uma concentração menor de neurônios, o que afeta sua necessidade de sono: ele passa 21 horas por dia acordado. 

Por sua vez, as girafas são praticamente insones pelos padrões humanos: dormem quatro horas por dia no máximo. Já os camundongos dormem praticamente todo o tempo 

Um morcego passa até 20 horas dormindo.  Mas o que ninguém conseguia explicar até hoje é o que exatamente determina essa diferença tão grande. 

Um novo estudo, publicado no periódico científico Proceedings of the Royal Society B pela neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel, propõe uma explicação surpreendente sobre o assunto.

A quantidade de sono seria proporcional à concentração de neurônios no cérebro. Ou seja, quanto maior a densidade de células nervosas, é necessário passar mais tempo dormindo.

O estudo de Houzel revela que a explicação está na densidade dos neurônios  e no tempo necessário para a “faxina” mental. 

Faxina

A função exata do sono foi por muitos anos um mistério para os cientistas. Era sabido que este hábito trazia inúmeros benefícios às funções cerebrais e à cognição.

O sono é fundamental para o aprendizado e para a consolidação das memórias, por exemplo. A maioria dos especialistas considera, no entanto, que essas não são as funções primordiais do sono, mas uma espécie de bônus.

Um estudo de 2013 publicado na revista Science por especialistas da Universidade de Rochester e da Universidade de Nova York revelou um aspecto importantíssimo do sono.

É quando estamos adormecidos que ocorre uma "faxina" do cérebro, a limpeza de toxinas e detritos derivados das conexões cerebrais que se acumulam ao longo do dia.

Dormir promove uma “faxina” no cérebro e uma melhora na capacidade mental.

Quando os animais são privados de sono, essas toxinas em excesso podem comprometer a capacidade mental.

Necessidades diferentes

Segundo a cientista brasileira Houzel,  quanto maior a concentração de neurônios, mais conexões ocorrem e mais toxinas - também chamadas de metabólitos - são produzidas.

Um cérebro com alta concentração de neurônios produz muitos detritos. Por isso, precisa de uma faxina mais caprichada, ou, simplesmente, mais tempo de sono.

No minúsculo cérebro dos morcegos, a concentração de células nervosas é altíssima, e a limpeza precisa ser mais pesada.

Em compensação, no cérebro do elefante, que pesa nada menos que cinco quilos, a densidade de neurônios é baixa. Em poucas horas, a "faxina" está completa.

"A função do sono já estava bem estabelecida, mas esta é a primeira vez que conseguimos uma explicação razoável e que possa ser testada sobre necessidades tão diferentes de sono", constatou Houzel, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"O curioso é que, quanto mais tempo um animal passa dormindo, menos tempo ele tem para comer. Por isso, precisa ser pequeno. Por outro lado, quanto mais tempo permanece acordado, mais tempo tem para buscar comida. Assim, pode ter um corpo maior. É um mecanismo de bola de neve."

No caso do elefante, por exemplo, é necessário dormir pouco porque, para manter seu corpo e com seu tamanho de cérebro, ele precisa comer durante 18 horas por dia.

Seres humanos

“Os seres humanos conseguiram driblar esse problema de animais maiores (ter que passar boa parte do tempo comendo) quando começaram a cozinhar os alimentos.

Com o cozimento, tornou-se possível ingerir muitas calorias em pouco tempo, o que liberou o homem para outras atividades.

Mas o padrão de sono do homem varia muito também dentro da própria espécie. Enquanto um recém-nascido dorme de 16 a 18 horas por dia, os idosos tendem a dormir menos que as oito horas regulamentares. A necessidade do tempo de sono diminui conforme envelhecemos.

O que acontece nesse caso é que já nascemos com mais ou menos o número de neurônios que teremos na idade adulta. Mas, no cérebro pequeno de um bebê, a concentração é muito maior e, por isso, ele dorme mais", disse a neurocientista.

"Conforme crescemos e mantemos o mesmo número de neurônios, a concentração diminui. No caso dos idosos, como perdemos neurônios com a idade, é esperado que durmam menos."

Nota: A entrevista com a neurocientista brasileira foi exibida na edição do dia 24  de setembro deste ano no Jornal Nacional. Na manhã seguinte, este artigo já estava na internet. A autora da pesquisa, Suzana Herculano-Houzel, publica muitos artigos na internet divulgando suas pesquisas e de outros autores. Ela é professora e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Fonte:

http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2015-09-23/cientista-desvenda-misterio-de-relacao-entre-tamanho-do-cerebro-e-horas-de-sono.html

Profa. Lúcia Rocha

Imagem:

http://www.robolaranja.com.br/wp-content/uploads/2014/09/18-GIFs-de-filhotes-de-elefante-se-divertindo-com-suas-trombas-0.jpg

A Oração Ave Maria

História

A oração  “Ave Maria” é um texto da igreja católica. Inicialmente ela era escrita e dita apenas em latim e somente pelos padres da igreja católica, que foi fundada há mais de dois mil anos. Séculos depois, ela passou a ser escrita e dita nas línguas nacionais dos países católicos.   

A primeira parte da  “Ave Maria” reproduz  o registro de dois fatos históricos importantes que ocorreram antes do nascimento de Jesus, conforme os evangelistas anotaram no início da era cristã, há mais de dois mil anos. Abaixo, a versão que o evangelista Lucas registrou no seu Evangelho: 

“26. Quando Isabel estava no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27. a uma virgem prometida em casamento a um homem de nome José, da casa de Davi. A virgem se chamava Maria. 28. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Ave! Cheia de graça! O Senhor é contigo”. 29. Ela perturbou-se com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30. O anjo, então, disse: “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus. 31. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32. Ele será grande; será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. 33. Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó, e o seu reino não terá fim”. 

34. Maria, então, perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço varão?” 35. O anjo respondeu: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus. 36. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice. Este já é o sexto mês daquela que era chamada estéril, 37. pois para Deus nada é impossível”. 38. Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o anjo retirou-se.”  Logo após a Anunciação, Maria partiu imediatamente para Hebron, ao sul de Jerusalém, para visitar sua prima Isabel e o marido dela, Zacarias. 

(Lucas, 1: 26-38 e 42.) 

Os católicos creem que o objetivo desta visita foi levar a graça divina para Isabel e para o seu filho ainda não nascido, João Batista. Creem ainda que o fato de João ter "chutado" dentro do ventre de Isabel, quando Maria cumprimentou sua prima,  foi o sinal de que ele reconheceu a presença de Jesus.  O diálogo travado entre as duas, como preservado no texto de Lucas, tornou-se mais uma parte da oração da Ave Maria, quando Isabel diz: «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre» (Lucas, 1:42)

***   

Nota 1:  A visita do Anjo Gabriel à Virgem Maria é chamada “Anunciação” pela igreja católica. A visita da Virgem  Maria à prima Isabel é chamada “Visitação”.

Nota 2: A primeira parte da oração “Ave Maria” dos católicos reproduz os referidos fatos do  Evangelho:  “Ave, Maria, cheia de graças, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.” A segunda parte não está na Bíblia, pois foi depois acrescentada pela igreja católica: “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.”  

Nota 3: A religião católica afirma que cada vez que se reza a “Ave Maria”, a Virgem Maria louva a Deus no céu com seu canto chamado  “Magnificat”.

Nota 4: A “Ave Maria” não é uma oração adotada pelo Espiritismo. A única oração padronizada  que o Espiritismo adota é o “Pai Nosso” que Jesus ensinou aos seus discípulos, como Mateus registrou no capítulo 6: 9-13 do seu Evangelho. Mas, eu coloco a Ave Maria aqui porque parte dela se refere a fatos da vida de Jesus. E também porque, na música, nós podemos apreciar várias versões da Ave Maria, de diversos compositores, todas muito bonitas e plenas de religiosidade. Mas, a música não tem religião. 

Na música

 A “Ave Maria” na versão católica, em latim, é a letra de algumas músicas eruditas clássicas cantadas, com as devidas adaptações às melodias. As mais conhecidas são a de Franz Schubert e a de Bach-Gounod, as mais belas.

Gosto mais ainda da de Schubert. A “Ave Maria” desses compositores  também é executada apenas em instrumental e orquestra. 

A origem da música Ave Maria de Bach-Gounod 

Numa reunião de amigos, o compositor francês Charles Gounod (pronuncia-se Gunô) apresentou uma melodia a que deu o nome de “Meditação”. Essa melodia tinha como base (harmonia, popularmente chamada de “acompanhamento”) o Prelúdio n º 1 em Dó Maior do Cravo Bem Temperado, volume 1, de Johann Sebastian Bach, escrito 137 anos antes. 

Em 1859, Gounod fez alguns ajustes ao Prelúdio e juntou o texto da Ave Maria, em latim, dedicando essa peça à sua namorada. O resultado foi um das mais belas composições da história da música, que tem sido interpretada ao longo dos tempos. 

Para perceber a origem da Ave Maria de Bach-Gounod, ouvir primeiro o Prelúdio nº 1 em Dó Maior de Bach (duração, menos de 5 minutos) e depois com a melodia na versão completa da música, outros 5 minutos.  

Para ouvir acesse:

Prelude and Fugue in C Major, J.S. Bach

Coro San Marco - Ave Maria Bach Gounod

Na pintura

A Anunciação foi um tema explorado pelos grandes pintores retratistas do Renascimento.

Anunciação, Boticelli

A “Anunciação” de Sandro Boticelli eu considero a mais bela. Usando a criatividade, ele representa a Virgem Maria e o Anjo Gabriel com vestes sofisticadas num ambiente de luxo, o que não correspondia à realidade. Na cena retratada, o anjo faz a anunciação  ajoelhado perante a Virgem Maria numa reverência respeitosa. Esta, em pé, de cabeça baixa e mãos estendidas, recebe a anunciação divina em pose de submissa surpresa. Na obra, a predominância do vermelho e amarelo das figuras e assoalho - cores quentes - passam a ideia da alegria contida que a Virgem Maria estaria sentindo por ter sido escolhida como mãe de Jesus.

Anunciação, Da Vinci

Uma bela obra, bastante conhecida, é a “Anunciação” de Leonardo da Vinci, que retrata a Virgem  Maria na sua real simplicidade numa cena campestre.

Anunciação, Raphael

Uma obra pouco conhecida é a bela “Anunciação” de Raphael, uma cena no interior de um grande pátio com colunas, composição que não é realista. 

Sandro Boticelli (1445-1510)  foi pintor retratista do início do Renascimento. 

Leonardo da Vinci (1452-1519) e Raphael Sanzio (1483-1520) foram do Alto Renascimento. Eles pintaram muitas madonas.   

A “Anunciação” de Boticelli está na Galleria degli Uffizi, em Florença, Itália.

A “Anunciação” de da Vinci está na Galleria degli Uffizi, em Florença. 

A “Anunciação” de Raphael está num dos Museus Vaticanos, cidade do Vaticano, Roma, Itália.   

 A “Madona do Magnificat”, de Boticelli, está na Galleria degli Uffizi, em Florença.

Madona do Magnificat, Boticelli

Fontes: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anuncia%C3%A7%C3%A3o 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Visita%C3%A7%C3%A3o

História da Arte, vol. 5,  Salvat Editora do Brasil Ltda, São Paulo, 1978. Nota: Esta enciclopédia de arte tem 6 volumes e pertence à Raquel Helena.  

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:

http://firepic.org/images/2015-01/23/km1gv7nv94l0.jpg

http://rosaryforworldpeace.com/RWPBLOGIMAGES/Leonardo_Da_Vinci_-_Annunciazione_LowRez.jpg

https://jpewinfield.files.wordpress.com/2014/03/raphael-the-annunciation.jpg

http://2.bp.blogspot.com/-t_AzdTuIjRY/UueGcZ8pHII/AAAAAAAAJq4/SCKR5pzOFjg/s1600/3.jpg

Psicologia: as Máscaras

Introdução

As máscaras do Carnaval de Veneza são belos trabalhos artesanais, apreciados no mundo todo. Mas, como o nome diz, são um tipo de Carnaval, FANTASIA, brincadeira. Algumas peças de teatro também usam máscaras na composição do figurino, até hoje.  Mas, teatro é pura fantasia, não é realidade, só entretenimento sadio. No nordeste brasileiro há festividades populares que usam máscaras nas ruas.

Jung

A Psicologia explica que “persona” é uma palavra de origem latina, nome de uma máscara usada pelos atores na antiguidade. O psicólogo Carl Gustav Jung, psicoterapeuta de meados do século XX,  usou a palavra persona para mostrar a maneira como uma pessoa adapta-se ao mundo. Assim, a persona ou máscara de uma pessoa é a sua maneira de ser socialmente. Essa máscara é necessária para uma adaptação à vida social e para a sobrevivência em sociedade, pois as outras pessoas nos julgam o tempo todo. 

Já na infância, a criança tenta se comportar bem para receber aprovação de suas atitudes. Isso é uma máscara que ela usa para ser aprovada socialmente. Enquanto cresce, pais e professores na escola vão lhe transmitindo valores. Assim, aos poucos se desenvolve a sua “persona”(máscara) , que estará presente na sua profissão e nos papéis da sua vida inteira.  

Mas, o uso da máscara pode nos fazer esquecer do nosso ego, do nosso verdadeiro eu, nossa personalidade. Quando alguém se identifica somente com a persona (máscara) e esquece-se do ego (eu, personalidade), tende a ficar frio e vazio.

Não ter “persona” (máscara) é tão negativo quanto tê-la em excesso. A máscara  é necessária, por exemplo,  para nos relacionarmos com uma certa civilidade: ninguém fala tudo o que sente, há um limite, um respeito com o próximo, por isso usa uma máscara.

(http://amigosdofreud.blogspot.com.br/2012/02/persona-e-sombra-na-psicologia.html)

Considerações

Um médico, diante de um doente terminal, também costuma usar uma máscara para não lhe falar a verdade cruel. E assim, na vida em família, com o companheiro e em sociedade, muitas vezes precisamos usar uma máscara para não sermos cruéis.

Toda vez que falamos uma mentira, estamos usando uma máscara, inclusive  para fugir da responsabilidade por um erro que tenhamos cometido. Os adolescentes costumam usar muitas máscaras: mentem por medo das pessoas, do mundo.  Mas, isso é normal, coisa que ele vai deixando conforme vai amadurecendo, tornando-se adulto. Mas, há adultos que vivem eternamente atrás de máscaras por falta de coragem de enfrentar suas responsabilidades. A coragem é uma virtude de quem já não precisa se esconder atrás de certas máscaras.  

Mas, que o uso da máscara não seja para enganar as pessoas, prejudicando-as. E que o uso da máscara não nos faça esquecer do nosso eu, de quem somos verdadeiramente.

Como diz, em outras palavras, o psicólogo Augusto Cury, cada um dá o que tem, por isso não devemos esperar que as pessoas sejam o que elas não conseguem ser.    

O Espírito André Luiz diz: “Nosso espírito assume centenas de reencarnações para aprimorar a personalidade.” (“Os Mensageiros”, Xavier, F.C., FEB). 

Fontes:

Cury, Augusto . Ansiedade, o mal do século

Espírito André Luiz, “Conduta Espírita”, Xavier, F.C., FEB

http://amigosdofreud.blogspot.com.br/2012/02/persona-e-sombra-na-psicologia.html

Profa.  Lucia Rocha

Imagem: http://morephotos.pl/wp-content/uploads/2011/10/zdjecie-z-imprezy.jpg

Contos do Livro "Boa Nova" - 1

Hoje, começo a publicar uma série de trinta contos do livro “Boa Nova”. Com o auxílio da psicografia de Francisco Cândido Xavier, o Espírito Humberto de Campos apresenta 30 episódios relacionados ao Cristo, seus discípulos e importantes personagens bíblicos, como Zebedeu, Maria de Magdala, Pedro, Tomé e outros, que tiveram suas existências tocadas pelos ensinamentos e amor de Jesus.

BOA NOVA

Os historiadores do Império Romano sempre observaram com espanto os profundos contrastes da gloriosa época de Augusto. Caio Júlio César Otávio chegara ao poder, não obstante o lustre de sua notável ascendência, por uma série de acontecimentos felizes. As mensalidades mais altas da antiga República não acreditavam no seu triunfo. Aliando-se contra a usurpação de Antônio, com os próprios conjurados que haviam praticado o assassínio de seu pai adotivo, suas pretensões foram sempre contrariadas por sombrias perspectivas. Entretanto, suas primeiras vitórias começaram com a instituição do triunvirato e, em seguida, os desastres de Antônio, no Oriente, lhe abriram inesperados caminhos. Como se o mundo pressentisse uma abençoada renovação de valores no tempo, em breve todas as legiões se entregavam, sem resistência, ao filho do soberano assassinado. Uma nova era principiara com aquele jovem enérgico e magnânimo. O grande império do mundo, como que influenciado por um conjunto de forças estranhas, descansava numa onda de harmonia e de júbilo, depois de guerras seculares e tenebrosas. Por toda parte levantavam-se templos e monumentos preciosos. O hino de uma paz duradoura começava em Roma para terminar na mais remota de suas províncias, acompanhado de amplas manifestações de alegria por parte da plebe anônima e sofredora. A cidade dos Césares se povoava de artistas, de espíritos nobres e realizadores. Em todos os recantos, permanecia a sagrada emoção de segurança, enquanto o organismo das leis se renovava, distribuindo os bens da educação e da justiça.

No entanto, o inesquecível Imperador era franzino e doente. Os cronistas da época referem-se, por mais de uma vez, às manchas que lhe cobriam a epiderme, transformando-se, de vez em quando, em dardos dolorosos. Otávio nunca foi senhor de uma saúde completa. Suas pernas viviam sempre enroladas em faixas e sua caixa torácica convenientemente  resguardada contra os golpes de ar que lhe motivavam incessantes resfriados. Com frequência, queixava-se de enxaquecas, que se faziam seguir de singulares abatimentos. Não somente nesse particular padecia o Imperador das extremas vicissitudes da vida humana. Ele, que era o regenerador dos costumes, o restaurador das tradições mais puras da família, o maior reorganizador do Império, foi obrigado a humilhar os seus mais fundos e delicados sentimentos de pai e de soberano, lavrando um decreto de banimento de sua única filha, exilando-a na Ilha de Pandatária, por efeito da sua vida de condenáveis escândalos na Corte, sendo compelido, mais tarde, a tomar as mesmas providências em relação à sua neta. Notou que a companheira amada de seus dias se envolvia, na intimidade doméstica, em contínuas questões de envenenamento dos seus descendentes mais diretos, experimentando ele, assim, na família, a mais angustiosa ansiedade do coração. Apesar de tudo, seu nome foi dado ao século ilustre que o vira nascer. Seus numerosos anos de governo se assinalaram por inolvidáveis iniciativas. 

A alma coletiva do Império nunca sentira tamanha impressão de estabilidade e de alegria. A paisagem gloriosa de Roma jamais reunira tão grande número de inteligências. E nessa época que surgem Vergílio, Horário, Ovídio, Salústio, Tito Lívio e Mecenas, como favoritos dos deuses. Em todos os lugares lavravam-se mármores soberbos, esplendiam jardins suntuosos, erigiam-se palácios e santuários, protegia-se a inteligência, criavam-se leis de harmonia e de justiça, num oceano de paz inigualável. Os carros de triunfo esqueciam, por algum tempo, as palmas de sangue e o sorriso da deusa Vitória não mais se abria para os movimentos de destruição e morticínio. O próprio Imperador, muitas vezes, em presidindo às grandes festas populares, com o coração tomado de angústia pelos dissabores de sua vida íntima, se surpreendeu, testemunhando o júbilo e a tranquilidade geral do seu povo e, sem que conseguisse explicar o mistério daquela onda interminável de harmonia, chorando de comoção, quando, do alto de sua tribuna dourada, escutava a famosa composição de Horácio, onde se destacavam estes versos de imorredoura beleza:

Ó Sol fecundo,
Que com teu carro brilhante
Abres e fechas o dia!... 
Que surges sempre novo e sempre igual! 
Que nunca possas ver Algo maior do que Roma.

É que os historiadores ainda não perceberam, na chamada época de Augusto, o século do Evangelho ou da Boa Nova. Esqueceram-se de que o nobre Otávio era também homem e não conseguiram saber que, no seu reinado, a esfera do Cristo se aproximava da Terra, numa vibração profunda de amor e de beleza. Acercavam-se de Roma e do mundo não mais espíritos belicosos, como Alexandre e Aníbal, porém outros que se vestiriam dos andrajos dos pescadores, para servirem de base indestrutível aos eternos ensinos do Cordeiro. 

Imergiam nos fluidos do planeta os que preparariam a vinda do Senhor e os que se transformariam em seguidores humildes e imortais dos seus passos divinos. É por essa razão que o ascendente místico da era de Augusto se traduzia na paz e no júbilo do povo que, instintivamente, se sentia no limiar de uma transformação celestial. Ia chegar à Terra o Sublime Emissário. Sua lição de verdade e de luz ia espalhar-se pelo mundo inteiro, como chuva de bênçãos magníficas e confortadoras. A Humanidade vivia, então, o século da Boa Nova. Era a “festa do noivado” a que Jesus se referiu no seu ensinamento imorredouro. 

 Depois dessa festa dos corações, qual roteiro indelével para a concórdia dos homens, ficaria o Evangelho como o livro mais vivaz e mais formoso do mundo, constituindo a mensagem permanente do céu, entre as criaturas em trânsito pela Terra, o mapa das abençoadas altitudes espirituais, o guia do caminho, o manual do amor, da coragem e da perene alegria.

E, para que essas características se conservassem entre os homens, como expressão de sua sábia vontade, Jesus recomendou aos seus apóstolos que iniciassem o seu glorioso testamento com os hinos e os perfumes da Natureza, sob a claridade maravilhosa de uma estrela a guiar reis e pastores à manjedoura rústica, onde se entoavam as primeiras notas de seu cântico de amor, e o terminassem com a luminosa visão da Humanidade futura, na posse das bênçãos de redenção. É por esse motivo que o Evangelho de Jesus, sendo livro do amor e da alegria, começa com a descrição da gloriosa noite de Natal e termina com a profunda visão da Jerusalém libertada, entrevista por João, nas suas divinas profecias do Apocalipse.

JESUS E O PRECURSOR

Após a famosa apresentação de Jesus aos doutores do Templo de Jerusalém, Maria recebeu a visita de Isabel e de seu filho, em sua casinha pobre de Nazaré. Depois das saudações habituais, do desdobramento dos assuntos familiares, as duas primas entraram a falar de ambas as crianças, cujo nascimento fora antecipado por acontecimentos singulares e cercado de estranhas circunstâncias.

Enquanto o patriarca José atendia às últimas necessidades diárias de sua oficina humilde, entretinham-se as duas em curiosa palestra, trocando carinhosamente as mais ternas confidências maternais. O que me espanta, dizia Isabel, com caricioso sorriso, é o temperamento de João, dado às mais fundas meditações, apesar da sua pouca idade. Não raro, procuro-o inutilmente em casa, para encontrá-lo, quase sempre, entre as figueiras bravas, ou caminhando ao longo das estradas adustas, como se a pequena fronte estivesse dominada por graves pensamentos.

Essas crianças, a meu ver, respondeu-lhe Maria, intensificando o brilho suave de seus olhos —, trazem para a Humanidade a luz divina de um caminho novo. Meu filho também é assim, envolvendo-me o coração numa atmosfera de incessantes cuidados. Por vezes, vou encontrá-lo a sós, junto das águas, e, de outras, em conversação profunda com os viajantes que demandam a Samaria ou as aldeias mais distantes, nas adjacências do lago. Quase sempre, surpreendo-lhe a palavra caridosa que dirige às lavadeiras, aos transeuntes, aos mendigos sofredores... Fala de sua comunhão com Deus com uma eloquência que nunca encontrei nas observações dos nossos doutores e, constantemente, ando a cismar, em relação ao seu destino.

Apesar de todos os valores da crença, murmurou Isabel, convicta —, nós, as mães, temos sempre o espírito abalado por injustificáveis receios. Como se se deixasse empolgar por amorosos temores, Maria continuou: — Ainda há alguns dias, estivemos em Jerusalém, nas comemorações e as facilidade de argumentação com que Jesus elucidava os problemas, que lhe eram apresentados pelos orientadores do templo, nos deixou a todos receosos e perplexos. 

Sua ciência não pode ser deste mundo: vem de Deus, que certamente se manifesta por seus lábios amigos da pureza. Notando-lhe as respostas, Eleazar chamou a José, em particular, e o advertiu de que o menino parece haver nascido para a perdição de muitos poderosos em Israel. 

Com a prima a lhe escutar atentamente a palavra, Maria prosseguiu, de olhos úmidos, após ligeira pausa: — Ciente desse aviso, procurei Eleazar, a fim de interceder por Jesus, junto de suas valiosas relações com as autoridades do templo. Pensei na sua infância desprotegida e receio pelo seu futuro. Eleazar prometeu interessar-se pela sua sorte; todavia, de regresso a Nazaré, experimentei singular multiplicação dos meus temores. 

Conversei com José, mais detidamente, acerca do pequeno, preocupada com o seu preparo conveniente para a vida!... Entretanto, no dia que se seguiu às nossas íntimas confabulações, Jesus se aproximou de mim, pela manhã, e me interpelou: “Mãe, que queres tu de mim? Acaso não tenho testemunhado a minha comunhão com o Pai que está no Céu? Altamente surpreendida com a sua pergunta, respondi-lhe, hesitante: Tenho cuidado por ti, meu filho! Reconheço que necessitas de um preparo melhor para a vida...

Mas, como se estivesse em pleno conhecimento do que se passava em meu íntimo, ponderou ele: “Mãe, toda preparação útil e generosa no mundo é preciosa; entretanto, eu já estou com Deus. Meu Pai, porém, deseja de nós toda a exemplificação que seja boa e eu escolherei, desse modo, a escola melhor. 

No mesmo dia, embora soubesse das belas promessas que os doutores do templo fizeram na sua presença a seu respeito, Jesus aproximou-se de José e lhe pediu, com humildade, o admitisse em seus trabalhos. Desde então, como se nos quisesse ensinar que a melhor escola para Deus é a do lar e a do esforço próprio, concluiu a palavra materna com singeleza —, ele aperfeiçoa as madeiras da oficina, empunha o martelo e a enxó, enchendo a casa de ânimo, com a sua doce alegria! 

Isabel lhe escutava atenta a narrativa, e, depois de outras pequenas considerações materiais, ambas observaram que as primeiras sombras da noite desciam na paisagem acinzentando o céu sem nuvens.

A carpintaria já estava fechada e José buscava a serenidade do interior doméstico para o repouso. As duas mães se entreolharam, inquietas, e perguntavam a si próprias para onde teriam ido as duas crianças. Nazaré, com a sua paisagem, das mais belas de toda a Galileia, é talvez o mais formoso recanto da Palestina. Suas ruas humildes e pedregosas, suas casas pequeninas, suas lojas singulares se agrupam numa ampla concavidade em cima das montanhas, ao norte do Esdrelon. Seus horizontes são estreitos e sem interesse; contudo, os que subam um pouco além, até onde se localizam as casinholas mais elevadas, encontrarão para o olhar assombrado as mais formosas perspectivas. O céu parece alongar-se, cobrindo o conjunto maravilhoso, numa dilatação infinita. 

Maria e Isabel avistaram seus filhos, lado a lado, sobre uma eminência banhada pelos derradeiros raios vespertinos. De longe, afigurou-se-lhes que os cabelos de Jesus esvoaçavam ao sopro caricioso das brisas do alto. Seu pequeno indicador mostrava a João as paisagens que se multiplicavam a distância, como um grande general que desse a conhecer as minudências dos seus planos a um soldado de confiança.

Ante seus olhos surgiam as montanhas de Samaria, o cume de Magedo, as eminências de Gelboé, a figura esbelta do Tabor, onde, mais tarde, ficaria inesquecível o instante da Transfiguração, o vale do rio sagrado do Cristianismo, os cumes de Safed, o golfo de Khalfa, o elevado cenário do Pereu, num soberbo conjunto de montes e vales, ao lado das águas cristalinas. Quem poderia saber qual a conversação solitária que se travara entre ambos? Distanciados no tempo, devemos presumir que fosse, na Terra, a primeira combinação entre o amor e a verdade, para a conquista do mundo. Sabemos, porém, que, na manhã imediata, em partindo o precursor na carinhosa companhia de sua mãe, perguntou Isabel a Jesus, com gracioso interesse: — Não queres vir conosco? — ao que o pequeno carpinteiro de Nazaré respondeu, profeticamente, com inflexão de profunda bondade: — “João partirá primeiro.”

Transcorridos alguns anos, vamos encontrar o Batista na sua gloriosa tarefa de preparação do caminho à verdade, precedendo o trabalho divino do amor, que o mundo conheceria em Jesus Cristo.

João, de fato, partiu primeiro, a fim de executar as operações iniciais para a grandiosa conquista. Vestido de peles e alimentando-se de mel selvagem, esclarecendo com energia e deixando-se degolar em testemunho à Verdade, ele precedeu a lição da misericórdia e da bondade. 

O Mestre dos mestres quis colocar a figura franca e áspera do seu profeta no limiar de seus gloriosos ensinos e, por isso, encontramos em João Batista um dos mais belos de todos os símbolos imortais do Cristianismo. Salomé representa a futilidade do mundo, Herodes e sua mulher o convencionalismo político e o interesse particular. João era a verdade, e a verdade, na sua tarefa de aperfeiçoamento, dilacera e magoa, deixando-se levar aos sacrifícios extremos. 

Como a dor que precede as poderosas manifestações da luz no íntimo dos corações, ela recebe o bloco de mármore bruto e lhe trabalha as asperezas para que a obra do amor surja, em sua pureza divina. João Batista foi a voz clamante do deserto. Operário da primeira hora, é ele o símbolo rude da verdade que arranca as mais fortes raízes do mundo, para que o reino de Deus prevaleça nos corações. Exprimindo a austera disciplina que antecede a espontaneidade do amor, a luta para que se desfaçam as sombras do caminho, João é o primeiro sinal do cristão ativo, em guerra com as próprias imperfeições do seu mundo interior, a fim de estabelecer em si mesmo o santuário de sua realização com o Cristo. Foi por essa razão que dele disse Jesus: “Dos nascidos de mulher, João Batista é o maior de todos.” (continua)

Nota: transcrição do texto da obra “Boa Nova”, pelo Espírito Humberto de Campos; Xavier, F.C., FEB  

http://bvespirita.com/Boa%20Nova%20(psicografia%20Chico%20Xavier%20-%20espirito%20Humberto%20de%20Campos).pdf

Profa. Lúcia Rocha