segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A História da Arte - 9

O espelho da natureza

No século XVII, a divisão da Europa num campo católico e outro protestante afetou a arte dos pequenos países como a Holanda.  O efeito da vitória do protestantismo sobre a pintura foi ainda mais acentuado. A carreira de pintor ou escultor deixou de atrair os talentos nativos. 

Frans Hals (1580-1666) foi obrigado a levar essa existência precária. Ele foi contemporâneo de Rubens. Hals pintava o espírito alegre de agrupamentos militares que se reuniam em torno de uma mesa de banquete. 


O maior pintor da Holanda e um dos maiores que a arte conheceu até hoje foi Rembrandt van Rijn (1606-1669). Ele era uma geração mais jovem que Hals e Rubens. Ele nos legou uma série de auto-retratos desde a juventude até quando era um mestre vitorioso e na moda e depois na sua velhice na bancarrota.

Seu último auto-retrato mostra um velho feio sem sinal de pose nem vaidade, apenas o olhar penetrante de um pintor que examina atentamente as próprias feições, sempre disposto a aprender mais e mais sobre os segredos do rosto humano.

Auto-retrato, Rembrandt

Depois, veio Jan Vermeer van Delft (1632-75). Ele foi um trabalhador lento e meticuloso. Não pintou muitos quadros e poucos representam uma cena importante.  A maioria exibe figuras simples num aposento de uma casa tipicamente holandesa. Seus quadros são naturezas-mortas incluindo seres humanos. Temos a mulher despejando leite numa vasilha de barro e a moça do brinco. 

A leiteira, Vermeer 

A moça do brinco, Vermeer

Itália do século XVII e início do XVIII

A arte suprema da decoração teatral foi desenvolvida principalmente por Lorenzo Bernini (1598-1680). Tal como Rembrandt, ele era um consumado retratista. Suas obras eram uma experiência religiosa na escultura. 

Destacamos O êxtase de Sta. Teresa, em mármore, na capela Cornato, Igreja de Sta. Maria dela Vittoria, Roma. 

O êxtase de Sta Teresa, Bernini

O êxtase de Sta Teresa, detalhe

Giovanni Baptista Tiepolo (1696-1770) pintava grandes afrescos como O Banquete de Cleópatra, no Palazzo Labia, Veneza. 

O banquete de Cleópatra, Tiepolo

Francesco Guardi (1712-93) pintava a laguna veneziana com sóbrias e fieis marinhas. Os gondoleiros são um punhado de manchas coloridas. São frutos tardios da arte barroca italiana.  (continua) 

Vista de S. Giorggio Maggiore, Guardi

Fonte:

Gombrich, E.H. A história da arte, LTC, Rio de Janeiro, 16ª edição

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/54/Frans_Hals_-_Banquet_of_the_Officers_of_the_St_George_Civic_Guard_%28detail%29_-_WGA11053.jpg/800px-Frans_Hals_-_Banquet_of_the_Officers_of_the_St_George_Civic_Guard_%28detail%29_-_WGA11053.jpg

http://www.sabercultural.com/template/obrasCelebres/fotos/Rembrant-autorretratos-Foto02.jpg

http://virusdaarte.net/wp-content/uploads/2013/06/jv1.jpg

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http://betet.info/teresaAvila.jpg

http://www.hzshangding.com/resource/vstore_info/upload/20150604/76621433387240198.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/78/Tiepolo,_Giovanni_Battista_-_The_Banquet_of_Cleopatra_-_1746-47.PNG

http://cdn.i24news.tv/upload/image/Francesco_Guardi_-_Venice_-_San_Giorgio_Maggiore_-_WGA10869.jpg

Espiritismo e Metafísica

Para adolescentes e adultos. 

Introdução

Hoje começamos uma série de pequenos estudos sobre “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec. O Espiritismo ou Doutrina Espírita é uma filosofia espiritualista. O espiritualismo é o contrário do materialismo. Quem acredita que haja algo mais do que a matéria é espiritualista.  ”O Livro dos Espíritos” contém os princípios fundamentais do Espiritismo. 

Kardec diz que, em “O Livro dos Espíritos”, temos o próprio ensinamento dos Espíritos sobre todas as questões de metafísica e de moral que se relacionam com a Doutrina Espírita.  

A palavra metafísica tem origem grega e significa: “meta”, além de; e “física/physis”,  natureza. A metafísica é um ramo da filosofia que estuda a essência dos seres. A metafísica busca respostas para perguntas complexas como:  O que é Deus? O que é espírito? O que é alma? O que é o Bem? O que é o Mal? (http://www.infoescola.com/filosofia/metafisica/)

O Livro dos Espíritos” foi publicado em Paris no dia 18 de abril de 1857, por Allan Kardec. Com o lançamento dessa obra, Kardec fundou o Espiritismo ou Doutrina Espírita.

A primeira edição de “O Livro dos Espíritos” foi queimada em praça pública, em Paris, mas Kardec não esmoreceu, publicou-o novamente. 

Uma fato interessante sobre “O Livro dos Espíritos”. Antes de publicá-lo Kardec recebeu uma mensagem de um dos Espíritos, autores da Doutrina Espírita, psicografada por um médium:

“Porás no início do livro o ramo de parreira (cepa) que te desenhamos, pois ele é o símbolo do trabalho do Criador. Esse símbolo representa o corpo e o espírito. O corpo é o ramo (cepa); o espírito é a seiva (licor); a alma, ou Espírito encarnado, é o bago. O homem aprimora o espírito pelo trabalho e tu sabes que somente pelo trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos.” (...) Assinado, São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fenelon, Swedenborg e outros.

Para o nosso estudo, escolhi algumas questões que considerei as principais para um estudo básico, mas conservei a numeração. Tudo na linguagem do século XXI. Mas, quem quiser, pode estudar as questões completas no original do próprio livro. Vamos começar pela parte da metafísica que se relaciona com a Doutrina Espírita. Futuramente estudaremos a moral. “O Livro dos Espíritos” contém a filosofia da Doutrina Espírita ou Espiritismo.

Deus, Capela Sistina, detalhe, Michelangelo

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

CAPITULO 1

Sobre Deus

1.Que é Deus?

“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”

2.Que se deve entender por infinito?

“O que não tem começo nem fim: o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.”

3.Deus é o infinito?

Definição  incompleta, pela  pobreza da linguagem humana.

4.Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

Não há efeito sem uma causa. Procure tudo o que não é obra do homem e encontrará a causa: Deus.

11.Um dia o homem vai compreender o mistério da Divindade?

Quando o homem, pela sua perfeição, se aproximar de Deus, ele o verá e compreenderá. 

13.Quais são os atributos de Deus?

Para a compreensão humana, Deus tem os seguintes atributos (qualidades, características): é único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom. Ele tem outros atributos que a humanidade não pode compreender no nível da sua evolução. 

Deus é único, pois se houvesse muitos deuses não haveria unidade de poder na ordenação do Universo.

É eterno. Se tivesse tido princípio, ou  teria saído do nada ou teria sido criado por um ser anterior e não haveria o infinito nem a eternidade. 

É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o universo estariam sempre mudando, não teriam estabilidade.

É imaterial. A sua natureza é diferente de tudo o que se conhece por matéria, senão ele estaria sujeito às transformações da matéria.

É onipotente porque é único. Ele tem o soberano poder. Se assim não fosse,  haveria algo mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas, e as outras coisas seriam obra de outro deus. 

É soberanamente justo e bom. A sabedoria das leis divinas se revelam nas pequenas e nas grandes coisas. E essa sabedoria  não permite que se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.   

14.Deus é a somatória de todas as inteligências reunidas?

Não. Deus existe, é o essencial para a compreensão humana. Mas, as obras de Deus não são o próprio Deus como quer o panteísmo, doutrina que transforma Deus num ser material.

 (Nota: Este capítulo contém originalmente 16 perguntas. Selecionei 7, que resumi. Fim do capítulo 1.) Continua. 

Fonte: 

 “O Livro de Allan Kardec”, coletânea em um só volume com todas as obras de Allan Kardec, inclusive com alguns textos inéditos dele (1.038 p.); ilustrações de Gustave Doré (1883); tradução de Sylvia T.C. Martins e Torrieri Guimarães (1982);  Editor Pietro Macera, Opus Editora Ltda, São Paulo, 1982

A obra acima pode ser encontrada nova no mercado livre da internet. Ou seminova, em casas especializadas. 

Profa. Lucia Rocha

Imagens:

O ramo de parreira (cepa) acima é a cópia do que os Espíritos desenharam em preto e branco mediunicamente para Kardec colocar em “O Livro dos Espíritos”.  (Prolegômenos, em “O Livro dos Espíritos”; Kardec, Allan).         

http://files.snackwebsites.net.s3.amazonaws.com/sites/hcl753u2/files/413?_=1383847158

http://assets3.exame.abril.com.br/assets/images/2013/7/251382/size_810_16_9_Deus_por_Michelangelo_Dom%C3%ADnio_P%C3%BAblico_Wikimedia_.jpg

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Dia 15 de Outubro

Anchieta

15 de outubro - Dia do Professor ! 

Ontem, o jovem noviço José de Anchieta deixou para trás a civilização europeia para vir educar os nossos singelos curumins. Na areia do rio Tietê, ele começou a sua escola. Glória a Anchieta, o primeiro professor do Brasil!  

Hoje, o pedagogo  é o primeiro professor de português. Paixão pela educação! Todo professor é um guardião da  língua pátria. Questão de brasilidade!   

Salve os professores! Brava gente brasileira!    

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: 

http://www.portalum.com.br/images/stories/2013/santo_do_dia/julho/Anchieta_escrevendo_t2.jpg

Comemoração

Deusa grega da Vitória

Raquel Helena, a Iluminada.

Seu nome inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. Para sempre.

À mais jovem advogada brasileira, os louros da vitória!

 Alegria, alegria,
quanta  alegria!

Alegria, alegria,
quanta harmonia!

Sua mãe,
Lucia

Imagem:

http://vignette3.wikia.nocookie.net/fantasia/images/4/4c/Vitoria.jpg/revision/latest?cb=20090716235808&path-prefix=pt

A História da Arte 8

A Europa católica, século XVII

A história da arte às vezes é descrita como a história de uma  sucessão de vários estilos. O estilo que sucedeu ao Renascimento ou Renascença é usualmente chamado barroco.  A palavra barroco foi empregada pelos críticos de um período ulterior que lutavam contra as tendências seiscentistas e queriam expô-las ao ridículo. Barroco, realmente significa absurdo ou grotesco, e era empregado por homens que insistiam em que as formas das construções clássicas jamais deveriam ser usadas ou combinadas senão da maneira adotada por gregos e romanos. 

Michelangelo Caravaggio, homem de temperamento impetuoso e irado era extremamente  suscetível à menor ofensa e até capaz de apunhalar um desafeto. Mas, sua obra seguiu rumos diferentes. Ele queria retratar a verdade tal como podia vê-la. Muitos achavam que ele não tinha o menor respeito pela tradição. Foi chamado de naturalista. Suas obras não perderam o arrojo por três séculos, desde que ele as criou. Assim,  no quadro de São Tomé um dos apóstolos enfia o dedo na ferida de Jesus. As pessoas achavam esse retrato ultrajante. Mas, ele leu detidamente a Bíblia para retratar seus personagens. Ele trabalhou em Roma que então era o centro cultural. 

Guido Reni pintou “Aurora” com as Horas, moças que dançavam precedidas pela figura de uma criança com um archote, a Estrela matutina. Ele faz lembrar Rafael em seus afrescos na Farnesina. 

Aurora, Guido Reni  

O maior dos mestres “acadêmicos” foi Nicolas Poussin (2594-1665) que fez de Roma sua cidade adotiva. Ele estudou as estátuas clássicas com fervoroso empenho para fazer suas pinturas como Et in Arcadia ego (E na Arcádia estou). 

Et in Arcadia ego, Poussin

O flamengo Peter Paul Rubens chegou a Roma em 1600, aos 23 anos. Rubens admirava as pinturas de histórias e mitos de Carracci e admirava o naturalismo de Caravaggio. Há mais movimento,  luz e cores em seu quadro do que em qualquer dos anteriores como em “Virgem e  Menino entronizados com santos” 

Virgem e Menino entronizados com santos, Rubens

Cabeça de Clara Serena, Rubens

Clara Serena era a filha do artista. Entre os principais discípulos de Rubens e seu ajudante estava o mais independente, Anthony van Dyck (1599-1641). Ele pintou depois a aristocracia inglesa como “Lord John e Lord Bernard Stuart.

Lord John e Lord Bernard Stuart, Van Dyck

Rubens conheceu o espanhol Diego Velasquez. Este estudara o naturalismo das obras de Caravaggio através de copiadores. A conselho de Rubens, Velasquez foi a Roma estudar as pinturas dos grandes mestres, mas logo regressou a Madri. Sua principal tarefa era pintar retratos do rei Filipe IV e dos membros da família real.  Essas pessoas eram feias e se vestiam de modo complicado. Mas, Velzasquez transformou esses retratos nas obras mais fascinantes que o mundo já viu, como num passe de mágica. Tinha estudado a técnica de pincel de Rubens e Ticiano. Ninguém pode deixar de ver sua obra prima que é o retrato do Papa Inocêncio X no Palazzo Doria Pamphili.

Papa Inocêncio X, Velasquez  

No quadro “Las meninas”, vemos o próprio Velasquez trabalhando numa tela enorme. O espelho da parede do fundo reflete as figuras do Rei e da Rainha que estão posando para o retrato. A menina da frente, Marguerita, é a filha do régio casal, ladeada por duas damas de honra, uma delas servindo-lhe um lanche, enquanto a outra faz uma reverência ao casal real. Os dois anões (a mulher feia e o homem com o cão), a corte os  mantinha para divertir-se. Os austeros adultos do fundo parecem zelar pela boa conduta dos visitantes. 
(Continua)

Las meninas, Velasquez

Fonte:

Gombrich, E.H., A História da Arte, Rio de Janeiro, KLTC, 2009

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:

http://d1b5cmcvdw4fcj.cloudfront.net/wp-content/uploads/2013/03/aurora-guido-reni.jpg

https://itibancomics.files.wordpress.com/2015/10/poussin_1638_arcadian-shepherds.jpg

http://images.niceartgallery.com/image/data/254/254346.jpg

http://images.zeno.org/Kunstwerke/I/big/48m0018a.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2f/Sir-Anthony-van-Dyck-Lord-John-Stuart-and-His-Brother-Lord-Bernard-Stuart.jpg

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Retrato_del_Papa_Inocencio_X._Roma,_by_Diego_Vel%C3%A1zquez.jpg

http://guilfordfreelibrary.org/wp-content/uploads/2012/02/meninas.jpg

LIBRAS nos Hospitais de São Paulo

Hospitais de São Paulo vão ter gente treinada para traduzir a LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais para os surdos. 

A cidade tem 120 mil surdos que terão essa ajuda nos hospitais para fazerem consultas, é o que  explica a repórter Neide Duarte do Jornal Nacional.

A médica urologista Sylvia Marzano disse para a repórter que é muito bom contar com alguém que possa ajudar na consulta. 

A aula de Libras, que  é oferecida pelo Centro de Tecnologia e Inclusão, é para quem trabalha em lugares públicos e que eventualmente pode atender um dos surdos que vivem na cidade de São Paulo. Essa foi a terceira semana de aula e o curso já tem fila de espera.

Fonte:  

http://diariodosurdo.com.br/2015/10/hospitais-de-sp-vao-ter-gente-treinada-para-traduzir-a-libras/

Profa. Lúcia Rocha

As Emoções

(Ao meu querido filho Marcus Vinicius por seus feitos admiráveis, motivo de grande orgulho para mim. )

A  emoção suave faz a alma vibrar
de felicidade
e tudo são flores,
e tudo são amores.

Cedinho a nossa emoção menina
sai de dentro da gente
pra encontrar com outra emoção menina
e as duas  juntinhas
em translúcida alegria
dançam, cantam,
brincam esvoaçantes
fazendo o mundo mais feliz.

Às vezes uma emoção que passa ao lado
pode num ímpeto arrastar
a nossa emoção ingênua
pra beira do abismo do buraco fundo do fim do mundo
aonde não existe luz,
aonde não existe um mísero segundo de paz.

Ainda bem que de repente uma emoção abençoada
surge de dentro da gente
e com todo o amor
faz a emoção desequilibrada
voltar depressa arrependida
da beira do abismo do buraco fundo do fim do mundo
pra de novo sentir a paz,
pra de novo sentir a luz
do  nosso amado Mestre Jesus,
Sol esplendoroso de manhã primaveril.

(Poesia de Lucia Rocha, 2015)