segunda-feira, 6 de julho de 2015

Vocação

“Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.” II Timóteo 4:5

A vocação é um chamamento interior para a integração com a vida. O homem que segue o impulso da vida se eleva de modo mais rápido nas experiências que o enriquecem.

É preciso fazer silêncio interior para ouvir o chamado divino. Desenvolvendo a serenidade da alma, poder-se-á perceber o sussurro da vida que chama e aponta o caminho a seguir.

Jesus convocando os doze discípulos para a missão

(Serenidade, Robson Pinheiro, pelo espírito Alex Zarthú, 2013.) 

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: https://i2.wp.com/farm4.static.flickr.com/3070/2742098021_9995172f38.jpg

Escotismo no Brasil

Grupo Escoteiro Tiradentes 

A sede do Grupo Escoteiro Tiradentes funciona numa pequena casa amarela dentro do Parque da Água Branca, na Barra Funda, São Paulo, capital. O local serve de ponto de encontro para cerca de 100 paulistanos, a maioria deles com idade entre 7 e 21 anos. Cada faixa etária desenvolve atividades específicas, sempre comandadas por um adulto. A programação de sábado para a turma de 11 a 14 anos inclui uma visita a um museu de ciências no município de Santo André, SP.

O escotismo surgiu em 1907 quando o general inglês Robert Stephenson Smyth Baden-Powell montou um acampamento com um punhado de meninos numa ilha ao sul da Inglaterra. Seu objetivo era criar uma oportunidade para os jovens aprenderem a pescar, a explorar ambientes desconhecidos e a cuidar de si próprios. À noite, todos se reuniam para ouvir histórias e cantorias. No ano seguinte, Baden-Powell escreveu um livro em fascículos que até hoje serve de guia para os interessados: ‘Escotismo para Rapazes’.

Grupo Escoteiro Tiradentes no Parque Água Branca

Na cartilha, o general ensina técnicas de orientação no campo e prega hábitos civilizados como não cuspir no chão, estar sempre alerta para ajudar o próximo e não aceitar gorjetas após fazer uma boa ação. Em 1909, um grupo de garotas se infiltrou sem ser convidado numa reunião dos escoteiros no Palácio de Cristal, em Londres. A ousadia delas resultou na vertente feminina do movimento, o bandeirantismo, oficializado no mesmo ano.

Em meados da década de 70, porém, a segregação entre os sexos começou a ser abolida. Hoje, tanto meninas são aceitas na organização masculina quanto há milhares de garotos bandeirantes. A medida fazia parte de um esforço da direção dos escoteiros para retirar do movimento o título de antiquado. Até cinquenta anos atrás, alguns grupos latino-americanos interrompiam suas atividades para o britânico chá das 17 horas, enquanto grupos africanos recebiam aulas de como enfrentar tempestades de neve.

O escotismo chegou no Brasil trazido por suboficiais do encouraçado ‘Minas Gerais’, em abril de 1910. Seu braço nacional, portanto, já tem mais de cem anos. A fundação do bandeirantismo por aqui ocorreu em 1919. No estado de São Paulo estão reunidos 17 000 dos 60 000 escoteiros do país e 1 800 das 10 000 bandeirantes. No mundo todo, as duas entidades somam 38 milhões de membros.

De origem comum, o escotismo e o bandeirantismo promovem hoje atividades diferentes. O primeiro foca aventuras, como acampamentos e longas caminhadas. Já o segundo se concentra em brincadeiras mirabolantes nas quais as crianças atuam como se fossem magos e fadas, além de campanhas beneficentes.   Qualquer pessoa pode engrossar as fileiras das organizações criadas por Baden-Powell.

http://vejasp.abril.com.br/materia/escotismo-brasil-100-anos/

Fotos: Mario Rodrigues

Profa. Lúcia Rocha

Imagens:
http://msalx.vejasp.abril.com.br/2012/08/22/0016/jYQci/escoteiros1003-0.jpeg?1348321831

http://msalx.vejasp.abril.com.br/2012/08/22/0008/jYQci/escoteiros1001-0.jpeg?1281111167

Jota Quest


Jota Quest é uma banda de pop rock formada em Belo Horizonte em 1993.

Amor maior - Jota Quest

Eu quero ficar só, mas comigo só eu não consigo
Eu quero ficar junto, mas sozinho só não é possível
É preciso amar direito, um amor de qualquer jeito
Ser amor a qualquer hora, ser amor de corpo inteiro
Amor de dentro pra fora, amor que desconheço

Quero um amor maior, um amor maior que eu
Quero um amor maior, um amor maior que eu

Eu quero ficar só, mas comigo só eu não consigo
Eu quero ficar junto, mas sozinho assim não é possível
É preciso amar direito, um amor de qualquer jeito
Ser amor a qualquer hora, ser amor de corpo inteiro
Amor de dentro pra fora, amor que eu desconheço

Quero um amor maior, um amor maior que eu
Quero um amor maior, um amor maior que eu

Então seguirei meu coração até o fim, pra saber se é amor
Magoarei mesmo assim, mesmo sem querer, pra saber se é amor
Mas estarei mais feliz mesmo morrendo de dor
Pra saber se é amor, se é amor

Quero um amor maior, um amor maior que eu
Quero um amor maior, um amor maior que eu

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jota_Quest

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: http://www.treta.blogger.com.br/jotaquest2-24-10-08.jpg

O Livro dos Espíritos e a Inteligência

Allan Kardec

“Outra ofensiva veio do psicólogo Howard Gardner, autor da Teoria das Inteligências Múltiplas. Ele inspirou-se no modo como a neurociência vê o cérebro hoje: um conjunto de vários módulos distintos, ou “puxadinhos”, que evoluíram separadamente e hoje funcionam como processadores para funções específicas. Com isso em mente, Gardner concluiu que a inteligência não é um conceito único, indivisível, mas uma soma de várias habilidades – como raciocínio lógico-matemático, lingüístico, espacial, musical, intrapessoal, interpessoal, motor e naturalista.” (http://super.abril.com.br/ciencia/inteligencia)

O psiquiatra e psicólogo brasileiro Augusto Cury considera que a inteligência tem múltiplas funções e não que haja inteligências múltiplas. Concordo com ele. Mas, para ele, como para todos os psiquiatras, psicólogos e neurocientistas do planeta (que não sejam espíritas) a inteligência está no cérebro, o mais importante órgão do corpo humano.

A respeito, Allan Kardec, codificador do Espiritismo, em O Livro dos Espíritos diz o seguinte nas suas perguntas numeradas e respectivas respostas dadas pelos espíritos:

“364.O mesmo Espírito dá ao homem as qualidades morais e as da inteligência?”

“Certamente e isso em virtude do grau de adiantamento a que se haja elevado. O homem não tem em si dois Espíritos.”

“366. Que se deve pensar da opinião dos que pretendem que as diferentes faculdades intelectuais e morais do homem resultam da encarnação nele de outros tantos Espíritos, diferentes entre si, cada um com uma aptidão especial? (O grifo é nosso.)

“Refletindo reconhecereis que é absurda. O Espírito tem que ter todas as aptidões. Para progredir, precisa de uma vontade única. (...)” As diversas faculdades são manifestações de uma mesma causa que é a alma ou o Espírito encarnado . (...)” 

Nota de Lucia Rocha: Assim, podemos entender que as diversas “faculdades intelectuais” (pergunta 366, acima) ou faculdades da inteligência são manifestações do Espírito encarnado.

368. Após sua união com o corpo, exerce  o Espírito, com liberdade plena, suas faculdades?

“O exercício das faculdades depende dos órgãos  que lhe servem de instrumento. A grosseria da matéria as enfraquece.

369. O livre exercício das faculdades da alma está subordinado ao desenvolvimento dos órgãos?

“Os órgãos são os instrumentos da manifestação das faculdades da alma, manifestação que se acha subordinada ao desenvolvimento e ao grau de perfeição dos órgãos, como a excelência de um trabalho o está à da ferramenta própria à sua execução.”

370. Da influência dos órgãos  se pode inferir a existência de uma relação entre o desenvolvimento do cérebro e o das faculdades morais e intelectuais?

“Não confundais o efeito com a causa. O espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.”

93. O Espírito propriamente dito nenhuma cobertura tem, ou como pretendem alguns está sempre envolto numa substância qualquer?”

“Envolve-o uma substância vaporosa para os teus olhos mas ainda bastante grosseira para nós...(..) Envolvendo o germe de um fruto há o perisperma; do mesmo modo uma substância que por comparação se pode chamar períspirito serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.

94.De onde tira o Espírito o seu invólucro semimaterial? “Do fluido cósmico universal de cada globo, razão por que não é idêntico em todos os mundos. Passando de um mundo para outro o Espírito muda de envoltório como mudais de roupa.

610. Ter-se-ão enganado os Espíritos que disseram constituir o homem um ser à parte na ordem da criação?

“Não, mas a questão não foi desenvolvida. Demais, há coisas que só a seu tempo podem ser esclarecidas. O homem é, com efeito, um ser à parte, visto possuir faculdades que o distinguem de todos os outros e ter outro destino. A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação dos seres que podem conhecê-lo.” (O grifo é nosso)

Nota de Lucia Rocha: Após essas explicações de O Livro dos Espíritos, chegamos à conclusão que o homem não faz parte da escala animal, mas é um ser à parte, pois, “A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação dos seres que podem conhecê-lo.” 

Fica claro pelo Livro dos Espíritos que  as faculdades da inteligência pertencem ao Espírito encarnado  e o cérebro é o órgão que serve de “aparelho” material para sua manifestação no mundo físico. Então, quem tem  a inteligência não é o corpo físico (cérebro), mas o Espírito. A mente está no Espírito. 

Quando o homem desencarna, seu Espírito  leva consigo para o plano espiritual  a inteligência/mente que lhe é própria e o cérebro volta ao pó. 

Tenho publicado extratos de alguns livros  do brasileiro Augusto Cury, psiquiatra, psicólogo e cientista de renome internacional. Tudo o que ele ensina a respeito da inteligência multifocal – sua interessante descoberta – é muito importante para o nosso conhecimento e aplicação na mudança de comportamento em sociedade e consigo mesmo para uma vida mais feliz.  

Apenas destaco a ressalva que facilmente podemos deduzir,  segundo o Espiritismo: a inteligência com suas faculdades faz parte do Espírito que uma identidade (um Eu).  

Por outro lado, o Espírito encarnado ou no plano espiritual conserva eternamente seu períspirito, fluídico, pois somente o perispírito “delimita” a identidade do Espírito. 

Na Antiguidade, o apóstolo Paulo já fazia referência em suas epístolas ao seu próprio “corpo espiritual”, fluídico, através do qual se desprendia para subir temporariamente ao céu e contemplar suas belezas.

A palavra “períspirito” foi usada primeiramente pelos espíritos superiores  que a introduziram em O Livro dos Espíritos. 

A palavra psicologia vem do grego “psyké” (alma, espírito) e “logos” (estudo).  Por extensão, “psique”, em português,  significa “mente”. 

A Psicologia surgiu em 1879 em Leipzig, Alemanha, com o fisiologista Willelm Wundt . Seu interesse transferiu-se do funcionamento do corpo humano para os estudos da percepção e dos processos mentais simples. O seu laboratório formou a primeira geração de psicólogos. 

“A Psicologia surgiu, portanto, depois do advento do Espiritismo que ocorreu em Paris, em 1857, com a publicação por Allan Kardec de O Livro dos Espíritos, obra ditada pelos espíritos superiores a diversos médiuns no mundo inteiro.

 O Livro dos Espíritos foi quem primeiro usou a  expressão “faculdades do espírito”, antes portanto da Psicologia.

Os brilhantes pensadores internacionais da Psicologia com suas teorias que atualmente estudam a inteligência, como o brasileiro Augusto Cury (autor da Teoria da Inteligência Multifocal), têm o mérito dos seus esforços, colaborando para o progresso dessa ciência. Através dos cientistas,  a ciência humana caminha na esteira da eternidade. 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia  

http://www.dicionarioetimologico.com.br/psicologia/

(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec: princípios da doutrina espírita, espiritismo experimental; 2ª ed. Especial; RJ: Federação Espírita Brasileira, 2009.)

Profa. Lucia Rocha

Imagem: http://www.ceakmaua.com.br/img/ceakDoutrina.jpg

Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis 3

Art Nouveau,  Mücha, 1899

Tipos de mulheres: mentes belas e complicadas - II

MULHERES HIPERSENSÍVEIS

Têm riquíssima emoção, embora desprotegida. São capazes de chorar ao ver um filme, emocionar-se ao ouvir uma história, envolver-se ao ler um livro. Não admitem a dor dos outros. Vivem intensamente, doam-se muito, entregam-se com facilidade. Preocupam-se com todos ao seu redor.  

Aspectos positivos. São as pessoas mais generosas, humanas e bondosas da sociedade. Muitas são incapazes de fazer mal aos outros. Frequentemente reconhecem seus erros e pedem desculpas. São éticas e responsáveis. Costumam preocupar-se muito com o meio ambiente e com o bem-estar social. Muitas praticam filantropia como uma missão e fonte de prazer.

Aspectos negativos. Mulheres hipersensíveis vivem a dor dos outros. Sofrem intensamente por problemas que ainda não aconteceram. Quando alguém as ofende, estraga seu dia ou sua semana. São tolerantes com os outros, mas às vezes algozes de si mesmas. Não são poucas as vezes em que se punem muito quando erram. Por terem baixo nível de proteção emocional, os estímulos estressantes as invadem com facilidade, o que as expõe a desenvolver alguns transtornos psíquicos, como depressão, ansiedade e pânico.

MULHERES HISTRIÔNICAS

São hiperfalantes, hipercomunicativas e hipersociáveis. Falam muito dos outros, mas frequentemente têm dificuldade de falar de si mesmas. Quando chegam a um ambiente é impossível escondê-las. Elevam o tom de voz, brincam com todos, contam histórias, movimentam o ambiente. Têm a necessidade vital de estar em evidência. Seu Eu tem dificuldade de se colocar no lugar dos outros, embora elas sempre achem que se colocam.

Aspectos positivos.  Frequentemente são bem-humoradas, divertidas, alto astral. Conseguem reverter a tristeza do espaço social e mudar a rotina do ambiente. São muito criticadas nos bastidores pelas mulheres analíticas, observadoras, “casulo” e autônomas, mas  são muito queridas. São muito prestativas,  é possível contar com elas em tempos de crises e angústias.

Aspectos negativos. As mulheres histriônicas preenchem todos os espaços sociais, não deixam os outros falar, participar ou se manifestar. Elas têm de brilhar mais do que os outros, embora algumas não percebam esses excessos de exposição. Têm a necessidade ansiosa de ser o centro das atenções sociais. Mesmo que sejam encantadoras, acabam sendo sufocantes. Inibem seu parceiro, falam por eles. Normalmente quando elas estão presentes, eles se calam. Inibem os filhos, não os estimulam a debater ideias, expressar suas opiniões, ainda que jamais admitam. São “mãezonas”, fazem tanto por seus filhos que acabam superprotegendo e despreparando-os para a vida. Não são poucos os filhos que atritam com elas e não reconhecem seu valor. Mulheres histriônicas têm dificuldade de trabalhar em equipe e receber críticas. 

MULHERES DISSIMULADAS

Disfarçam seus sentimentos, pensamentos, intenções. Seu Eu tornou-se especialista em maquiar não apenas o rosto, mas também sua psique. Diferentemente das mulheres autônomas/transparentes, elas escondem seus problemas e seus conflitos. Mas tomam essa atitude não porque são falsas ou mentirosas, mas porque são escravas do medo do que os outros pensam e falam delas.

Aspectos positivos. São dosadas, ponderadas e, ao contrário das mulheres histriônicas, não gostam de ser o centro das atenções sociais. Nem sempre as mulheres dissimuladas também são “casulos”, fechadas dentro de si, socialmente isoladas. Embora sua história seja um túmulo, muitas vezes são comunicativas, conselheiras e gostam de ajudar os outros. Têm uma postura impecável socialmente, mas tanto em sua família como em seu trabalho as pessoas conhecem no máximo a sala de visitas de sua personalidade.

Aspectos negativos. Nunca choram na frente dos outros. Não demonstram fragilidade. Nunca falam de si, nem dividem seus sentimentos. Têm medo de reconhecer suas dificuldades. Raramente pedem ajuda. Só quando atravessam um grave problema apresentam sinais de que não estão bem, o que as expõe a diversos transtornos emocionais. Às vezes escondem suas dificuldades atrás de títulos acadêmicos, eloquência, tom de voz, postura. São capazes de sorrir mesmo quando angustiadas. Detestam a solidão, mas vivem sós no meio da multidão. Em casos graves, essas mulheres passaram por traumas na infância, como abuso sexual, privações, violências, perdas, humilhação pública que  geraram um medo dramático de tocar em sua intimidade.  

MULHERES COITADISTAS/CONFORMISTAS

Proclamam em prosa e verso que são infelizes, incapazes, inábeis, impotentes. Quando são conformistas acrescentam uma passividade inaceitável perante sua miserabilidade, não têm ânimo para mudar a própria história. Seu Eu fica na plateia observando seus conflitos como mero espectador. Declaram  que não são compreendidas,  mesmo que se demonstre afeto por elas.

Aspectos positivos. Mulheres coitadistas/conformistas têm mentes complicadas. Muitas são generosas com os outros, embora sejam péssimas consigo mesmas. Algumas são boas para aconselhar os outros, mas incapazes de se orientar. Costumam ser carinhosas e afetivas. Têm notória discrição, não chamam a atenção para si. Possuem aversão a escândalos. 

Aspectos negativos. Não lutam por seus sonhos. São acomodadas, passivas, inertes, apáticas. Culpam os outros pelos próprios infortúnios. Têm uma visão simplista da vida. Esquecem que a vida é um contrato de riscos. Têm preocupação excessiva em falhar, por isso vivem na lama do conformismo. Dizem que não têm sorte na vida, que tudo de ruim acontece com elas e tudo de bom acontece com os outros.  Têm medo de se entregar sexualmente. Raramente acham que satisfazem seu parceiro. Criam em sua memória uma imagem de um parceiro “perfeito” e irreal. Às vezes são egoístas, prestam atenção na sua dor, mas não na dor do outro. Possuem relacionamentos conturbados, fortes no começo e desastrosos no término da relação.  Usam inconscientemente a habilidade de se autodiminuir para ter uma atenção exagerada dos que estão ao seu redor, portanto, para ter ganhos secundários.

MULHERES DEPENDENTES

Não andam se não tiverem o companheiro ao lado, não falam se não tiverem apoio. Nem sempre são coitadistas ou conformistas e, nesse caso, não reclamam de si nem se autodiminuem, mas também não constroem a própria história, não desenvolvem seus projetos de vida. Sua principal marca é a insegurança. Têm tanto medo da perda quanto uma necessidade excessiva de retorno dos seus homens, filhos, amigos. Algumas mulheres dependentes ligam diversas vezes por dia para o parceiro. Perguntam a cada momento “se ele a ama”, “por que ele está indiferente hoje”.

Aspectos positivos. Costumam ser afetivas, dóceis, delicadas. Não poucas mulheres com viés de dependência são sexualmente intensas, sedutoras, mas elas devem saber que, apesar de o prazer sexual ser importante, ele se torna insuficiente para dar estabilidade à relação. Devem ter a coragem de escrever a própria história.

Aspectos negativos. Algumas brilhantes mulheres observadoras, contemplativas, podem ter alguma dose de mentes dependentes. Se são excessivamente dependentes perdem sua identidade, esmagam sua liberdade, o que as faz se doar de  maneira imatura e com altos índices de cobranças. Mulheres dependentes e com baixo nível de resiliência não suportam perdas nem frustações, não protegem sua emoção. Pequenos estresses têm um  impacto grande, por isso têm tendência a desenvolver transtornos psíquicos. A dor da perda pode desencadear uma obsessão pelo parceiro perdido e culminar numa importante depressão. Adiam ou não elaboram seus projetos de vida.

MULHERES AUTORITÁRIAS

São exigentes, reativas, cobradoras. São ótimas para ordenar, mas péssimas para pedir. Seu Eu é impaciente, intolerante e pouco solidário. Mulheres autoritárias podem, em alguns casos, ser ansiosas, querer tudo na hora e do jeito delas. Detestam ser contestadas. Desconhecem que os frágeis agridem e os fortes abraçam. Têm a necessidade neurótica de poder e de estarem sempre certas.

Aspectos positivos. Não existem mulheres autoritárias puras ou absolutas. Elas estão mescladas com vários outros tipos de personalidade que compensam alguns dos seus defeitos. Muitas são determinadas, ousadas, sabem o que querem. Se forem um pouco analíticas e observadoras produzem respostas brilhantes em situações estressantes. Se forem cultas e disciplinadas são capazes de liderar grupos em situações críticas.

Aspectos negativos. Mulheres autoritárias são tensas, não sabem relaxar, soltar-se, curtir a vida. São dominadoras, controladoras, policiam filhos, maridos, amigos, colegas de trabalho. Mesmo com boas intenções, passam por cima dos outros com suas palavras e gestos. Se além de autoritárias são impulsivas, não é fácil conviver com elas, pois se tornam explosivas nos focos de tensão. Em alguns casos, transformam quem amam em seus serviçais. E ainda que tenham consciência parcial dos seus erros, defendem com unhas e dentes suas “verdades” e seus “conceitos”. O excesso de argumento para se defender reflete o medo neurótico de reconhecer sua fragilidade, de ser apenas um ser humano e como tal imperfeito. Se diariamente desenvolverem uma mente analítica, autônoma e contemplativa, poderão a duras penas formar plataformas de janelas light que desenvolverão as funções mais complexas da inteligência, como pensar antes de reagir, expor e não impor suas ideias, proteger sua emoção. (continua)

(Mulheres inteligentes, relações saudáveis, Augusto Cury, 2011.) (Psicologia aplicada para leigos.) 

Alphonse Mücha (1860-1939), tcheco, artista  da Art Nouveau (Arte Nova, francesa, decorativa, inspirada em figuras naturais, plantas, flores e curvas).

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/54/Alphonse_Mucha_-_Zodiac.jpg

A Lenda do Peixinho Vermelho


No centro de formoso jardim havia um grande lago adornado de ladrilhos azul-turquesa. Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas do outro lado através de grade muito estreita. Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes a se refestelarem, néscios e satisfeitos, em complicadas locas frescas e sombrias. Elegeram um dos cidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça. Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos. Não conseguia pescar a mais leve larva, nem se refugiar nos nichos barrentos. Os outros, vorazes e gorduchos, arrebatavam para si as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso. O peixinho vermelho que nadasse e sofresse. Por isso mesmo era visto em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de fome.

Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse. Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros. Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro. À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:-”Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?.” Optou pela mudança.

Apesar de macérrimo pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.

Pronunciando votos renovadores, avançou otimista pelo rego d’água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu embriagado de esperança… Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos. Encontrou peixes de muitas famílias diferentes que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro. Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo. Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais. 

Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo. De inicio, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária. Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas. O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e as tentações. 

Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar nas infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz. Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera com centenas de amigos para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude continuariam a correr para o oceano. O peixinho pensou, pensou… E sentindo imensa compaixão daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles. Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? Não seria nobre ampará-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações? Não hesitou. Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta. Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.

Esbelto e satisfeito como sempre pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros. Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia. Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lótus, de onde saíam apenas para disputar as larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.

Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém ali havia dado pela ausência dele. Ridiculizado, procurou então o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse. O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de um momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esquálidos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceano e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranquilos.

Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada.

Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção. Ninguém acreditou nele. Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquela história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente. 

O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até a grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante:- “Não vês que não cabe aqui uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! vai-te daqui! não nos perturbes o bem-estar… Nosso lago é o centro do Universo… Ninguém possui vida igual a nossa!…”. Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo. Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca. As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer atolada na lama…

(Nota: Esta lenda egípcia é contada por Emmanuel no prefácio do livro Libertação, psicografado por Chico Xavier.)

http://www.gepazebem.org/a-lenda-egipcia-do-peixinho-vermelho.html

Profa. Lúcia Rocha


Imagem: http://www.historias-infantis.com/wp-content/uploads/2013/12/peixinho-vermelho.jpg

O Tocador de Alaúde - Caravaggio


Essa obra de 1594 é do italiano Michelangelo Merisi Caravaggio. Trata-se de um soberbo óleo sobre tela de 100 cm x 1,26 cm, obra que se encontra no Museu Hermitage, em São Petersburgo, Rússia.

Ao analisarmos a tela, podemos admirar o realismo do retrato em que se destaca o extraordinário efeito de luz e sombra, marca de Caravaggio, que foi um dos maiores expoentes artísticos do período Barroco da pintura.

Profa. Lúcia Rocha

Imagem: https://vrwrathall2.files.wordpress.com/2014/10/0-resized.jpg